*Matéria originalmente publicada no site Scream & Yell.
fotos de Fernando Yokota.
Responsáveis por um dos álbuns mais falados de 2023, a banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo anunciou o show oficial de lançamento de “Música do Esquecimento” em uma noite de domingo (22/10) no Cine Joia, na capital paulistana. Depois de um primeiro disco produzido pela incensada Ana Frango Elétrico em 2021, uma participação no Festival Coala 2023 dividindo o palco no mesmo dia de nomes consagrados como Jorge Ben Jor, Marina Lima, Fernanda Abreu e Letrux e uma mini turnê de divulgação por cidades do sudeste brasileiro, será que um grupo de apenas quatro anos de carreira teria capacidade para lotar uma casa para cerca de mil pessoas?
De fato, pouco antes da abertura do Cine Joia, às 19h, já havia uma fila grande na entrada – talvez resultado da estratégia de liberar um lote surpresa de ingressos mais baratos por um período limitado, três dias antes do evento, mas talvez também pela banda já ter um séquito de fãs respeitável. Dentro do local, o que se observava era uma plateia majoritariamente jovem na faixa dos 20 anos, adolescentes acompanhados dos pais e alguns espectadores acima dos 30 anos, com todos mexendo em seus smartphones enquanto aguardavam o show.
Amigo de Sophia Chablau, Jonnata Doll aceitou a tarefa de abrir a noite com seus Garotos Solventes. Se o artista punk cearense não conquistou um merecido sucesso com os fãs saudosistas da Legião Urbana ao participar da turnê de 30 anos do grupo, apostar em um público bem mais jovem poderia ser o passo mais lógico a seguir. Só restava saber se os ‘Gen Z’s se conectariam com frases como “vamo cheirar cola até me acabar ouvindo punk rock” (da letra de “Cheira Cola”) e temas como a descrição da paisagem viciada de “Vale do Anhangabaú”.
Ao menos durante o show a aceitação se confirmou: a massa presente não mostrou indiferença e pouco a pouco se empolgou com os trejeitos de Jonnata, que subiu ao palco usando na cabeça uma coroa improvisada com pequenas lâmpadas rosa, acompanhado do guitarrista Edson Van Gogh, o baixista Joaquim “Loro Sujo” e o baterista Clayton Martins. A energia de canções protopunk como “Namorada Fantasma”, “Esqueleto” e “Crocodilo” era mesclada com faixas de vibe oitentista como “Edifício Joelma”, “Trabalho Trabalho Trabalho”, “Vai vai”, “Volume Morto” e “Filtra-Me”. Como um pequeno spoiler do que viria a seguir, Sophia Chablau foi convocada ao palco para dividir os vocais de “O Mundo Contra Nós” e, em um momento mais sóbrio, a banda dedicou a música “Pássaro Azul” para o amigo e ex-baterista Felipe Maia, que faleceu no fim de setembro.
Os já tradicionais problemas de som do Cine Joia apareceram – em parte por conta da performance frenética de Jonnata, que várias vezes descia um nível intermediário entre o palco e a plateia e esbarrava no emissor de sinal de seu microfone sem fio, causando ruídos que não botaram tudo a perder graças à coesão da parede sonora da banda. Na sequência final, ao emendar músicas rápidas, a exaltação do vocalista culminou em uma espécie de “autocuecão”, com Jonnata puxando a parte traseira da própria cueca contra suas costas, revelando o tecido totalmente esticado entre as nádegas.
Parecia difícil que qualquer um pudesse superar o que o público havia presenciado nesse show de abertura – tanto para o bem ou para o mal. É verdade que a atração principal sobe ao palco com metade do jogo ganho, pois o público está ali para assistir a performance de encerramento. Só que se a banda de abertura investiu na presença visceral para conquistar o público, a estratégia de Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo foi justamente apostar na contramão disso: a sutileza.
Para esta apresentação, o quarteto original (Sophia Chablau nos vocais e guitarra, Vicente Tassara na guitarra, vocais e teclados, Téo Serson no baixo e Theo Ceccato na bateria e vocais) contou com o reforço de duas backing vocals e Vitor Araújo (produtor de “Música do Esquecimento”) no piano em vários momentos-chave do espetáculo. E essa formação provou estar bem afiada ao longo do show.
O início, com “Minha Mãe É Perfeita”, foi quase como se a banda jogasse uma pista falsa para o que viria a seguir: um noise de pedal introduz notas pesadas na guitarra e o baixo distorcido seguia um riff hardcore que convidava para a maior (talvez única) roda de pogo da noite. “Baby Míssil” apareceu na sequência, mantendo uma linha de guitarra mais melódica e assobiável e um ritmo bem mais aprazível. A partir dali, a porção roqueira da banda diminuiu, cedendo espaço para arranjos de teclados marcantes, dando a oportunidade para que Tassara abusasse de efeitos e texturas bem similares ao que Jonny Greenwood faz no Radiohead.
Mas como um grupo tão novo consegue emendar ao vivo uma sequência de faixas introspectivas como “Qualquer Canção”, “Fora do Meu Quarto” e “As Coisas que Não te Ensinam na Faculdade de Filosofia” e manter a atenção do público tiktoker? A primeira constatação é a personalidade carismática de Sophia Chablau – tanto no palco como em suas poesias melancólicas e frases debochadas. O jeito meio tímido/meio maloqueira de classe média da frontwoman cativa. Em uma comparação bem ridícula e didática, é como se Sophia fosse uma mistura da Mallu Magalhães dos primórdios com uma versão paulistana da marra de Chorão do Charlie Brown Jr. E escrevo isso com a melhor das intenções.
Chablau sabe pedir a participação da plateia, entregando na mão dos fãs para que letras como a de “Idas e Vindas do Amor” sejam entoadas por eles nos momentos certos e com um resultado muito bonito. Ela poderia errar feio e exagerar nas interações (como Dave Grohl cisma em se arriscar, produzindo reações opostas entre o público geral), mas Sophia parece ciente disso e não exagera na dose. Ela também não se leva tão a sério e faz questão de dividir os holofotes com os companheiros de banda; ao longo do show, a vocalista anunciou os autores de outras composições, exaltando os talentos de seus colegas. Nesse quesito, até mesmo o baterista Theo Ceccato teve o seu “momento Ringo Starr” durante “Último Sexo”, assumindo o microfone principal na frente do palco e deixando as baquetas para Sophia.
Além dessa divisão quase marxista das atenções entre os músicos no palco, o show também contou com boas participações de Jonnata Doll (para cantar a curtinha “Neurose”) e Negro Leo, se juntando à gaita de Felipe Vaqueiro (do Tangolo Mangos) para cantar “O Pato Vai ao BRICS” e a já esperada “Quem Vai Apagar a Luz?”. Visivelmente feliz com a resposta favorável do público jovem ao seu ‘som torto e erradaço’, Negro Leo chegou a dizer que “é melhor ser lembrado pelos mais jovens, do que por uma instituição centenária”, fazendo uma alusão à idolatria que a banda paulistana tem com seu trabalho.
O show caminhava para um final sacudido até que um incidente interrompeu a execução do hit indie “Segredo”: um fã decidiu subir na plataforma intermediária entre o palco e a plateia para arriscar um stage dive mal-sucedido, batendo com a cabeça no chão e ficando inconsciente. Ao perceber a situação, a banda parou o show imediatamente, pediu para que o público abrisse espaço e a vocalista chamou a atenção dos bombeiros na casa para atender o rapaz machucado. Preocupados com o ocorrido, o grupo anunciou que faria uma pausa na apresentação para checar se o fã estava bem.
Cerca de 15 minutos depois os músicos voltaram e anunciaram que o stage diver azarado estava bem e encerrariam o show com mais quatro músicas – incluindo números que não estavam previstos, como o samba “Deus Tesão” improvisado na guitarra. A dançante “Debaixo do Pano” até tentou reparar os ânimos do público, mas a própria Sophia Chablau ainda parecia um pouco atordoada pela queda do fã minutos antes. Na beira desse anticlímax, o espetáculo chegou a um fim ainda morno com “Delícia/Luxúria”.
Apesar do incidente, a impressão que fica é a de que Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo é um grupo competente no palco e merece a atenção recebida – por mais que não tenha abarrotado o Cine Joia, 700 pessoas num domingo à noite deve ser comemorado. O setlist com grandes sequências de músicas absortas intercaladas com ecos de shoegaze pode deixar os admiradores de rock tradicional confusos e até mesmo entediados durante uma apresentação da banda, mas essa escolha é deliberada e funciona muito bem com seus seguidores, resultando em alguns momentos contemplativos (coisa que um amado/odiado quarteto de barbudos cariocas conseguia fazer muito bem no auge de sua forma). Para nós ouvintes, só nos resta torcer para que a banda siga evoluindo e renda frutos ainda mais interessantes que o elogiado “Música do Esquecimento”. Cacife para tanto eles parecem ter.
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terça-feira, 24 de outubro de 2023
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Fiona Apple supera escândalo e faz show intenso em Miami
Cantora segue com a turnê do novo disco,The Idler Wheel..., após prisão no Texas
*Matéria originalmente publicada no site da revista Rolling Stone Brasil.
"Não existe publicidade ruim", diz o ditado popular. Mas justificar a atenção recebida após um escândalo não é uma tarefa fácil - a não ser que a protagonista seja Fiona Apple. No dia 19 de setembro, a cantora voltou aos noticiários após ser presa por posse de haxixe e maconha, em uma cidade no Texas. Apesar de ter a fiança paga rapidamente para continuar a turnê do disco The Idler Wheel..., o fato rendeu mais algumas manchetes: acusações de abuso por parte da polícia durante sua prisão e o pedido público de desculpas aos fãs em um show em Nova Orleans. Mas ao subir ao palco do Jackie Gleason Theater no último domingo, 30, em Miami Beach, Fiona mostrou que o episódio polêmico ficou para trás.
Ao dar mais atenção às músicas de seu novo álbum (lançado em junho deste ano) e de When The Pawn... no repertório, Apple se deu o luxo de deixar de fora "Criminal" – seu maior hit - e sentar poucas vezes ao piano, concentrando-se apenas em cantar e tocar algumas percussões no centro do palco. Logicamente, os fãs devotados que lotaram o teatro para ver o show não reclamaram.
Às 20h15, o guitarrista Blake Mills subiu ao palco para iniciar o show de abertura. Integrante da banda de apoio de Fiona, o músico é dono um currículo extenso, incluindo colaborações com artistas como Norah Jones, Julian Casablancas, Band of Horses e até mesmo Kid Rock. Ao iniciar seu set de maneira intimista, acompanhado apenas da própria guitarra, Mills avisou que o baixista Sebastian Steinberg, a baterista Amy Wood e o tecladista Zac Rae subiriam ao palco ao longo das canções. A apresentação de quase 40 minutos contou com sete números, incluindo material de seu disco Break Mirrors e músicas novas, como a country "Don't Tell All Your Friends About Me".
Às 21h24 a banda voltou ao palco, desta vez com Fiona Apple. Os trajes brancos e a luz excessivamente clara ressaltavam a silhueta franzina da cantora, conferindo a ela uma aparência quase fantasmagórica. Mas contagiada pelo ritmo urgente de "Fast As You Can", Fiona não se manteve estática e logo arriscou saltos e trejeitos erráticos segurando o pedestal do microfone. Na sequência, assumiu o piano para uma versão pesada de "On The Bound", com maior destaque para a guitarra de Blake, que arriscava solos quando Apple não rasgava sua voz no refrão "você é tudo que eu preciso".
O hit "Shadowboxer" veio em seguida e foi ovacionado conforme a cantora tocava as primeiras notas no piano. A canção contou com um momento catártico para o público, que cantava o refrão em coro. O entusiasmo da plateia foi emendado em outra faixa preferida dos fãs: "Paper Bag". A partir daí, eram recorrentes gritos exagerados como "você é linda" e "Fiona, eu te amo" durante as músicas.
"Sleep to Dream" surgiu calma, mas aos poucos preparou o clima para que Fiona desse início aos seus momentos performáticos, com espasmos e movimentos frenéticos enquanto permanecia sentada no chão. A singela "Extraordinary Machine" veio em seguida, como se aparecesse estrategicamente no setlist para aquietar os ânimos da cantora.
Mas a calmaria não durou muito; o caráter quase psicótico de Fiona voltou à tona após uma interpretação intensa de "I Know". Ajoelhada e de cabeça baixa, a cantora introduziu "Tymps (the Sick in the Head Song)" trocando berros instigantes com seu baixista. Ao vivo, a canção ganhou uma versão estendida com um crescendo que serviu de trilha para mais uma 'sessão de descarrego' da artista, que quase desmontou um pedestal enquanto era refém da própria agitação. Na sequência, veio a serena "Every Single Night" - mais um número calmo para sossegar os nervos.
"Not About Love" foi o ponto alto da apresentação. Tocada com um peso que ressaltou as pausas repentinas da composição, o suspense logo deu lugar a pequenas improvisações, que foram a deixa para que a guitarra de Mills brilhasse à vontade.
Depois do momento mais roqueiro da noite, o tranquilo cover de "It’s Only Make Believe" (de Conway Twitty) surgiu em clima de redenção. Ao final, Apple foi ao microfone para se despedir do público, sem bis. "Muito obrigada, tivemos uma noite maravilhosa." Saiu saltitando do palco rumo aos bastidores, como se encarnasse uma bailarina desengonçada.
Veja abaixo o set list da apresentação:
"Fast As You Can"
"On The Bound"
"Shadowboxer"
"Paper Bag"
"Anything We Want"
"Get Gone"
"Periphery"
"Sleep To Dream"
"Extraordinary Machine"
"Werewolf"
"Left Alone"
"I Know"
"Tymps"
"Every Single Night"
"Daredevil"
"Not About Love"
"It’s Only Make Believe"
*Matéria originalmente publicada no site da revista Rolling Stone Brasil.
"Não existe publicidade ruim", diz o ditado popular. Mas justificar a atenção recebida após um escândalo não é uma tarefa fácil - a não ser que a protagonista seja Fiona Apple. No dia 19 de setembro, a cantora voltou aos noticiários após ser presa por posse de haxixe e maconha, em uma cidade no Texas. Apesar de ter a fiança paga rapidamente para continuar a turnê do disco The Idler Wheel..., o fato rendeu mais algumas manchetes: acusações de abuso por parte da polícia durante sua prisão e o pedido público de desculpas aos fãs em um show em Nova Orleans. Mas ao subir ao palco do Jackie Gleason Theater no último domingo, 30, em Miami Beach, Fiona mostrou que o episódio polêmico ficou para trás.
Ao dar mais atenção às músicas de seu novo álbum (lançado em junho deste ano) e de When The Pawn... no repertório, Apple se deu o luxo de deixar de fora "Criminal" – seu maior hit - e sentar poucas vezes ao piano, concentrando-se apenas em cantar e tocar algumas percussões no centro do palco. Logicamente, os fãs devotados que lotaram o teatro para ver o show não reclamaram.
Às 20h15, o guitarrista Blake Mills subiu ao palco para iniciar o show de abertura. Integrante da banda de apoio de Fiona, o músico é dono um currículo extenso, incluindo colaborações com artistas como Norah Jones, Julian Casablancas, Band of Horses e até mesmo Kid Rock. Ao iniciar seu set de maneira intimista, acompanhado apenas da própria guitarra, Mills avisou que o baixista Sebastian Steinberg, a baterista Amy Wood e o tecladista Zac Rae subiriam ao palco ao longo das canções. A apresentação de quase 40 minutos contou com sete números, incluindo material de seu disco Break Mirrors e músicas novas, como a country "Don't Tell All Your Friends About Me".
Às 21h24 a banda voltou ao palco, desta vez com Fiona Apple. Os trajes brancos e a luz excessivamente clara ressaltavam a silhueta franzina da cantora, conferindo a ela uma aparência quase fantasmagórica. Mas contagiada pelo ritmo urgente de "Fast As You Can", Fiona não se manteve estática e logo arriscou saltos e trejeitos erráticos segurando o pedestal do microfone. Na sequência, assumiu o piano para uma versão pesada de "On The Bound", com maior destaque para a guitarra de Blake, que arriscava solos quando Apple não rasgava sua voz no refrão "você é tudo que eu preciso".
O hit "Shadowboxer" veio em seguida e foi ovacionado conforme a cantora tocava as primeiras notas no piano. A canção contou com um momento catártico para o público, que cantava o refrão em coro. O entusiasmo da plateia foi emendado em outra faixa preferida dos fãs: "Paper Bag". A partir daí, eram recorrentes gritos exagerados como "você é linda" e "Fiona, eu te amo" durante as músicas.
"Sleep to Dream" surgiu calma, mas aos poucos preparou o clima para que Fiona desse início aos seus momentos performáticos, com espasmos e movimentos frenéticos enquanto permanecia sentada no chão. A singela "Extraordinary Machine" veio em seguida, como se aparecesse estrategicamente no setlist para aquietar os ânimos da cantora.
Mas a calmaria não durou muito; o caráter quase psicótico de Fiona voltou à tona após uma interpretação intensa de "I Know". Ajoelhada e de cabeça baixa, a cantora introduziu "Tymps (the Sick in the Head Song)" trocando berros instigantes com seu baixista. Ao vivo, a canção ganhou uma versão estendida com um crescendo que serviu de trilha para mais uma 'sessão de descarrego' da artista, que quase desmontou um pedestal enquanto era refém da própria agitação. Na sequência, veio a serena "Every Single Night" - mais um número calmo para sossegar os nervos.
"Not About Love" foi o ponto alto da apresentação. Tocada com um peso que ressaltou as pausas repentinas da composição, o suspense logo deu lugar a pequenas improvisações, que foram a deixa para que a guitarra de Mills brilhasse à vontade.
Depois do momento mais roqueiro da noite, o tranquilo cover de "It’s Only Make Believe" (de Conway Twitty) surgiu em clima de redenção. Ao final, Apple foi ao microfone para se despedir do público, sem bis. "Muito obrigada, tivemos uma noite maravilhosa." Saiu saltitando do palco rumo aos bastidores, como se encarnasse uma bailarina desengonçada.
Veja abaixo o set list da apresentação:
"Fast As You Can"
"On The Bound"
"Shadowboxer"
"Paper Bag"
"Anything We Want"
"Get Gone"
"Periphery"
"Sleep To Dream"
"Extraordinary Machine"
"Werewolf"
"Left Alone"
"I Know"
"Tymps"
"Every Single Night"
"Daredevil"
"Not About Love"
"It’s Only Make Believe"
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012
O Rappa vai além do banzo brasileiro e cativa o Lollapalooza
Banda abriu as atividades de um dos palcos do festival, em Chicago, e foi bem recebida pelo público
*Matéria originalmente publicada no site da revista Rolling Stone Brasil.
Abrir um dos palcos principais de um festival grande não é tarefa fácil para nenhum artista – especialmente se este mesmo palco é fora de sua terra natal e o headliner é ninguém menos que o Black Sabbath. Mas os brasileiros d’O Rappa não se intimidaram com a responsabilidade de iniciar as atividades do Bud Light Stage do Lollapalooza Chicago e fizeram um show intenso no início da tarde desta sexta-feira, 3.
Sob a mira de um forte sol e um calor de aproximadamente 33 graus, o grupo iniciou o show às 12h45 para o público que ainda chegava ao Grant Park. Não era difícil enxergar o verde e amarelo de camisetas e bandeiras empunhadas por brasileiros em frente ao palco. Mas já pela terceira canção do repertório, a plateia não seria exclusivamente de compatriotas saudosos do Brasil.
Se Perry Farrell (vocalista do Jane’s Addiction e idealizador do Lollapalooza) ficou impressionado com o grupo a ponto de convidá-lo para ser a única banda brasileira a tocar na edição norte-americana do festival, pode-se dizer que o efeito não foi diferente na plateia de Chicago. Mesmo que os elogios rasgados de Farrell beirem o exagero (o músico chegou a descrever o vocalista Falcão como “o novo Bob Marley”), o público dos Estados Unidos definitivamente enxergou algo de especial na mistura de reggae, rock e hip-hop da banda carioca. E O Rappa respondeu à altura com uma apresentação vigorosa.
Arriscando poucas frases em inglês – talvez por algum nervosismo –, Falcão limitou-se a chamar Chicago de “cidade linda” e agradecer a presença do público. Um intérprete foi chamado ao palco para anunciar tardiamente a banda e a canção “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)”. A partir daí, ficou claro que não era preciso nenhum tipo de diplomacia no idioma local para conquistar os norte-americanos presentes.
Apoiados por músicos extras, Xandão (guitarra), Lauro (baixo) e Lobato (teclados), apresentaram versões raivosas de “Hey Joe”, “Me Deixa” e “Lado B Lado A”. O único tropeço foi quando O Rappa se perdeu ao tocar uma versão bem improvisada de “Smoke On The Water”, do Deep Purple. Mas a brincadeira não apagou o brilho da apresentação e o grupo deixou o palco sob aplausos.
A receptividade do público local podia ser atestada também pelo Twitter: além dos brasileiros presentes elogiando o show, era possível acompanhar reações do público local, como “impossível não sacudir a cabeça ao ouvir O Rappa. Muita energia”. A revista Chicago Monthly não perdeu o bonde e cravou: “A atração mais impressionante do início da tarde: os brasileiros d’O Rappa, uma banda grande tanto em tamanho quanto em som”. Nada mal para uma “banda de guerreiros”, segundo o próprio Falcão.
Veja a banda tocando "Hey Joe" no festival:
Setlist
Reza Vela
Meu Mundo É O Barro
Homem Amarelo
O Salto
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Me Deixa
Hey Joe
Lado B Lado A
*Matéria originalmente publicada no site da revista Rolling Stone Brasil.
Abrir um dos palcos principais de um festival grande não é tarefa fácil para nenhum artista – especialmente se este mesmo palco é fora de sua terra natal e o headliner é ninguém menos que o Black Sabbath. Mas os brasileiros d’O Rappa não se intimidaram com a responsabilidade de iniciar as atividades do Bud Light Stage do Lollapalooza Chicago e fizeram um show intenso no início da tarde desta sexta-feira, 3.
Sob a mira de um forte sol e um calor de aproximadamente 33 graus, o grupo iniciou o show às 12h45 para o público que ainda chegava ao Grant Park. Não era difícil enxergar o verde e amarelo de camisetas e bandeiras empunhadas por brasileiros em frente ao palco. Mas já pela terceira canção do repertório, a plateia não seria exclusivamente de compatriotas saudosos do Brasil.
Se Perry Farrell (vocalista do Jane’s Addiction e idealizador do Lollapalooza) ficou impressionado com o grupo a ponto de convidá-lo para ser a única banda brasileira a tocar na edição norte-americana do festival, pode-se dizer que o efeito não foi diferente na plateia de Chicago. Mesmo que os elogios rasgados de Farrell beirem o exagero (o músico chegou a descrever o vocalista Falcão como “o novo Bob Marley”), o público dos Estados Unidos definitivamente enxergou algo de especial na mistura de reggae, rock e hip-hop da banda carioca. E O Rappa respondeu à altura com uma apresentação vigorosa.
Arriscando poucas frases em inglês – talvez por algum nervosismo –, Falcão limitou-se a chamar Chicago de “cidade linda” e agradecer a presença do público. Um intérprete foi chamado ao palco para anunciar tardiamente a banda e a canção “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)”. A partir daí, ficou claro que não era preciso nenhum tipo de diplomacia no idioma local para conquistar os norte-americanos presentes.
Apoiados por músicos extras, Xandão (guitarra), Lauro (baixo) e Lobato (teclados), apresentaram versões raivosas de “Hey Joe”, “Me Deixa” e “Lado B Lado A”. O único tropeço foi quando O Rappa se perdeu ao tocar uma versão bem improvisada de “Smoke On The Water”, do Deep Purple. Mas a brincadeira não apagou o brilho da apresentação e o grupo deixou o palco sob aplausos.
A receptividade do público local podia ser atestada também pelo Twitter: além dos brasileiros presentes elogiando o show, era possível acompanhar reações do público local, como “impossível não sacudir a cabeça ao ouvir O Rappa. Muita energia”. A revista Chicago Monthly não perdeu o bonde e cravou: “A atração mais impressionante do início da tarde: os brasileiros d’O Rappa, uma banda grande tanto em tamanho quanto em som”. Nada mal para uma “banda de guerreiros”, segundo o próprio Falcão.
Veja a banda tocando "Hey Joe" no festival:
Setlist
Reza Vela
Meu Mundo É O Barro
Homem Amarelo
O Salto
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Me Deixa
Hey Joe
Lado B Lado A
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Jack White revive músicas do White Stripes e fecha festival com maestria
*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.
“Como encerrar um festival que tem Black Sabbath e Red Hot Chili Peppers como headliners nas noites anteriores? No mínimo, você precisa de uma banda muito boa. Porque não duas?”. Deve ter sido mais ou menos assim que Jack White pensou quando foi escalado para fechar o Lollapalooza Chicago. Se não bastaria complementar o repertório de sua carreira solo com músicas do White Stripes, Raconteurs e Dead Weather, o guitarrista botou as suas duas excelentes bandas de apoio para arrebatar o público neste domingo (5).
Iniciando o show com Los Buzzardos, sua banda masculina que conta com Dominic Davis (baixo), Daru Jones (bateria), Fats Kaplin (pedal steel), Ikey Owens (teclados) e Cory Younts (vocais, violino e instrumentos adicionais), Jack White mergulhou fundo no repertório do White Stripes, optando por reinterpretar as canções com arranjos mais trabalhados. A suja e pesada “Dead Leaves and The Dirty Ground” ganhou uma versão orientada por um piano rock ‘n’ roll, surpreendendo a plateia. Em “Wasting My Time”, o guitarrista fez um duelo de solos marcante contra o violino de Younts.
O medley “Cannon/ Nitro/ John the Revelator” estampou vários sorrisos nos fãs do material inicial da finada dupla, e White aproveitou para fazer graça da tempestade que quase cancelou o festival na noite anterior. “Tivemos sorte que não choveu hoje, não?”
“Take Me With You When You Go” antecipou o momento de transição entre a primeira banda de apoio e as Peacocks (a banda feminina), com a participação da cantora Ruby Amanfu. Enquanto White dedilhava “Love Interruption” no violão, os roadies preparavam o palco para a segunda banda. Se o início do show com Los Buzzardos surpreendeu pela pegada forte dos músicos, o ritmo não poderia cair com as Peacocks. E Catherine Popper (baixo), Carla Azar (bateria), Lillie Mae Rische (multi-instrumentista), Brooke Waggoner (teclados) e Maggie Bjorklund (pedal steel) não deixaram por menos: em mais uma sequência de canções dos projetos anteriores de White, “Top Yourself”, “Blue Blood Blues” e “Ball and Biscuit” ganharam versões ainda mais afiadas que as originais, abusando de solos e improvisos.
White retornou ao palco para um bis cheio de hits: “Steady As She Goes” foi entoada pela plateia com a mesma exatidão de “The Hardest Button To Button”. “Freedom At 21” - uma das canções mais fortes da fase solo do guitarrista - foi tocada de maneira fiel à gravação original e deu lugar à saideira apoteótica com o maior hit do White Stripes: “Seven Nation Army”. O efeito foi tão brilhante que o público do Lollapalooza deixou o Grant Park entoando o riff da música em coro.
Setlist
Sixteen Saltines
Black Math (White Stripes)
Missing Pieces
Dead Leaves and the Dirty Ground (White Stripes)
Wasting My Time (White Stripes)
Hypocritical Kiss
Cannon/ Nitro/ John the Revelator (White Stripes)
The Same Boy You've Always Known (White Stripes)
Take Me With You When You Go
Love Interruption
Weep Themselves to Sleep
Hotel Yorba (White Stripes)
Top Yourself (Raconteurs)
Blue Blood Blues (Dead Weather)
Ball and Biscuit (White Stripes)
Bis
Steady As She Goes (Raconteurs)
The Hardest Button to Button (White Stripes)
Freedom At 21
Seven Nation Army (White Stripes)
“Como encerrar um festival que tem Black Sabbath e Red Hot Chili Peppers como headliners nas noites anteriores? No mínimo, você precisa de uma banda muito boa. Porque não duas?”. Deve ter sido mais ou menos assim que Jack White pensou quando foi escalado para fechar o Lollapalooza Chicago. Se não bastaria complementar o repertório de sua carreira solo com músicas do White Stripes, Raconteurs e Dead Weather, o guitarrista botou as suas duas excelentes bandas de apoio para arrebatar o público neste domingo (5).
Iniciando o show com Los Buzzardos, sua banda masculina que conta com Dominic Davis (baixo), Daru Jones (bateria), Fats Kaplin (pedal steel), Ikey Owens (teclados) e Cory Younts (vocais, violino e instrumentos adicionais), Jack White mergulhou fundo no repertório do White Stripes, optando por reinterpretar as canções com arranjos mais trabalhados. A suja e pesada “Dead Leaves and The Dirty Ground” ganhou uma versão orientada por um piano rock ‘n’ roll, surpreendendo a plateia. Em “Wasting My Time”, o guitarrista fez um duelo de solos marcante contra o violino de Younts.
O medley “Cannon/ Nitro/ John the Revelator” estampou vários sorrisos nos fãs do material inicial da finada dupla, e White aproveitou para fazer graça da tempestade que quase cancelou o festival na noite anterior. “Tivemos sorte que não choveu hoje, não?”
“Take Me With You When You Go” antecipou o momento de transição entre a primeira banda de apoio e as Peacocks (a banda feminina), com a participação da cantora Ruby Amanfu. Enquanto White dedilhava “Love Interruption” no violão, os roadies preparavam o palco para a segunda banda. Se o início do show com Los Buzzardos surpreendeu pela pegada forte dos músicos, o ritmo não poderia cair com as Peacocks. E Catherine Popper (baixo), Carla Azar (bateria), Lillie Mae Rische (multi-instrumentista), Brooke Waggoner (teclados) e Maggie Bjorklund (pedal steel) não deixaram por menos: em mais uma sequência de canções dos projetos anteriores de White, “Top Yourself”, “Blue Blood Blues” e “Ball and Biscuit” ganharam versões ainda mais afiadas que as originais, abusando de solos e improvisos.
White retornou ao palco para um bis cheio de hits: “Steady As She Goes” foi entoada pela plateia com a mesma exatidão de “The Hardest Button To Button”. “Freedom At 21” - uma das canções mais fortes da fase solo do guitarrista - foi tocada de maneira fiel à gravação original e deu lugar à saideira apoteótica com o maior hit do White Stripes: “Seven Nation Army”. O efeito foi tão brilhante que o público do Lollapalooza deixou o Grant Park entoando o riff da música em coro.
Setlist
Sixteen Saltines
Black Math (White Stripes)
Missing Pieces
Dead Leaves and the Dirty Ground (White Stripes)
Wasting My Time (White Stripes)
Hypocritical Kiss
Cannon/ Nitro/ John the Revelator (White Stripes)
The Same Boy You've Always Known (White Stripes)
Take Me With You When You Go
Love Interruption
Weep Themselves to Sleep
Hotel Yorba (White Stripes)
Top Yourself (Raconteurs)
Blue Blood Blues (Dead Weather)
Ball and Biscuit (White Stripes)
Bis
Steady As She Goes (Raconteurs)
The Hardest Button to Button (White Stripes)
Freedom At 21
Seven Nation Army (White Stripes)
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At The Drive-In sacia fãs saudosos no Red Bull Soundstage
*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.
Mais um fruto da recorrente ‘onda de turnês de reunião’ que virou moda entre bandas de décadas passadas, o At The Drive-In subiu ao Red Bull Stage neste domingo (5) para saciar a saudade de fãs antigos e, principalmente, a curiosidade daqueles que nunca viram o grupo ao vivo.
Depois de lançar o disco Relationship of Command - considerado um marco do post-hardcore - em 2000, o grupo encerrou as atividades um ano depois, cancelando a turnê de divulgação do trabalho e restringindo seu estouro no mainstream. Com o término, mais duas bandas foram originadas: o agressivo Sparta e o neo-progressivo The Mars Volta. Em janeiro deste ano, o grupo anunciou uma reunião para algumas datas, incluindo uma participação no festival Coachella, na qual seus integrantes pareceram um pouco desconfortáveis e desentrosados.
Para a sorte do público de Chicago, no Lollapalooza foi diferente. Cedric Bixler-Zavala (vocais), Omar Rodríguez-López (guitarra), Jim Ward (guitarra, teclados), Paul Hinojos (baixo) e Tony Hajjar (bateria) fizeram uma apresentação um pouco mais consistente e uma atitude mais relaxada no palco - com exceção de Omar, que se limitou ao canto esquerdo do palco, sem esboçar empolgação ou vontade de estar ali durante petardos como “Arcarsenal”, “Pattern Against User” e “Chanbara”.
A postura do guitarrista só confirma o que já havia dito em entrevistas sobre o retorno da banda: essa reunião do At The Drive-In é passageira e serve apenas para aproveitar o reconhecimento (leia-se grana) que a banda não obteve quando ainda estava na ativa. Por outro lado, Cedric deu um show à parte. Zavala não foi apenas um vocalista e sim um verdadeiro showman: em meio às canções, fazia piadas e provocava a plateia com suas estripulias no palco.
A capacidade de Cedric como entertainer foi colocada à prova quando problemas técnicos paralisaram o show por quase cinco minutos. Apostando no absurdo, o vocalista pediu para que o público jogasse coisas no palco e iniciou um monólogo estranho sobre chinelos. “O que estou procurando é parecido com Havaianas”, disse. Uma fã correu para lançar as suas no palco, mas Cedric respondeu, sarcástico: “por favor, não jogue seus chinelos prateados de hipster em mim. Não é desse tipo que estou falando. Eu quero daqueles chinelos que sua vovozinha faz para você”.
No final, Cedric encenou um diálogo com vozes estranhas para anunciar a faixa mais esperada da apresentação: “One Armed Scissor”. Ao fim da canção, a banda simplesmente deixou o palco sem dizer nada. Mas para os fãs que anos atrás sequer tinham esperança de ver o grupo ao vivo, não havia do que reclamar.
Setlist
Arcarsenal
Pattern Against User
Chanbara
Lopsided
Sleepwalk Capsules
Napoleon Solo
Quarantined
Enfilade
Pickpocket
Metronome Arthritis
Non-Zero Possibility
Catacombs
One Armed Scissor
Mais um fruto da recorrente ‘onda de turnês de reunião’ que virou moda entre bandas de décadas passadas, o At The Drive-In subiu ao Red Bull Stage neste domingo (5) para saciar a saudade de fãs antigos e, principalmente, a curiosidade daqueles que nunca viram o grupo ao vivo.
Depois de lançar o disco Relationship of Command - considerado um marco do post-hardcore - em 2000, o grupo encerrou as atividades um ano depois, cancelando a turnê de divulgação do trabalho e restringindo seu estouro no mainstream. Com o término, mais duas bandas foram originadas: o agressivo Sparta e o neo-progressivo The Mars Volta. Em janeiro deste ano, o grupo anunciou uma reunião para algumas datas, incluindo uma participação no festival Coachella, na qual seus integrantes pareceram um pouco desconfortáveis e desentrosados.
Para a sorte do público de Chicago, no Lollapalooza foi diferente. Cedric Bixler-Zavala (vocais), Omar Rodríguez-López (guitarra), Jim Ward (guitarra, teclados), Paul Hinojos (baixo) e Tony Hajjar (bateria) fizeram uma apresentação um pouco mais consistente e uma atitude mais relaxada no palco - com exceção de Omar, que se limitou ao canto esquerdo do palco, sem esboçar empolgação ou vontade de estar ali durante petardos como “Arcarsenal”, “Pattern Against User” e “Chanbara”.
A postura do guitarrista só confirma o que já havia dito em entrevistas sobre o retorno da banda: essa reunião do At The Drive-In é passageira e serve apenas para aproveitar o reconhecimento (leia-se grana) que a banda não obteve quando ainda estava na ativa. Por outro lado, Cedric deu um show à parte. Zavala não foi apenas um vocalista e sim um verdadeiro showman: em meio às canções, fazia piadas e provocava a plateia com suas estripulias no palco.
A capacidade de Cedric como entertainer foi colocada à prova quando problemas técnicos paralisaram o show por quase cinco minutos. Apostando no absurdo, o vocalista pediu para que o público jogasse coisas no palco e iniciou um monólogo estranho sobre chinelos. “O que estou procurando é parecido com Havaianas”, disse. Uma fã correu para lançar as suas no palco, mas Cedric respondeu, sarcástico: “por favor, não jogue seus chinelos prateados de hipster em mim. Não é desse tipo que estou falando. Eu quero daqueles chinelos que sua vovozinha faz para você”.
No final, Cedric encenou um diálogo com vozes estranhas para anunciar a faixa mais esperada da apresentação: “One Armed Scissor”. Ao fim da canção, a banda simplesmente deixou o palco sem dizer nada. Mas para os fãs que anos atrás sequer tinham esperança de ver o grupo ao vivo, não havia do que reclamar.
Setlist
Arcarsenal
Pattern Against User
Chanbara
Lopsided
Sleepwalk Capsules
Napoleon Solo
Quarantined
Enfilade
Pickpocket
Metronome Arthritis
Non-Zero Possibility
Catacombs
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Florence + The Machine deixa fãs em estado de graça no Lollapalooza
*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.
“Nós somos Florence + The Machine e nós queremos alguns sacrifícios humanos”. Com esta frase, Florence Welch desencadeou um dos momentos mais marcantes do Lollapalooza Chicago, neste domingo (5). Ao apresentar a música “Rabbit Heart (Raise It Up)”, a vocalista pediu aos fãs presentes que levantassem seus companheiros ou vizinhos nos ombros.
“Nós queremos seus corpos! Então se vocês estão agora com pessoas que gostam, amam ou apenas acabaram de conhecer, queremos que você as levante nos ombros”. Prontamente atendida por vários membros da plateia, a ruiva certamente se orgulhou da adoração quase religiosa por parte de seus admiradores.
Essa devoção não é por menos. Performática, Florence ressalta suas qualidades vocais fazendo trejeitos ensaiados de acordo com o andamento de suas músicas. Dois ventiladores colocados estrategicamente ao seu redor no palco fazem com que seu vestido se torne esvoaçante. Some isso a canções com crescendos propícios para o delírio da plateia e temos uma legião de fãs em estado de graça.
No repertório do show, a banda deu prioridade ao álbum mais recente, Ceremonials. Mas é claro que o hit “Dog Days Are Over” não ficou de fora. Tocada após “Shake It Out”, a música foi o ponto alto da apresentação, com centenas de fãs (a maioria do sexo feminino) batendo palmas de acordo com a canção.
Setlist
Only If for a Night
What the Water Gave Me
Cosmic Love
Rabbit Heart (Raise It Up)
Spectrum
Heartlines
Leave My Body
Breath Of Life
Shake It Out
Dog Days Are Over
Never Let Me Go
No Light, No Light
“Nós somos Florence + The Machine e nós queremos alguns sacrifícios humanos”. Com esta frase, Florence Welch desencadeou um dos momentos mais marcantes do Lollapalooza Chicago, neste domingo (5). Ao apresentar a música “Rabbit Heart (Raise It Up)”, a vocalista pediu aos fãs presentes que levantassem seus companheiros ou vizinhos nos ombros.
“Nós queremos seus corpos! Então se vocês estão agora com pessoas que gostam, amam ou apenas acabaram de conhecer, queremos que você as levante nos ombros”. Prontamente atendida por vários membros da plateia, a ruiva certamente se orgulhou da adoração quase religiosa por parte de seus admiradores.
Essa devoção não é por menos. Performática, Florence ressalta suas qualidades vocais fazendo trejeitos ensaiados de acordo com o andamento de suas músicas. Dois ventiladores colocados estrategicamente ao seu redor no palco fazem com que seu vestido se torne esvoaçante. Some isso a canções com crescendos propícios para o delírio da plateia e temos uma legião de fãs em estado de graça.
No repertório do show, a banda deu prioridade ao álbum mais recente, Ceremonials. Mas é claro que o hit “Dog Days Are Over” não ficou de fora. Tocada após “Shake It Out”, a música foi o ponto alto da apresentação, com centenas de fãs (a maioria do sexo feminino) batendo palmas de acordo com a canção.
Setlist
Only If for a Night
What the Water Gave Me
Cosmic Love
Rabbit Heart (Raise It Up)
Spectrum
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Leave My Body
Breath Of Life
Shake It Out
Dog Days Are Over
Never Let Me Go
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domingo, 5 de agosto de 2012
Sem muito esforço, Franz Ferdinand bota público para dançar
*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.
Os escoceses do Franz Ferdinand subiram ao palco Bud Light do Lollapalooza Chicago no último sábado (4) para exercer sua especialidade: botar o povo pra dançar. Alex Kapranos (vocais e guitarra), Bob Hardy (baixo), Nick McCarthy (guitarra e teclados) e Paul Thomson (bateria) apresentaram um repertório que mesclou composições inéditas com sucessos da carreira da banda.
O grupo começou seu set com a já clássica “The Dark of the Matinée”, com Kapranos injetando uma boa dose de empolgação no público. O resultado foi instantâneo e os fãs responderam dançando até mesmo nos momentos menos propícios para balançar o corpo, como “Walk Away”.
Depois de ter ganho a plateia sem muito esforço, o grupo emendou uma composição nova chamada “Right Thoughts! Right Words! Right Action!”, que seria percebida por um espectador desavisado como mais um hit da banda. Depois de apostar em mais uma favorita dos fãs, com “Michael”, o Franz Ferdinand resolveu brindar os presentes com mais uma música inédita: “ Scarlet Blue”. Ambas as canções devem ser incluídas no próximo disco do grupo, ainda sem data certa de lançamento.
“Do You Want To” veio em seguida, atraindo o público que se deslocava dos outros palcos ao redor do Bud Light. “Can’t Stop Feeling” preparou o terreno para que o Franz desferisse seu maior trunfo: o sucesso “Take Me Out”. Mas apesar das alegres coreografias empreendidas pelos espectadores no gramado do Lollapalooza, Bob Hardy mantinha um olhar indiferente, quase como se transparecesse cansaço em tocar a música pela milésima vez.
O grupo deixou para o final o já tradicional momento em “Outsiders”, no qual todos os membros se juntam ao baterista para uma extensa exibição percussiva. Para arrematar, a banda tirou da manga mais um hit: “This Fire”. Foi o golpe de misericórdia para a plateia, que com certeza saiu dali com algumas calorias a menos.
Setlist
The Dark of the Matinée
No You Girls
Walk Away
Right Thoughts! Right Words! Right Action!
Michael
Scarlet Blue
Do You Want To
Can't Stop Feeling
Take Me Out
Ulysses
Outsiders
This Fire
Os escoceses do Franz Ferdinand subiram ao palco Bud Light do Lollapalooza Chicago no último sábado (4) para exercer sua especialidade: botar o povo pra dançar. Alex Kapranos (vocais e guitarra), Bob Hardy (baixo), Nick McCarthy (guitarra e teclados) e Paul Thomson (bateria) apresentaram um repertório que mesclou composições inéditas com sucessos da carreira da banda.
O grupo começou seu set com a já clássica “The Dark of the Matinée”, com Kapranos injetando uma boa dose de empolgação no público. O resultado foi instantâneo e os fãs responderam dançando até mesmo nos momentos menos propícios para balançar o corpo, como “Walk Away”.
Depois de ter ganho a plateia sem muito esforço, o grupo emendou uma composição nova chamada “Right Thoughts! Right Words! Right Action!”, que seria percebida por um espectador desavisado como mais um hit da banda. Depois de apostar em mais uma favorita dos fãs, com “Michael”, o Franz Ferdinand resolveu brindar os presentes com mais uma música inédita: “ Scarlet Blue”. Ambas as canções devem ser incluídas no próximo disco do grupo, ainda sem data certa de lançamento.
“Do You Want To” veio em seguida, atraindo o público que se deslocava dos outros palcos ao redor do Bud Light. “Can’t Stop Feeling” preparou o terreno para que o Franz desferisse seu maior trunfo: o sucesso “Take Me Out”. Mas apesar das alegres coreografias empreendidas pelos espectadores no gramado do Lollapalooza, Bob Hardy mantinha um olhar indiferente, quase como se transparecesse cansaço em tocar a música pela milésima vez.
O grupo deixou para o final o já tradicional momento em “Outsiders”, no qual todos os membros se juntam ao baterista para uma extensa exibição percussiva. Para arrematar, a banda tirou da manga mais um hit: “This Fire”. Foi o golpe de misericórdia para a plateia, que com certeza saiu dali com algumas calorias a menos.
Setlist
The Dark of the Matinée
No You Girls
Walk Away
Right Thoughts! Right Words! Right Action!
Michael
Scarlet Blue
Do You Want To
Can't Stop Feeling
Take Me Out
Ulysses
Outsiders
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Red Hot Chili Peppers encerra dia problemático do Lollapalooza com belo show
*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.
“Pessoal, isso é sério: vamos ter que fechar o festival e evacuar o parque”. Esse foi um dos vários avisos que surgiram nos microfones dos palcos do Lollapalooza Chicago, no último sábado (4). A previsão do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) de que uma forte tempestade estava para acontecer na região do Grant Park deixou os organizadores do evento em estado de alerta, colocando em xeque os shows principais daquela noite. Mas cinco horas depois, o Red Hot Chili Peppers estava no palco fazendo o show que pode ter registrado o maior público desta edição do festival.
Anthony Kiedis e Flea, respectivamente vocalista e baixista considerados o núcleo da banda, são calejados em histórias de superação pessoal: problemas familiares, luta contra vícios e a perda de Hillel Slovak (o primeiro guitarrista dos Chili Peppers, falecido em 1988). Com um currículo desses, a tarefa de eclipsar a confusão ocorrida à tarde e fechar o segundo dia do Lollapalooza com chave de ouro fica fácil.
Em sua terceira participação no festival (o grupo já tocou nas edições de 1992 e 2006), o Chili Peppers começou com a barulhenta “Monarchy of Roses”, faixa de abertura do disco mais recente, I’m With You. Mas foi a partir de “Around The World” que a apresentação esquentou de verdade, com várias pessoas trocando os beats eletrônicos do palco Perry pelos slaps de Flea no baixo. A migração de público continuou durante “Snow ((Hey Oh))” e terminou a tempo de “Otherside” ser recebida com empolgação pela plateia, que cantava a letra a em uníssono. Nem mesmo um pequeno erro de Anthony Kiedis na transição do verso para o refrão atrapalhou o coro dos fãs.
“Look Around” veio para trocar o ‘momento karaokê’ do show por uma cadência um pouco mais dançante, que teve seu auge depois de um longo improviso que serviu como introdução para “Can’t Stop”. O grupo só foi recorrer a composições mais antigas depois de uma versão estendida de “If You Have to Ask”, que foi recebida de maneira morna em relação ao catálogo recente. Essa diferença na receptividade do repertório também ficou clara durante “Suck My Kiss”, que gerou comoção somente nos membros mais velhos da plateia. Até mesmo o clássico “Under The Bridge” não foi entoado pelo público com a mesma força de hits como “Californication” e “By the Way”. Pelo visto, os Chili Peppers envelhecem, mas seu séquito se renova cada vez mais.
Com uma rápida pausa e retorno para o bis com “Brendan's Death Song” a estrela de Josh Klinghoffer pode ser notada com mais intensidade. Guitarrista melódico que também sabe encaixar boas doses de barulho em seus solos, Klinghoffer se revelou uma escolha certeira depois que John Frusciante deixou o grupo. Com ele, Flea e o baterista Chad Smith passaram a improvisar mais ao vivo (prática que ocorreu diversas vezes no palco) e Kiedis encontrou um backing vocal mais presente.
Em seguida veio o ritmo frenético de “Give it Away” e com ela um momento de catarse de Flea. “Muito obrigado, nós amamos vocês. Apreciem a música ao vivo, nunca a deixem morrer”. Depois de um show desses, será que precisava pedir?
Setlist
Monarchy of Roses
Around the World
Snow ((Hey Oh))
Otherside
Look Around
Throw Away Your Television
Can't Stop
If You Have to Ask
The Adventures of Rain Dance Maggie
Suck My Kiss
Under the Bridge
Goodbye Hooray
Californication
By the Way
Bis
Brendan's Death Song
Give It Away
“Pessoal, isso é sério: vamos ter que fechar o festival e evacuar o parque”. Esse foi um dos vários avisos que surgiram nos microfones dos palcos do Lollapalooza Chicago, no último sábado (4). A previsão do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) de que uma forte tempestade estava para acontecer na região do Grant Park deixou os organizadores do evento em estado de alerta, colocando em xeque os shows principais daquela noite. Mas cinco horas depois, o Red Hot Chili Peppers estava no palco fazendo o show que pode ter registrado o maior público desta edição do festival.
Anthony Kiedis e Flea, respectivamente vocalista e baixista considerados o núcleo da banda, são calejados em histórias de superação pessoal: problemas familiares, luta contra vícios e a perda de Hillel Slovak (o primeiro guitarrista dos Chili Peppers, falecido em 1988). Com um currículo desses, a tarefa de eclipsar a confusão ocorrida à tarde e fechar o segundo dia do Lollapalooza com chave de ouro fica fácil.
Em sua terceira participação no festival (o grupo já tocou nas edições de 1992 e 2006), o Chili Peppers começou com a barulhenta “Monarchy of Roses”, faixa de abertura do disco mais recente, I’m With You. Mas foi a partir de “Around The World” que a apresentação esquentou de verdade, com várias pessoas trocando os beats eletrônicos do palco Perry pelos slaps de Flea no baixo. A migração de público continuou durante “Snow ((Hey Oh))” e terminou a tempo de “Otherside” ser recebida com empolgação pela plateia, que cantava a letra a em uníssono. Nem mesmo um pequeno erro de Anthony Kiedis na transição do verso para o refrão atrapalhou o coro dos fãs.
“Look Around” veio para trocar o ‘momento karaokê’ do show por uma cadência um pouco mais dançante, que teve seu auge depois de um longo improviso que serviu como introdução para “Can’t Stop”. O grupo só foi recorrer a composições mais antigas depois de uma versão estendida de “If You Have to Ask”, que foi recebida de maneira morna em relação ao catálogo recente. Essa diferença na receptividade do repertório também ficou clara durante “Suck My Kiss”, que gerou comoção somente nos membros mais velhos da plateia. Até mesmo o clássico “Under The Bridge” não foi entoado pelo público com a mesma força de hits como “Californication” e “By the Way”. Pelo visto, os Chili Peppers envelhecem, mas seu séquito se renova cada vez mais.
Com uma rápida pausa e retorno para o bis com “Brendan's Death Song” a estrela de Josh Klinghoffer pode ser notada com mais intensidade. Guitarrista melódico que também sabe encaixar boas doses de barulho em seus solos, Klinghoffer se revelou uma escolha certeira depois que John Frusciante deixou o grupo. Com ele, Flea e o baterista Chad Smith passaram a improvisar mais ao vivo (prática que ocorreu diversas vezes no palco) e Kiedis encontrou um backing vocal mais presente.
Em seguida veio o ritmo frenético de “Give it Away” e com ela um momento de catarse de Flea. “Muito obrigado, nós amamos vocês. Apreciem a música ao vivo, nunca a deixem morrer”. Depois de um show desses, será que precisava pedir?
Setlist
Monarchy of Roses
Around the World
Snow ((Hey Oh))
Otherside
Look Around
Throw Away Your Television
Can't Stop
If You Have to Ask
The Adventures of Rain Dance Maggie
Suck My Kiss
Under the Bridge
Goodbye Hooray
Californication
By the Way
Bis
Brendan's Death Song
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sábado, 4 de agosto de 2012
O Rappa conquista público do Lollapalooza Chicago
*Resenha originalmente publicada no Portal Vírgula.
O Rappa fez bonito em sua apresentação no Lollapalooza Chicago, nesta sexta-feira (3). Com a tarefa difícil de abrir as atividades do palco Bud Light às 12h45, o grupo não se intimidou com o sol forte que castigava o Grant Park e justificou o convite feito por Perry Farrell (idealizador do festival) para tocar no evento com uma apresentação vigorosa.
Bem mais à vontade com os fãs brasileiros que estavam próximos à grade, Falcão arriscou poucas frases em inglês - “beautiful city” e “thank you”, por exemplo - e convocou um intérprete para anunciar “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)” como a música cujo clipe faturou alguns prêmios na MTV Brasil.
Mas o vocalista não precisou ir muito além no idioma local para conquistar o público norte-americano. Contando com alguns músicos de apoio afiados, Xandão (guitarra), Lauro (baixo) e Lobato (teclados) apresentaram versões enérgicas de “Hey Joe”, “Me Deixa” e “Lado B Lado A”.
Percebendo a boa receptividade da plateia geral com a mistura de reggae, rock e hip hop do grupo, O Rappa se soltou ao ponto de arriscar uma versão bem improvisada da clássica “Smoke On The Water” do Deep Purple. Brincadeiras desnecessárias à parte, a banda encerrou sua apresentação visivelmente emocionada com os aplausos conquistados fora de sua terra natal.
Setlist
Reza Vela
Meu Mundo É O Barro
Homem Amarelo
O Salto
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Me Deixa
Hey Joe
Lado B Lado A
O Rappa fez bonito em sua apresentação no Lollapalooza Chicago, nesta sexta-feira (3). Com a tarefa difícil de abrir as atividades do palco Bud Light às 12h45, o grupo não se intimidou com o sol forte que castigava o Grant Park e justificou o convite feito por Perry Farrell (idealizador do festival) para tocar no evento com uma apresentação vigorosa.
Bem mais à vontade com os fãs brasileiros que estavam próximos à grade, Falcão arriscou poucas frases em inglês - “beautiful city” e “thank you”, por exemplo - e convocou um intérprete para anunciar “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)” como a música cujo clipe faturou alguns prêmios na MTV Brasil.
Mas o vocalista não precisou ir muito além no idioma local para conquistar o público norte-americano. Contando com alguns músicos de apoio afiados, Xandão (guitarra), Lauro (baixo) e Lobato (teclados) apresentaram versões enérgicas de “Hey Joe”, “Me Deixa” e “Lado B Lado A”.
Percebendo a boa receptividade da plateia geral com a mistura de reggae, rock e hip hop do grupo, O Rappa se soltou ao ponto de arriscar uma versão bem improvisada da clássica “Smoke On The Water” do Deep Purple. Brincadeiras desnecessárias à parte, a banda encerrou sua apresentação visivelmente emocionada com os aplausos conquistados fora de sua terra natal.
Setlist
Reza Vela
Meu Mundo É O Barro
Homem Amarelo
O Salto
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Me Deixa
Hey Joe
Lado B Lado A
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Filho do beatle George Harrison traz banda experimental ao palco BMI
*Resenha originalmente publicada no Portal Vírgula.
Dhani Harrison, o filho do eterno quiet beatle George, se apresentou no Lollapalooza Chicago nesta sexta (3). À frente do projeto thenewno2, Harrison mesclou efeitos de sintetizadores e loops eletrônicos com instrumentos de sonoridades mais tradicionais, como teclados, ukulele e - é claro - a guitarra.
Tocando para uma plateia formada mais por fãs de seu pai do que por seu trabalho, Dhani não demonstrou interesse em ser um frontman, limitando-se a fazer poucos comentários entre as canções. Além da notável semelhança física com o pai, o músico parece ter herdado também a discrição.
Thenewno2 passa longe do espírito dos Fab Four, concentrando-se no repertório de seus dois discos - You Are Here e o recém-lançado Thefearofmissingout -, ambos recheados de experimentalismos que vão de ritmos simples e repetitivos a sons que remetem aos momentos mais eletrônicos do Radiohead. Mas ao vivo as composições abrem caminho a pequenos improvisos entre músicas com bases de sintetizadores e instrumentos acústicos.
Quem foi ao BMI com a esperança de ouvir canções dos Beatles não poderia estar mais perdido. Mas quem foi de cabeça aberta para novos sons, descobriu que Dhani se importa pouco em corresponder expectativas equivocadas em torno de sua carreira musical.
Dhani Harrison, o filho do eterno quiet beatle George, se apresentou no Lollapalooza Chicago nesta sexta (3). À frente do projeto thenewno2, Harrison mesclou efeitos de sintetizadores e loops eletrônicos com instrumentos de sonoridades mais tradicionais, como teclados, ukulele e - é claro - a guitarra.
Tocando para uma plateia formada mais por fãs de seu pai do que por seu trabalho, Dhani não demonstrou interesse em ser um frontman, limitando-se a fazer poucos comentários entre as canções. Além da notável semelhança física com o pai, o músico parece ter herdado também a discrição.
Thenewno2 passa longe do espírito dos Fab Four, concentrando-se no repertório de seus dois discos - You Are Here e o recém-lançado Thefearofmissingout -, ambos recheados de experimentalismos que vão de ritmos simples e repetitivos a sons que remetem aos momentos mais eletrônicos do Radiohead. Mas ao vivo as composições abrem caminho a pequenos improvisos entre músicas com bases de sintetizadores e instrumentos acústicos.
Quem foi ao BMI com a esperança de ouvir canções dos Beatles não poderia estar mais perdido. Mas quem foi de cabeça aberta para novos sons, descobriu que Dhani se importa pouco em corresponder expectativas equivocadas em torno de sua carreira musical.
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Black Sabbath embala famílias em primeira noite do Lollapalooza
*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.
Uma banda considerada “satânica” em seus primórdios servindo de trilha sonora para uma diversão familiar. Parece estranho, certo? Mas foi exatamente isso que o Black Sabbath fez na noite desta sexta-feira (3), ao encerrar o primeiro dia do Festival Lollapalooza em Chicago.
Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo) subiram ao palco sua única apresentação na América este ano para entreter uma plateia diversificada: de fãs que os acompanhavam desde o começo da banda, no fim dos anos 60, passando por jovens moderninhos com óculos coloridos e pais com seus filhos menores. E o grupo inglês provou que ainda está à altura de todo esse fascínio que exerce no público desde que começou a tocar notas distorcidas com uma bela dose de temas obscuros.
Não é à toa que a banda iniciou o show com a faixa homônima, “Black Sabbath”. Nem mesmo o resquícios da luz do dia conseguiram atrapalhar o clima sombrio da canção, realçados por uma chama infernal que era transmitida no telão principal do palco. “The Wizard” veio na sequência, com Ozzy arriscando tocar gaita para puxar os riffs de Iommy que mais se aproximam das raízes do blues. “Behind the Wall of Sleep” antecedeu o momento de glória de Geezer Butller, com o seu clássico solo introdutório de “N.I.B”.
Ozzy obviamente já não é mais o mesmo: o vocalista não alcança mais os altos tons de antigamente - ele chegou a desafinar ligeiramente em “Into the Sun” e de maneira absurda em “Snowblind”, além de deixar perceber um vocal pré-gravado para reforçar algumas partes de “War Pigs” -, mas o forte de Osbourne nunca foi a técnica, e sim a empolgação no palco. E essa parte o madman não deixou de corresponder às expectativas dos fãs, que respondiam com a disposição de um exército aos comandos “vamos lá, batam palmas” e “eu não consigo ouvir vocês”.
Por mais que Ozzy ganhe a fama de roqueiro indestrutível por todo o seu histórico com drogas pesadas, Tony Iommi é o membro do Sabbath que traduz fielmente a descrição de “Iron Man”: depois de ter sua carreira como guitarrista ameaçada por um acidente que decepou parte de seus dedos médio e anelar da mão direita, Iommi desenvolveu dedais caseiros com ligas de couro e reaprendeu a tocar o instrumento, tornando-se um dos maiores expoentes da guitarra no mundo do rock pesado. No final do ano passado, mais um empecilho; Iommi foi diagnosticado com linfoma em estágio inicial e os planos para uma turnê mundial da nova reunião da formação clássica da banda foram adiados. Mas no palco, o guitarrista continua afiado e técnico como sempre, esboçando sorrisos tímidos que às vezes até transparecem algum tipo de constrangimento com a devoção dos fãs.
E a parte mais polêmica da recente volta do Sabbath também não fez feio: o baterista contratado Tommy Clufetos obviamente nunca substituirá a importância histórica de Bill Ward nas duas baquetas, mas o rapaz (nascido em 79, mesmo ano em que o grupo gravou o último disco de estúdio com sua formação original) justificou seu posto com um agressivo e impressionante solo de bateria após uma versão instrumental de “Symptom of the Universe”. Mas o público pareceu mais entretido com as bizarras participações de duas senhoras voluntárias do festival, que na metade final do show surgiram no canto esquerdo do palco para mesclar coreografias de air guitar com linguagem de sinais para surdo-mudo.
A banda se despediu do palco com “Children of the Grave”, apenas para retornar em seguida para o bis, com Ozzy atiçando a plateia ao perguntar “vocês querem mais uma?”. O grupo emendou a introdução de “Sabbath Bloody Sabbath” apenas para disfarçar a inevitável saideira, com “Paranoid”.
Setlist
Black Sabbath
The Wizard
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
Into the Void
Under the Sun
Snowblind
War Pigs
Electric Funeral
Sweet Leaf/ Symptom of the Universe (instrumental)
Solo de bateria
Iron Man
Fairies Wear Boots
Dirty Women
Children of the Grave
Bis
Paranoid
Uma banda considerada “satânica” em seus primórdios servindo de trilha sonora para uma diversão familiar. Parece estranho, certo? Mas foi exatamente isso que o Black Sabbath fez na noite desta sexta-feira (3), ao encerrar o primeiro dia do Festival Lollapalooza em Chicago.
Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo) subiram ao palco sua única apresentação na América este ano para entreter uma plateia diversificada: de fãs que os acompanhavam desde o começo da banda, no fim dos anos 60, passando por jovens moderninhos com óculos coloridos e pais com seus filhos menores. E o grupo inglês provou que ainda está à altura de todo esse fascínio que exerce no público desde que começou a tocar notas distorcidas com uma bela dose de temas obscuros.
Não é à toa que a banda iniciou o show com a faixa homônima, “Black Sabbath”. Nem mesmo o resquícios da luz do dia conseguiram atrapalhar o clima sombrio da canção, realçados por uma chama infernal que era transmitida no telão principal do palco. “The Wizard” veio na sequência, com Ozzy arriscando tocar gaita para puxar os riffs de Iommy que mais se aproximam das raízes do blues. “Behind the Wall of Sleep” antecedeu o momento de glória de Geezer Butller, com o seu clássico solo introdutório de “N.I.B”.
Ozzy obviamente já não é mais o mesmo: o vocalista não alcança mais os altos tons de antigamente - ele chegou a desafinar ligeiramente em “Into the Sun” e de maneira absurda em “Snowblind”, além de deixar perceber um vocal pré-gravado para reforçar algumas partes de “War Pigs” -, mas o forte de Osbourne nunca foi a técnica, e sim a empolgação no palco. E essa parte o madman não deixou de corresponder às expectativas dos fãs, que respondiam com a disposição de um exército aos comandos “vamos lá, batam palmas” e “eu não consigo ouvir vocês”.
Por mais que Ozzy ganhe a fama de roqueiro indestrutível por todo o seu histórico com drogas pesadas, Tony Iommi é o membro do Sabbath que traduz fielmente a descrição de “Iron Man”: depois de ter sua carreira como guitarrista ameaçada por um acidente que decepou parte de seus dedos médio e anelar da mão direita, Iommi desenvolveu dedais caseiros com ligas de couro e reaprendeu a tocar o instrumento, tornando-se um dos maiores expoentes da guitarra no mundo do rock pesado. No final do ano passado, mais um empecilho; Iommi foi diagnosticado com linfoma em estágio inicial e os planos para uma turnê mundial da nova reunião da formação clássica da banda foram adiados. Mas no palco, o guitarrista continua afiado e técnico como sempre, esboçando sorrisos tímidos que às vezes até transparecem algum tipo de constrangimento com a devoção dos fãs.
E a parte mais polêmica da recente volta do Sabbath também não fez feio: o baterista contratado Tommy Clufetos obviamente nunca substituirá a importância histórica de Bill Ward nas duas baquetas, mas o rapaz (nascido em 79, mesmo ano em que o grupo gravou o último disco de estúdio com sua formação original) justificou seu posto com um agressivo e impressionante solo de bateria após uma versão instrumental de “Symptom of the Universe”. Mas o público pareceu mais entretido com as bizarras participações de duas senhoras voluntárias do festival, que na metade final do show surgiram no canto esquerdo do palco para mesclar coreografias de air guitar com linguagem de sinais para surdo-mudo.
A banda se despediu do palco com “Children of the Grave”, apenas para retornar em seguida para o bis, com Ozzy atiçando a plateia ao perguntar “vocês querem mais uma?”. O grupo emendou a introdução de “Sabbath Bloody Sabbath” apenas para disfarçar a inevitável saideira, com “Paranoid”.
Setlist
Black Sabbath
The Wizard
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
Into the Void
Under the Sun
Snowblind
War Pigs
Electric Funeral
Sweet Leaf/ Symptom of the Universe (instrumental)
Solo de bateria
Iron Man
Fairies Wear Boots
Dirty Women
Children of the Grave
Bis
Paranoid
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domingo, 22 de julho de 2012
'Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge' costura trilogia no cinema
Excesso de personagens compromete narrativa, mas Christopher Nolan se despede da franquia com méritos.
*Resenha originalmente publicada no Yahoo! OMG!.
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) é sem dúvida um dos filmes mais esperados do ano. Com estreia prevista no Brasil nesta sexta-feira (27), o último capítulo da saga do herói dos quadrinhos tem direção de Christopher Nolan e desperta ansiedade não somente por ser o desfecho da trama, mas também pela inevitável pergunta: é possível superar o filme anterior, o aclamado O Cavaleiro das Trevas?
Antes de responder a essa questão, é preciso entender o fascínio que os últimos filmes do homem-morcego exercem sobre o público. Nolan assumiu a responsabilidade de dirigir o herói no cinema com Batman Begins (2005), apresentando as origens do mascarado de forma sombria e melancólica, varrendo para baixo do tapete as adaptações anteriores assinadas por Tim Burton e Joel Schumacher, consideradas exageradas (tanto pelo público quanto pela crítica). Em O Cavaleiro das Trevas (2008), a nova franquia alcançou seu auge com um Coringa carismático retratado por Heath Ledger - interpretação que lhe rendeu um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante em 2008.
O trabalho de Ledger como o palhaço psicopata conquistou ainda mais admiradores para a saga de Batman e inspirou reações violentas: em uma pré-estreia de O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Colorado, nos Estados Unidos, um atirador matou 12 pessoas e feriu outras 59, afirmando ser o Coringa. Além da tragédia, a repercussão do novo filme fez com que críticos de sites como o Rotten Tomatoes recebessem ameaças de morte - mesmo que o site tenha apontado 87% de aprovação para o filme. Segundo notícia da Folha de São Paulo, assim que opiniões desfavoráveis foram postadas no portal, quase 500 respostas como "morra queimado" e "queria colocá-lo em coma ao bater em você com uma mangueira de borracha" inundaram a página, fazendo com que o editor-chefe do site, Matt Atchity, retirasse a opção de comentários sobre o filme.
Com tantas expectativas pesando em suas costas, Nolan tentou costurar a conclusão da história buscando referências das obras anteriores e com um roteiro abarrotado de personagens: um Batman/Bruce Wayne (Christian Bale) que se manteve recluso em sua mansão por oito anos após os eventos do filme anterior, o vilão musculoso Bane (Tom Hardy), que ameaça a polícia de Gotham City com o discurso revolucionário de entregar o poder às mãos do povo, a ladra profissional Selina Kyle (Anne Hathaway) e o obstinado policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), além da presença do sempre ótimo Michael Cane como Alfred, o eterno apoio de Bruce Wayne.
Indo na contramão de outros blockbusters inspirados em heróis dos quadrinhos, Nolan deixa as cenas de ação em segundo plano, favorecendo os dramas e superações pessoais dos coadjuvantes (não apenas do próprio Batman). Assim, o diretor acaba testando o limite da atenção do público com uma narrativa arrastada e tensa, que se estende por quase três horas.
Bane propositalmente não é um inimigo carismático como o Coringa. Brutal e astuto, o vilão usa uma máscara que faz sua voz soar assustadora e por vezes pouco compreensível, o que causa incômodo e dificulta ainda mais a conexão com o público no início. A Selina Kyle de Anne Hathaway é menos fetichista que a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno (1992), porém, é claro que Nolan não se esqueceu de incluir ângulos de câmera com visões certeiras dos glúteos da atriz - mesma técnica utilizada com Scarlett Johansson em Avengers. De todas as novas personagens, Selina é a que menos ganha espaço para explicação de suas origens e motivos, sendo simplesmente colocada como uma ladra esperta com talentos marciais. Entretanto, nas cenas de ação ela supre - e muito bem - a ausência de um Robin e acaba revelando-se uma peça importante para o desfecho do filme.
Mesmo com o excesso de subtramas que podem não favorecer o ritmo do filme para alguns espectadores, O Cavaleiro das Trevas Ressurge já valeria a pena pelas características tradicionais das obras de Christopher Nolan: a bela fotografia, realçada pela trilha sonora usada em momentos-chave, além de reviravoltas desconcertantes (e outras quase previsíveis) na história. Ainda que o derradeiro capítulo da franquia do morcego não supere o requinte do segundo filme, com certeza não faltarão legiões de fãs para prestigiá-lo.
*Resenha originalmente publicada no Yahoo! OMG!.
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) é sem dúvida um dos filmes mais esperados do ano. Com estreia prevista no Brasil nesta sexta-feira (27), o último capítulo da saga do herói dos quadrinhos tem direção de Christopher Nolan e desperta ansiedade não somente por ser o desfecho da trama, mas também pela inevitável pergunta: é possível superar o filme anterior, o aclamado O Cavaleiro das Trevas?
Antes de responder a essa questão, é preciso entender o fascínio que os últimos filmes do homem-morcego exercem sobre o público. Nolan assumiu a responsabilidade de dirigir o herói no cinema com Batman Begins (2005), apresentando as origens do mascarado de forma sombria e melancólica, varrendo para baixo do tapete as adaptações anteriores assinadas por Tim Burton e Joel Schumacher, consideradas exageradas (tanto pelo público quanto pela crítica). Em O Cavaleiro das Trevas (2008), a nova franquia alcançou seu auge com um Coringa carismático retratado por Heath Ledger - interpretação que lhe rendeu um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante em 2008.
O trabalho de Ledger como o palhaço psicopata conquistou ainda mais admiradores para a saga de Batman e inspirou reações violentas: em uma pré-estreia de O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Colorado, nos Estados Unidos, um atirador matou 12 pessoas e feriu outras 59, afirmando ser o Coringa. Além da tragédia, a repercussão do novo filme fez com que críticos de sites como o Rotten Tomatoes recebessem ameaças de morte - mesmo que o site tenha apontado 87% de aprovação para o filme. Segundo notícia da Folha de São Paulo, assim que opiniões desfavoráveis foram postadas no portal, quase 500 respostas como "morra queimado" e "queria colocá-lo em coma ao bater em você com uma mangueira de borracha" inundaram a página, fazendo com que o editor-chefe do site, Matt Atchity, retirasse a opção de comentários sobre o filme.
Com tantas expectativas pesando em suas costas, Nolan tentou costurar a conclusão da história buscando referências das obras anteriores e com um roteiro abarrotado de personagens: um Batman/Bruce Wayne (Christian Bale) que se manteve recluso em sua mansão por oito anos após os eventos do filme anterior, o vilão musculoso Bane (Tom Hardy), que ameaça a polícia de Gotham City com o discurso revolucionário de entregar o poder às mãos do povo, a ladra profissional Selina Kyle (Anne Hathaway) e o obstinado policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), além da presença do sempre ótimo Michael Cane como Alfred, o eterno apoio de Bruce Wayne.
Indo na contramão de outros blockbusters inspirados em heróis dos quadrinhos, Nolan deixa as cenas de ação em segundo plano, favorecendo os dramas e superações pessoais dos coadjuvantes (não apenas do próprio Batman). Assim, o diretor acaba testando o limite da atenção do público com uma narrativa arrastada e tensa, que se estende por quase três horas.
Bane propositalmente não é um inimigo carismático como o Coringa. Brutal e astuto, o vilão usa uma máscara que faz sua voz soar assustadora e por vezes pouco compreensível, o que causa incômodo e dificulta ainda mais a conexão com o público no início. A Selina Kyle de Anne Hathaway é menos fetichista que a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno (1992), porém, é claro que Nolan não se esqueceu de incluir ângulos de câmera com visões certeiras dos glúteos da atriz - mesma técnica utilizada com Scarlett Johansson em Avengers. De todas as novas personagens, Selina é a que menos ganha espaço para explicação de suas origens e motivos, sendo simplesmente colocada como uma ladra esperta com talentos marciais. Entretanto, nas cenas de ação ela supre - e muito bem - a ausência de um Robin e acaba revelando-se uma peça importante para o desfecho do filme.
Mesmo com o excesso de subtramas que podem não favorecer o ritmo do filme para alguns espectadores, O Cavaleiro das Trevas Ressurge já valeria a pena pelas características tradicionais das obras de Christopher Nolan: a bela fotografia, realçada pela trilha sonora usada em momentos-chave, além de reviravoltas desconcertantes (e outras quase previsíveis) na história. Ainda que o derradeiro capítulo da franquia do morcego não supere o requinte do segundo filme, com certeza não faltarão legiões de fãs para prestigiá-lo.
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Down, Sleep, Saint Vitus, Church of Misery, Witch Mountain e Atlas Moth no Scion Rock Fest, em Tampa
*Matéria originalmente publicada no site Tenho Mais Discos Que Amigos.
Imagine um festival de metal com 26 bandas espalhadas entre quatro casas de shows a poucos quarteirões de distância. Agora, adicione mais um importante detalhe: totalmente gratuito. Esse foi o Scion Rock Fest 2012, que aconteceu no dia 2 de junho, em Tampa (Flórida). Uma iniciativa da Scion Audio/Visual – um dos braços da esperta divisão de marketing da multinacional automobilística Toyota Motor Corporation – , a quarta edição do festival reuniu grandes nomes da cena metálica como Down, Exodus, Repulsion, Origin, Suffocation, bandas influentes como Sleep e Saint Vitus e mais novas que têm chamado atenção, como Atlas Moth, Witch Mountain e All Pigs Must Die.
Como não seria possível conferir todas as atrações espalhadas pelos quatro palcos, preferi dar prioridade às bandas que tocariam no Ritz Ybor: Atlas Moth, Witch Mountain, Church of Misery, Saint Vitus, Sleep e Down – todas geralmente associadas aos rótulos sludge, stoner e doom. Considerando a massa de pessoas acumulada na porta antes da abertura da casa, não dava pra pensar duas vezes e o melhor era pegar seu lugar na fila sem pestanejar. Apesar do frenesi acerca do início do festival, a entrada no Ritz Ybor foi tranquila e sem problemas com seguranças.
Atlas Moth
O Atlas Moth subiu no palco com a complicada tarefa de iniciar os trabalhos do dia. A banda sofreu um pouco com um som mal equalizado; os vocais de Stavros Giannopoulos e os teclados ocasionais do guitarrista Andrew Ragin ficaram em segundo plano no começo do show, provavelmente por conta do peso do ataque de três guitarras (sendo uma delas barítono). Mas, ao longo da performance, os problemas foram sanados e o Atlas Moth pôde mostrar um peso suingado em "Perpetual Generations" e os detalhes melódicos de "Your Calm Waters" com perfeição.
Witch Mountain
O Witch Mountain veio em seguida, capitaneado pela carismática e afinada vocalista Uta Plotkin. O guitarrista Rob Wrong fazia jus à sua tatuagem de Jimi Hendrix no braço esquerdo, destilando solos que alternavam modulações psicodélicas em seu pedal wah-wah com o peso característico do doom metal. O baixista Neal Munson também desempenhava suas funções com maestria, mantendo as bases nas linhas de baixo enquanto Wrong tinha seus momentos de virtuose.
O elo mais fraco da banda parecia ser o baterista Nate Carson, que optava por ritmos simples e se mostrava um pouco perdido em músicas com andamento mais acelerado. Ainda assim, sua técnica limitada não comprometeu petardos como "Beekeeper" e "Wing of the Lord", e o Witch Mountain saiu ovacionado do palco.
Church Of Misery
Envoltos por uma atmosfera setentista, os japoneses do Church of Misery apareceram para fazer uma zoeira dos diabos. O vocalista Hideki Fukasawa e o guitarrista Tom Sutton pareciam ter saído de uma banda tributo ao Led Zeppelin, vestidos com calças boca de sino e investindo numa presença de palco que mesclava aparência hippie com gritos guturais narrando temas sobre serial killers. A multidão respondia às doses cavalares de riffs pesados com um fluxo constante de pogos e crowd surfing.
Com um cenário desses, não demorou muito para que Hideki se jogasse na plateia. Como um verdadeiro showman, o vocalista incitou a reação cada vez mais violenta do público, caiu várias vezes do palco, mas continuou cantando como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, o baixista Tatsu Mikami se mantinha à esquerda do palco com seu baixo Rickenbacker na altura dos joelhos, solando com um wah wah na tradição sabbathiana de Geezer Butler no clássico "N.I.B.".
Saint Vitus
Parecia difícil para os veteranos do Saint Vitus superar a anarquia empreendida pelo Church of Misery. A banda do guitarrista Dave Chandler e do baixista Mark Adams não possui um grau alto de primor técnico; seu som básico, arrastado e repetitivo poderia ser facilmente comparado a um Ramones tocando Black Sabbath.
Mas isso conferiu um forte status cult ao grupo, sendo creditado como um dos precursores do Doom Metal. Apesar de ter iniciado seu show de maneira tímida – contrastando diretamente com os excessos mostrados pela banda anterior – o Saint Vitus garantiu a empolgação dos membros do Down nos cantos do palco, que cantavam as canções a plenos pulmões, contagiando a plateia. Passando por alguns problemas técnicos com sua guitarra, Chandler ficou visivelmente nervoso, e se isso seria motivo para estragar o show, mas o efeito foi justamente o inverso.
O guitarrista ficou cada vez mais possesso durante as execuções das músicas e o jogo virou para o Saint Vitus, com "Look Behind You" e "Windowpaine" ganhando versões aceleradas próprias para o mosh pit. O vocalista Scott Weinrich permanecia quase impassível a tudo isso e limitava-se a fazer cara de durão e cantar, escorado no pedestal do microfone no centro do palco. Mas Chandler dava um show à parte; no final de "Born Too Late", o guitarrista desceu do palco e foi até o público, colocando a guitarra à disposição de quem quisesse fazer barulho.
Sleep
Logo após o fim do show do Saint Vitus, uma grande massa de pessoas começou a tomar o Ritz Ybor para ver o show do Sleep. Considerado um dos grandes nomes do chamado stoner metal, o trio é formado atualmente por Al Cisneros (baixo e vocal), Matt Pike (guitarra) e Jason Roeder (bateria). Quando Pike apareceu no palco explorando as reverberações de sua guitarra distorcida, o público assistia a tudo de boca aberta. Assim que os riffs de "Dopesmoker" começaram a ser dedilhados, focos de fumaça brotavam de vários cantos da plateia.
Quando Cisneros e Roeder se juntaram ao guitarrista na execução do épico stoner de quase uma hora de duração, a multidão passou a responder com crowd surfings cada vez mais intensos, dando ainda mais trabalho aos seguranças da casa que o show do Church of Misery. Os três músicos mal olhavam para o que acontecia fora do palco, perdidos entre a combinação de notas graves sustentadas até o limite do suportável por Pike (que mais parecia um chefe índio no palco, iluminado pela luz vermelha intensa), amparada por um baixo pulsante e uma bateria lenta e quebrada.
Quem não estava preocupado em pogar com o restante da plateia, estava em transe com as reverberações que emanavam dos amplificadores Orange. No fim do show, Phil Anselmo (vocalista do Down) saiu de seu esconderijo ao lado da bateria e apareceu no palco com um bolo de aniversário, fazendo o público cantar parabéns para Matt Pike.
Down
Escalados para fechar a noite, o Down já sairia ovacionado do Ritz Ybor até mesmo se resolvesse focar seu set list em um repertório duvidoso como pagodes clássicos dos anos 90. Egressos de grandes bandas metaleiras como Pantera, Crowbar, Corrosion of Conformity e EyeHateGod, Phil Anselmo, Pepper Keenan, Kirk Windstein, Pat Bruders e Jimmy Bower surgiram no palco apresentados por Dave Chandler (Saint Vitus) emendando uma introdução barulhenta com "Lysergik Funeral Procession".
Alternando momentos de puro peso com conversas descompromissadas e recheadas de palavrões com o público, Anselmo parecia seguir à risca os dizeres 'Classic, not classy', estampado nas costas de sua camiseta surrada, que também trazia o logo de sua gravadora independente (Housecore Records). O set list não foi muito diferente do apresentado no show do SWU em Paulínia, no ano passado: grande parte do repertório era de faixas do célebre primeiro disco, NOLA, com exceção de algumas canções do segundo álbum, A Bustle in Your Hedgerow, e uma composição ainda inédita: "The Misfortune Teller", devidamente bem-recebida pelos fãs durante o bis.
Se o bolo-surpresa no fim do set do Sleep entregava o clima de camaradagem entre as bandas, ele foi escancarado durante o final da apresentação do Down. Enquanto finalizava "Bury Me in Smoke", Anselmo e companhia convidaram os membros e roadies das bandas que assistiam ao concerto dos bastidores para assumir os instrumentos, trocando de posições aos poucos e sem deixar a música parar. À medida que a canção era esticada para além de dez minutos, era possível ver membros do Down, Atlas Moth, Origin, Saint Vitus, Church of Misery e Sleep confraternizando no palco, envoltos em puro barulho. Um belo desfecho porrada para um festival caracterizado pela celebração do som pesado.
Mais vídeos do Scion Rock Fest aqui.
Imagine um festival de metal com 26 bandas espalhadas entre quatro casas de shows a poucos quarteirões de distância. Agora, adicione mais um importante detalhe: totalmente gratuito. Esse foi o Scion Rock Fest 2012, que aconteceu no dia 2 de junho, em Tampa (Flórida). Uma iniciativa da Scion Audio/Visual – um dos braços da esperta divisão de marketing da multinacional automobilística Toyota Motor Corporation – , a quarta edição do festival reuniu grandes nomes da cena metálica como Down, Exodus, Repulsion, Origin, Suffocation, bandas influentes como Sleep e Saint Vitus e mais novas que têm chamado atenção, como Atlas Moth, Witch Mountain e All Pigs Must Die.
Como não seria possível conferir todas as atrações espalhadas pelos quatro palcos, preferi dar prioridade às bandas que tocariam no Ritz Ybor: Atlas Moth, Witch Mountain, Church of Misery, Saint Vitus, Sleep e Down – todas geralmente associadas aos rótulos sludge, stoner e doom. Considerando a massa de pessoas acumulada na porta antes da abertura da casa, não dava pra pensar duas vezes e o melhor era pegar seu lugar na fila sem pestanejar. Apesar do frenesi acerca do início do festival, a entrada no Ritz Ybor foi tranquila e sem problemas com seguranças.
Atlas Moth
O Atlas Moth subiu no palco com a complicada tarefa de iniciar os trabalhos do dia. A banda sofreu um pouco com um som mal equalizado; os vocais de Stavros Giannopoulos e os teclados ocasionais do guitarrista Andrew Ragin ficaram em segundo plano no começo do show, provavelmente por conta do peso do ataque de três guitarras (sendo uma delas barítono). Mas, ao longo da performance, os problemas foram sanados e o Atlas Moth pôde mostrar um peso suingado em "Perpetual Generations" e os detalhes melódicos de "Your Calm Waters" com perfeição.
Witch Mountain
O Witch Mountain veio em seguida, capitaneado pela carismática e afinada vocalista Uta Plotkin. O guitarrista Rob Wrong fazia jus à sua tatuagem de Jimi Hendrix no braço esquerdo, destilando solos que alternavam modulações psicodélicas em seu pedal wah-wah com o peso característico do doom metal. O baixista Neal Munson também desempenhava suas funções com maestria, mantendo as bases nas linhas de baixo enquanto Wrong tinha seus momentos de virtuose.
O elo mais fraco da banda parecia ser o baterista Nate Carson, que optava por ritmos simples e se mostrava um pouco perdido em músicas com andamento mais acelerado. Ainda assim, sua técnica limitada não comprometeu petardos como "Beekeeper" e "Wing of the Lord", e o Witch Mountain saiu ovacionado do palco.
Church Of Misery
Envoltos por uma atmosfera setentista, os japoneses do Church of Misery apareceram para fazer uma zoeira dos diabos. O vocalista Hideki Fukasawa e o guitarrista Tom Sutton pareciam ter saído de uma banda tributo ao Led Zeppelin, vestidos com calças boca de sino e investindo numa presença de palco que mesclava aparência hippie com gritos guturais narrando temas sobre serial killers. A multidão respondia às doses cavalares de riffs pesados com um fluxo constante de pogos e crowd surfing.
Com um cenário desses, não demorou muito para que Hideki se jogasse na plateia. Como um verdadeiro showman, o vocalista incitou a reação cada vez mais violenta do público, caiu várias vezes do palco, mas continuou cantando como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, o baixista Tatsu Mikami se mantinha à esquerda do palco com seu baixo Rickenbacker na altura dos joelhos, solando com um wah wah na tradição sabbathiana de Geezer Butler no clássico "N.I.B.".
Saint Vitus
Parecia difícil para os veteranos do Saint Vitus superar a anarquia empreendida pelo Church of Misery. A banda do guitarrista Dave Chandler e do baixista Mark Adams não possui um grau alto de primor técnico; seu som básico, arrastado e repetitivo poderia ser facilmente comparado a um Ramones tocando Black Sabbath.
Mas isso conferiu um forte status cult ao grupo, sendo creditado como um dos precursores do Doom Metal. Apesar de ter iniciado seu show de maneira tímida – contrastando diretamente com os excessos mostrados pela banda anterior – o Saint Vitus garantiu a empolgação dos membros do Down nos cantos do palco, que cantavam as canções a plenos pulmões, contagiando a plateia. Passando por alguns problemas técnicos com sua guitarra, Chandler ficou visivelmente nervoso, e se isso seria motivo para estragar o show, mas o efeito foi justamente o inverso.
O guitarrista ficou cada vez mais possesso durante as execuções das músicas e o jogo virou para o Saint Vitus, com "Look Behind You" e "Windowpaine" ganhando versões aceleradas próprias para o mosh pit. O vocalista Scott Weinrich permanecia quase impassível a tudo isso e limitava-se a fazer cara de durão e cantar, escorado no pedestal do microfone no centro do palco. Mas Chandler dava um show à parte; no final de "Born Too Late", o guitarrista desceu do palco e foi até o público, colocando a guitarra à disposição de quem quisesse fazer barulho.
Sleep
Logo após o fim do show do Saint Vitus, uma grande massa de pessoas começou a tomar o Ritz Ybor para ver o show do Sleep. Considerado um dos grandes nomes do chamado stoner metal, o trio é formado atualmente por Al Cisneros (baixo e vocal), Matt Pike (guitarra) e Jason Roeder (bateria). Quando Pike apareceu no palco explorando as reverberações de sua guitarra distorcida, o público assistia a tudo de boca aberta. Assim que os riffs de "Dopesmoker" começaram a ser dedilhados, focos de fumaça brotavam de vários cantos da plateia.
Quando Cisneros e Roeder se juntaram ao guitarrista na execução do épico stoner de quase uma hora de duração, a multidão passou a responder com crowd surfings cada vez mais intensos, dando ainda mais trabalho aos seguranças da casa que o show do Church of Misery. Os três músicos mal olhavam para o que acontecia fora do palco, perdidos entre a combinação de notas graves sustentadas até o limite do suportável por Pike (que mais parecia um chefe índio no palco, iluminado pela luz vermelha intensa), amparada por um baixo pulsante e uma bateria lenta e quebrada.
Quem não estava preocupado em pogar com o restante da plateia, estava em transe com as reverberações que emanavam dos amplificadores Orange. No fim do show, Phil Anselmo (vocalista do Down) saiu de seu esconderijo ao lado da bateria e apareceu no palco com um bolo de aniversário, fazendo o público cantar parabéns para Matt Pike.
Down
Escalados para fechar a noite, o Down já sairia ovacionado do Ritz Ybor até mesmo se resolvesse focar seu set list em um repertório duvidoso como pagodes clássicos dos anos 90. Egressos de grandes bandas metaleiras como Pantera, Crowbar, Corrosion of Conformity e EyeHateGod, Phil Anselmo, Pepper Keenan, Kirk Windstein, Pat Bruders e Jimmy Bower surgiram no palco apresentados por Dave Chandler (Saint Vitus) emendando uma introdução barulhenta com "Lysergik Funeral Procession".
Alternando momentos de puro peso com conversas descompromissadas e recheadas de palavrões com o público, Anselmo parecia seguir à risca os dizeres 'Classic, not classy', estampado nas costas de sua camiseta surrada, que também trazia o logo de sua gravadora independente (Housecore Records). O set list não foi muito diferente do apresentado no show do SWU em Paulínia, no ano passado: grande parte do repertório era de faixas do célebre primeiro disco, NOLA, com exceção de algumas canções do segundo álbum, A Bustle in Your Hedgerow, e uma composição ainda inédita: "The Misfortune Teller", devidamente bem-recebida pelos fãs durante o bis.
Se o bolo-surpresa no fim do set do Sleep entregava o clima de camaradagem entre as bandas, ele foi escancarado durante o final da apresentação do Down. Enquanto finalizava "Bury Me in Smoke", Anselmo e companhia convidaram os membros e roadies das bandas que assistiam ao concerto dos bastidores para assumir os instrumentos, trocando de posições aos poucos e sem deixar a música parar. À medida que a canção era esticada para além de dez minutos, era possível ver membros do Down, Atlas Moth, Origin, Saint Vitus, Church of Misery e Sleep confraternizando no palco, envoltos em puro barulho. Um belo desfecho porrada para um festival caracterizado pela celebração do som pesado.
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quarta-feira, 13 de junho de 2012
Puscifer no Olympia Theater, em Miami

Alguma vez já foi a um concerto sem esperar muita coisa e ele acabou sendo um dos melhores shows que você já viu? Foi justamente essa sensação que tive ontem, quando resolvi checar a apresentação do Puscifer no Olympia Theater, aqui em Miami. Já fui grande admirador das principais bandas do vocalista Maynard James Keenan - Tool e A Perfect Circle -, mas nunca liguei muito para o Puscifer. Talvez porque minha primeira impressão do projeto tenha sido a satírica "Cuntry Boner", e por causa dela fiquei com a ideia de que o grupo fosse apenas uma piada em formato de banda, mais ou menos nos moldes do Sebastião Estiva. Mas assim que soube do show na cidade, ouvi os discos com calma e percebi que não era exatamente isso. Apesar de ter gostado bastante do álbum mais recente, Conditions of My Parole, não tinha criado muita expectativa para ver ao vivo. Mas meio que para 'cumprir tabela', acabei comprando o ingresso uma semana antes do show.
Como a equipe do Olympia Theater já estava barrando qualquer pessoa que chegasse com câmeras na entrada, resolvi simplesmente assistir à apresentação como telespectador e não como jornalista – coisa que eu não fazia há algum tempo. Ver o show sem a preocupação de fazer anotações, tirar fotos boas ou fazer vídeos acabou sendo a melhor coisa possível, pois acabei descobrindo que o aspecto visual do Puscifer não devia nada a espetáculos como o do Radiohead e do próprio Tool. Ao vivo, dá para perceber que este não é um projeto paralelo qualquer; o Puscifer é a faceta artística de Keenan elevada até as últimas consequências, misturando música, humor, atuação, sacadas inteligentes e referências obscuras com um apelo visual impressionante.
A apresentação começa com um mockumentary de cerca de 20 minutos sobre uma banda fictícia de punk rock country, liderada pelo alcoólatra Billy D (o próprio Maynard, de peruca, bigode, óculos e forçando sotaque do Arizona) e Hildy (a atriz Laura Milligan, também fazendo uma caipira no melhor estilo Dolly Parton). Com o fim do filme, Maynard reaparece no telão encarnando um novo personagem: o canastrão Major Dufresne. Ao final de um discurso conservador caricato, o major reitera que não seria permitido gravar ou tirar fotos da apresentação. Sim senhor...
Vestido com um sobretudo de couro preto e um chapéu branco de caubói, o vocalista surge no palco, puxando sozinho um daqueles típicos trailers americanos. Ao estacioná-lo do lado esquerdo do palco, o Keenan começou a recitar um monólogo que versava sobre sustentabilidade, arte e pensamento livre (calma, não deu tempo de ser chato). Enquanto falava, Maynard retirava algumas peças do trailer e montava sozinho o cenário no palco, usando cadeiras, mesas de piquenique e uma churrasqueira com uma chama falsa. Ele então convocou Carina Round, que apareceu com figuras de papelão em tamanho real da Princesa Leia de Star Wars e de Popcorn Sutton (um falecido contrabandista de bebidas, famoso por sempre escapar das autoridades). O toque final da preparação foi uma garrafa de vinho – provavelmente da marca Caduceus, produzido pela adega do próprio Maynard -, servido em taças que ficaram à disposição de outros membros da banda – o baixista Matt McJunkins, o guitarrista Mat Mitchell e o tecladista Josh Eustis -, convidados ao palco para formar um "círculo hippie", pelas palavras do próprio cantor.
Talvez a única semelhança do seu papel no Tool foi que Maynard também optou por não ser um frontman ao pé da letra; Keenan se limitava a ficar ao fundo, na parte escura do palco, entre Carina Round e a plataforma do baterista Jeff Freidl. Ao iniciar o show com a singela "Green Valley", Maynard e Carina formavam uma bela dupla de vocalistas, cantando harmonias e alternando danças que tinham alguma coreografia, e bem estranha. Em alguns momentos, visivelmente empolgada pela música, Carina tirava os sapatos de salto, esticava as pernas e se abaixava em um misto de movimentos sensuais e espasmódicos, sem se preocupar se seu vestido revelava mais do que deveria. Ainda assim, ela não expressava vulgaridade ao dançar músicas sugestivas como "Vagina Mine", "Dozo" e "Toma"; Carina parecia estar em pleno transe com os ritmos e nuances desenvolvidas ao redor.
O telão simples no fundo do palco provou ser uma peça importante do show, mostrando pequenas vinhetas satíricas entre os números e reforçando os climas das canções. Em "Oceans", o telão protagonizou um dos momentos mais bonitos da apresentação. Com quase todas as luzes do palco apagadas, a tela recebeu total destaque enquanto mostrava imagens sincronizadas com o andamento e efeitos eletrônicos da música. A mesma química se repetiu durante "Monsoons" e "Horizons", e em seguida o Puscifer assumiu sua faceta mais roqueira, com o semihit "Conditions of My Parole". Depois de intercalar suspense e peso com "Man Overboard", a banda chegou ao fim do show com versões matadoras de "Telling Ghosts" e "The Undertaker", deixando o público boquiaberto.
Mas a noite ainda contou com um bis. "Isso é o que fazemos ao invés de deixar o palco", disse Maynard, sentando na mesa de piquenique com o resto da banda, enquanto servia mais taças de vinho. "Somos preguiçosos demais para sair e fazer uma volta triunfal. Finjam que saímos do palco e não estamos aqui. Voltaremos quando vocês aplaudirem bastante". A plateia, lógico, respondeu à altura, e Carina Round pegou um banjo para puxar a saideira. "Tumbleweed" veio simples e acústica, acompanhada por três violões. Era isso: um show que atingiu proporções gigantescas minutos atrás chegava ao desfecho com uma despedida intimista e pé no chão.
*todas as imagens por Sayre Berman retiradas daqui. As fotos não fazem jus ao espetáculo visual do show, mas sempre tem algum ninja que consegue gravar alguma coisa com o celular. Vasculhando no youtube, achei esse vídeo de uma outra apresentação do Puscifer e coloco aqui para dar uma ideia do drama:
Setlist
The Green Valley
Tiny Monsters
Vagina Mine
Dozo
Toma
The Rapture (Fear is a Mind Killa Mix)
The Weaver
Rev 22:20
Potions
Momma Sed
Oceans
Monsoons
Horizons
Conditions of My Parole
Man Overboard
Telling Ghosts
The Undertaker
Bis:
Tumbleweed
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
Chris Cornell resgata pérolas do Temple of The Dog em turnê acústica
*Resenha originalmente publicada no Urbanaque.
O trabalho do vocalista e compositor Chris Cornell pode ser dividido em ao menos duas fases: a de ouro, à frente do Soundgarden e do projeto Temple of the Dog, na qual o artista compôs grandes clássicos dos anos 90 durante os momentos mais negros de suas experiências com drogas e depressão; e a fase comercial, na qual Cornell parece se esforçar para superar a imagem de rockstar mórbido, sucumbido às facilidades de se aceitar como um símbolo sexual e buscar seu lugar no mainstream com melodias radiofônicas melosas. Pois bem; foi por cultivar um grande apreço e saudosismo pela primeira fase que este que vos escreve foi ao show do artista no Fillmore, em Miami Beach, no último dia 16.
Para minha sorte, tudo indica que Cornell está bastante interessado em fazer as pazes com suas origens: em 2010, o vocalista anunciou o retorno do Soundgarden aos palcos, com um novo álbum previsto para lançamento ainda em 2012. E em suas turnês acústicas como artista solo, Cornell apresenta um repertório bem democrático, tocando canções de todas as suas fases, mas favorecendo os apreciadores de seus trabalhos mais antigos. Desta forma, fica fácil para o vocalista conquistar o público – seja pela força de seu repertório ou pelos fãs saudosistas que o circundam.
A fixação de parte do público do Fillmore pelo período noventista do cantor já ficou evidente no início da apresentação; uma fã na primeira fileira chamou a atenção de Cornell, ao oferecer um presente inusitado: uma bermuda branca customizada, com "Say Hello 2 Heaven" escrita em cores berrantes, além de um boné branco. Sensibilizado, o artista aceitou os presentes, rasgando elogios ("isso que é um boné de verdade, e não aquelas coisas que servem para você fazer propaganda de times da NBA") e prometeu realizar o pedido da fã mais tarde. Mas mal terminada a execução de "Can’t Change Me", Cornell já iniciou os acordes que desembocariam em uma sequência matadora de músicas do Temple of The Dog: "Say Hello 2 Heaven", "Wooden Jesus", "All Night Thing" e o hit "Hunger Strike". Durante estas quatro músicas, Cornell desencadeou o momento mais emocionante daquela noite, devidamente acompanhado pelo coro da plateia.
Depois do momento revival, o vocalista comentou que, chegando ao camarim naquela noite, encontrou um bilhete de um certo Ronnie, com um pedido: subir ao palco para pedir sua namorada em casamento. Cornell então recebeu seu 'velho amigo Ronnie' e passou o microfone para que o fã fizesse a declaração. Grávida, a mais nova noiva do pedaço aceitou o pedido e subiu ao palco. O casal, perdido entre beijos e abraços, saiu de cena em meio a brincadeiras de Cornell. "Crianças, lembrem-se: sexo somente depois do casamento. Jesus está vendo. Ele não tem nada melhor pra fazer mesmo". E como que para destoar totalmente do romantismo que se formou ali minutos antes, emendou "Fell On Black Days" do Soundgarden. Ainda no anticlímax da declaração de amor, veio "Burden In My Hand". Não é sempre que se pode ouvir frases tão embebidas de desilusão como "o medo é forte e o amor é para todos exceto eu" e "eu atirei no meu amor hoje, você choraria para mim?" após um pedido de casamento…
Reforçando ainda mais o clima nostálgico, Cornell relembrou "Seasons", da trilha do filme Singles (Vida de Solteiro, no Brasil), comédia romântica famosa por retratar a Seattle em plena era grunge. Após apresentar "Sunshower" – seu primeiro esforço solo após o fim do Soundgarden, que também virou trilha do filme Grandes Esperanças -, Cornell anunciou que faria algo diferente: apontou para uma vitrola à sua direita no palco e disse que tocaria um disco com uma gravação de um piano de calda, inspirada no take que a falecida amiga Natasha Shneider gravou para seu primeiro disco solo. E assim veio "When I’m Down", sem acompanhamento no violão, com o artista concentrando-se exclusivamente em sua apresentação vocal. E se seu desempenho não foi impecável em relação à versão de estúdio, ao menos foi o momento no qual sua voz mais brilhou naquela noite. O setlist ainda trazia uma surpresa para os verdadeiros fãs da fase antiga de Cornell. Ao enfim puxar a Fender Telecaster que descansava silenciosa à sua esquerda desde o início da apresentação, Cornell explicou: "escrevi essa música durante as gravações de Badmotorfinger, e como eu a compus em uma afinação muito diferente, era difícil de tocá-la nos shows do Soundgarden. Não tínhamos muitas guitarras disponíveis". Em seguida, iniciou as notas da improvável "Mind Riot".
O pessoal que estava carente de hits do repertório do Audioslave também foi prontamente atendido: "I Am The Highway" e "Doesn’t Remind Me" surgiram coladas e terminaram o set principal, com o vocalista saindo do palco ovacionado. Cornell ainda retornou para o bis, tocando sua versão do clássico "Billie Jean" e uma insossa canção nova intitulada “Roads We Choose”. Se o público se mostrou alheio à novidade, se rendeu em seguida com uma "Like A Stone" cantada em uníssono pelos presentes. O cover de Led Zeppelin, "Thank You", passou despercebido para dar lugar ao maior hit do Soundgarden, "Black Hole Sun" e o final, com uma versão desnecessária da piegas "Imagine", o clássico de John Lennon. Mas exageros à parte, a escolha do setlist pareceu destinada a arrebatar até mesmo o fã mais chato e exigente da noite – este vos escreve.
Setlist
Scar on the Sky
As Hope and Promise Fade
Ground Zero
Be Yourself
Can't Change Me
Say Hello 2 Heaven
Wooden Jesus
All Night Thing
Hunger Strike
Fell on Black Days
Burden in My Hand
Seasons
Sunshower
When I'm Down
Mind Riot
I Am the Highway
Doesn't Remind Me
Bis:
Billie Jean
Roads We Choose
Like a Stone
Thank You
Black Hole Sun
Imagine
O trabalho do vocalista e compositor Chris Cornell pode ser dividido em ao menos duas fases: a de ouro, à frente do Soundgarden e do projeto Temple of the Dog, na qual o artista compôs grandes clássicos dos anos 90 durante os momentos mais negros de suas experiências com drogas e depressão; e a fase comercial, na qual Cornell parece se esforçar para superar a imagem de rockstar mórbido, sucumbido às facilidades de se aceitar como um símbolo sexual e buscar seu lugar no mainstream com melodias radiofônicas melosas. Pois bem; foi por cultivar um grande apreço e saudosismo pela primeira fase que este que vos escreve foi ao show do artista no Fillmore, em Miami Beach, no último dia 16.
Para minha sorte, tudo indica que Cornell está bastante interessado em fazer as pazes com suas origens: em 2010, o vocalista anunciou o retorno do Soundgarden aos palcos, com um novo álbum previsto para lançamento ainda em 2012. E em suas turnês acústicas como artista solo, Cornell apresenta um repertório bem democrático, tocando canções de todas as suas fases, mas favorecendo os apreciadores de seus trabalhos mais antigos. Desta forma, fica fácil para o vocalista conquistar o público – seja pela força de seu repertório ou pelos fãs saudosistas que o circundam.
A fixação de parte do público do Fillmore pelo período noventista do cantor já ficou evidente no início da apresentação; uma fã na primeira fileira chamou a atenção de Cornell, ao oferecer um presente inusitado: uma bermuda branca customizada, com "Say Hello 2 Heaven" escrita em cores berrantes, além de um boné branco. Sensibilizado, o artista aceitou os presentes, rasgando elogios ("isso que é um boné de verdade, e não aquelas coisas que servem para você fazer propaganda de times da NBA") e prometeu realizar o pedido da fã mais tarde. Mas mal terminada a execução de "Can’t Change Me", Cornell já iniciou os acordes que desembocariam em uma sequência matadora de músicas do Temple of The Dog: "Say Hello 2 Heaven", "Wooden Jesus", "All Night Thing" e o hit "Hunger Strike". Durante estas quatro músicas, Cornell desencadeou o momento mais emocionante daquela noite, devidamente acompanhado pelo coro da plateia.
Depois do momento revival, o vocalista comentou que, chegando ao camarim naquela noite, encontrou um bilhete de um certo Ronnie, com um pedido: subir ao palco para pedir sua namorada em casamento. Cornell então recebeu seu 'velho amigo Ronnie' e passou o microfone para que o fã fizesse a declaração. Grávida, a mais nova noiva do pedaço aceitou o pedido e subiu ao palco. O casal, perdido entre beijos e abraços, saiu de cena em meio a brincadeiras de Cornell. "Crianças, lembrem-se: sexo somente depois do casamento. Jesus está vendo. Ele não tem nada melhor pra fazer mesmo". E como que para destoar totalmente do romantismo que se formou ali minutos antes, emendou "Fell On Black Days" do Soundgarden. Ainda no anticlímax da declaração de amor, veio "Burden In My Hand". Não é sempre que se pode ouvir frases tão embebidas de desilusão como "o medo é forte e o amor é para todos exceto eu" e "eu atirei no meu amor hoje, você choraria para mim?" após um pedido de casamento…
Reforçando ainda mais o clima nostálgico, Cornell relembrou "Seasons", da trilha do filme Singles (Vida de Solteiro, no Brasil), comédia romântica famosa por retratar a Seattle em plena era grunge. Após apresentar "Sunshower" – seu primeiro esforço solo após o fim do Soundgarden, que também virou trilha do filme Grandes Esperanças -, Cornell anunciou que faria algo diferente: apontou para uma vitrola à sua direita no palco e disse que tocaria um disco com uma gravação de um piano de calda, inspirada no take que a falecida amiga Natasha Shneider gravou para seu primeiro disco solo. E assim veio "When I’m Down", sem acompanhamento no violão, com o artista concentrando-se exclusivamente em sua apresentação vocal. E se seu desempenho não foi impecável em relação à versão de estúdio, ao menos foi o momento no qual sua voz mais brilhou naquela noite. O setlist ainda trazia uma surpresa para os verdadeiros fãs da fase antiga de Cornell. Ao enfim puxar a Fender Telecaster que descansava silenciosa à sua esquerda desde o início da apresentação, Cornell explicou: "escrevi essa música durante as gravações de Badmotorfinger, e como eu a compus em uma afinação muito diferente, era difícil de tocá-la nos shows do Soundgarden. Não tínhamos muitas guitarras disponíveis". Em seguida, iniciou as notas da improvável "Mind Riot".
O pessoal que estava carente de hits do repertório do Audioslave também foi prontamente atendido: "I Am The Highway" e "Doesn’t Remind Me" surgiram coladas e terminaram o set principal, com o vocalista saindo do palco ovacionado. Cornell ainda retornou para o bis, tocando sua versão do clássico "Billie Jean" e uma insossa canção nova intitulada “Roads We Choose”. Se o público se mostrou alheio à novidade, se rendeu em seguida com uma "Like A Stone" cantada em uníssono pelos presentes. O cover de Led Zeppelin, "Thank You", passou despercebido para dar lugar ao maior hit do Soundgarden, "Black Hole Sun" e o final, com uma versão desnecessária da piegas "Imagine", o clássico de John Lennon. Mas exageros à parte, a escolha do setlist pareceu destinada a arrebatar até mesmo o fã mais chato e exigente da noite – este vos escreve.
Setlist
Scar on the Sky
As Hope and Promise Fade
Ground Zero
Be Yourself
Can't Change Me
Say Hello 2 Heaven
Wooden Jesus
All Night Thing
Hunger Strike
Fell on Black Days
Burden in My Hand
Seasons
Sunshower
When I'm Down
Mind Riot
I Am the Highway
Doesn't Remind Me
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Billie Jean
Roads We Choose
Like a Stone
Thank You
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terça-feira, 22 de maio de 2012
Wilco em Miami Beach: da leveza carismática à explosão noise
*Resenha originalmente publicada no Urbanaque.
Em mais uma data da turnê The Whole Love, o Wilco aportou em Miami na noite de terça-feira, 15, no Fillmore Miami Beach. Apesar de ser considerado um dos poucos nomes significativos do rock alternativo incluídos no mainstream – com reconhecimento atestado com prêmios no Grammy – os ingressos para o concerto não estavam esgotados. Mas se os bons refrãos de Jeff Tweedy e companhia não garantiram uma casa cheia, ao menos atraíram o interesse de várias faixas etárias: o público presente se estendia de jovens de 17 anos até quarentões.
O show teve abertura do Purling Hiss, um trio de Filadélfia com forte influência de guitar bands dos anos 90. Os músicos subiram ao palco às 20h03 e despejaram doses cavalares de rock e solos à la J Mascis (Dinosaur Jr), ao longo de um repertório curto de apenas sete músicas. Apesar de sabotados pelo som extremamente mal regulado – a bateria diminuta montada em frente à aparelhagem do Wilco não era microfonada e o vocal de Mike Polizze era totalmente encoberto pelo som de sua guitarra – a banda arrancou aplausos moderados da plateia.
Às 21h01 o Wilco surgiu timidamente no palco. Optando por um início mais introspectivo, o sexteto abriu o show com "One Sunday Morning", a faixa derradeira de seu álbum mais recente. Enquanto Jeff Tweedy dedilhava calmamente as notas no violão, acompanhado com parcimônia pelo guitarrista Nels Cline e Pat Sansone nos teclados, as luzes e projeções no palco reforçavam o tom sublime da canção. Totalmente desvinculada de imediatismo, "Poor Places" veio em seguida, exigindo dos expectadores uma cumplicidade silenciosa. O público se manteve quieto e assistia a tudo em clima de absoluta contemplação.
"Art of Almost" surgiu como o crescendo da apresentação, recheada de efeitos eletrônicos discretos que foram sumindo ao passo que a guitarra de Nels Cline foi tomando mais espaço até culminar em uma explosão noise. Não satisfeito em fazer uso dos efeitos dos dez pedais aos seus pés, Cline também abusou de um pequeno arsenal de aparelhos extras em uma mesa posicionada ao seu lado direito. Ao longo de toda a apresentação, Cline justificou seu posto entre os guitarristas mais notórios da atualidade, alternando uma grande quantidade de guitarras – chegou a usar três instrumentos diferentes em uma única canção -, momentos de delicadeza melódica e puro barulho ao maltratar suas cordas com um slide metálico. Estas intervenções desconcertantes não abusavam de virtuosismo, mas arrancam de seu instrumento sons que devem tanto às suas raízes no improviso do jazz quanto à influência do no wave do Sonic Youth.
Em contraponto às extravagâncias guitarrísticas de Cline, o baterista Glenn Kotche e o baixista John Stirratt compunham uma cozinha afiada o bastante para que o tecladista Mikael Jorgensen injetasse efeitos climáticos nas canções, muitas vezes acompanhado pelo multinstrumentista Pat Sansone. Jeff Tweedy também não deixou por menos e se mostrou um competente guitarrista, dobrando solos em "Side With the Seeds" e "Impossible Germany". Ao assumir a guitarra principal em "I'm The Man Who Loves You", Tweedy dedilhou solos e riffs sujos ao mesmo tempo em que atacava sua guitarra com alavancadas que lembraram os momentos elétricos de Neil Young.
Mas a maior arma de Tweedy não era sua técnica como instrumentista: era o carisma. Por mais que suas composições enveredem para letras tristes, ao vivo ele não segue o típico clichê do 'artista atormentado' – apesar de problemas anteriores com depressão e cruéis enxaquecas. Casado e pais de dois filhos, o líder do Wilco reflete agora em suas criações a crise de meia idade e seus demônios pessoais, mas no palco exibe uma simplicidade que cativa o público, quase como se a platéia calçasse os mesmos sapatos de seu ídolo.
Tweedy estava à vontade o bastante para incitar a participação do público no refrão de "Jesus Etc." e fazer piadas; após a tortuosa "Radio Cure", ele perguntou "vocês estavam cantando junto nessa música? É uma música realmente muito triste para cantar junto, vocês têm certeza?", ironizou. Antes de "I'm The Man Who Loves You", Kotche ficou em pé em sua bateria e Tweedy não perdeu a chance de sacanear o colega: "Glenn fez isso hoje porque uma jovem brasileira nos disse que isso é a coisa mais bonita que ela já viu. Não sei se dou risada ou choro disso", comentou, apontando para a fã.
Se "I Must Be High" surgiu para matar a saudade do primeiro disco do grupo, o último bis veio para fechar a noite com saudosismo: "Red-Eyed and Blue", "I Got You (At The End Of The Century)" e "Outtasite (Outta Mind)" vieram recheadas do country-rock do início da carreira da banda. O show chegou ao fim com a apoteótica "Hoodoo Voodoo", que contou com a participação do roadie Josh, que parecia ter saído do elenco do filme Quase Famosos. Desinibido, o roadie tirou a camisa e fez várias estripulias no palco, enquanto tocava cowbell. Um final surreal para um show que começou marcado pela introspecção.
Setlist:
One Sunday Morning
Poor Places
Art Of Almost
I Might
A Shot in the Arm
Side With The Seeds
Country Disappeared
War On War
Impossible Germany
Born Alone
Radio Cure
Capitol City
Handshake Drugs
Jesus, Etc.
Whole Love
I Must Be High
Dawned On Me
Heavy Metal Drummer
Primeiro bis:
Via Chicago
Hate It Here
Theologians
I’m the Man Who Loves You
Hummingbird
Segundo bis:
Red-Eyed and Blue
I Got You (At The End Of The Century)
Outtasite (Outta Mind)
Hoodoo Voodoo
Em mais uma data da turnê The Whole Love, o Wilco aportou em Miami na noite de terça-feira, 15, no Fillmore Miami Beach. Apesar de ser considerado um dos poucos nomes significativos do rock alternativo incluídos no mainstream – com reconhecimento atestado com prêmios no Grammy – os ingressos para o concerto não estavam esgotados. Mas se os bons refrãos de Jeff Tweedy e companhia não garantiram uma casa cheia, ao menos atraíram o interesse de várias faixas etárias: o público presente se estendia de jovens de 17 anos até quarentões.
O show teve abertura do Purling Hiss, um trio de Filadélfia com forte influência de guitar bands dos anos 90. Os músicos subiram ao palco às 20h03 e despejaram doses cavalares de rock e solos à la J Mascis (Dinosaur Jr), ao longo de um repertório curto de apenas sete músicas. Apesar de sabotados pelo som extremamente mal regulado – a bateria diminuta montada em frente à aparelhagem do Wilco não era microfonada e o vocal de Mike Polizze era totalmente encoberto pelo som de sua guitarra – a banda arrancou aplausos moderados da plateia.
Às 21h01 o Wilco surgiu timidamente no palco. Optando por um início mais introspectivo, o sexteto abriu o show com "One Sunday Morning", a faixa derradeira de seu álbum mais recente. Enquanto Jeff Tweedy dedilhava calmamente as notas no violão, acompanhado com parcimônia pelo guitarrista Nels Cline e Pat Sansone nos teclados, as luzes e projeções no palco reforçavam o tom sublime da canção. Totalmente desvinculada de imediatismo, "Poor Places" veio em seguida, exigindo dos expectadores uma cumplicidade silenciosa. O público se manteve quieto e assistia a tudo em clima de absoluta contemplação.
"Art of Almost" surgiu como o crescendo da apresentação, recheada de efeitos eletrônicos discretos que foram sumindo ao passo que a guitarra de Nels Cline foi tomando mais espaço até culminar em uma explosão noise. Não satisfeito em fazer uso dos efeitos dos dez pedais aos seus pés, Cline também abusou de um pequeno arsenal de aparelhos extras em uma mesa posicionada ao seu lado direito. Ao longo de toda a apresentação, Cline justificou seu posto entre os guitarristas mais notórios da atualidade, alternando uma grande quantidade de guitarras – chegou a usar três instrumentos diferentes em uma única canção -, momentos de delicadeza melódica e puro barulho ao maltratar suas cordas com um slide metálico. Estas intervenções desconcertantes não abusavam de virtuosismo, mas arrancam de seu instrumento sons que devem tanto às suas raízes no improviso do jazz quanto à influência do no wave do Sonic Youth.
Em contraponto às extravagâncias guitarrísticas de Cline, o baterista Glenn Kotche e o baixista John Stirratt compunham uma cozinha afiada o bastante para que o tecladista Mikael Jorgensen injetasse efeitos climáticos nas canções, muitas vezes acompanhado pelo multinstrumentista Pat Sansone. Jeff Tweedy também não deixou por menos e se mostrou um competente guitarrista, dobrando solos em "Side With the Seeds" e "Impossible Germany". Ao assumir a guitarra principal em "I'm The Man Who Loves You", Tweedy dedilhou solos e riffs sujos ao mesmo tempo em que atacava sua guitarra com alavancadas que lembraram os momentos elétricos de Neil Young.
Mas a maior arma de Tweedy não era sua técnica como instrumentista: era o carisma. Por mais que suas composições enveredem para letras tristes, ao vivo ele não segue o típico clichê do 'artista atormentado' – apesar de problemas anteriores com depressão e cruéis enxaquecas. Casado e pais de dois filhos, o líder do Wilco reflete agora em suas criações a crise de meia idade e seus demônios pessoais, mas no palco exibe uma simplicidade que cativa o público, quase como se a platéia calçasse os mesmos sapatos de seu ídolo.
Tweedy estava à vontade o bastante para incitar a participação do público no refrão de "Jesus Etc." e fazer piadas; após a tortuosa "Radio Cure", ele perguntou "vocês estavam cantando junto nessa música? É uma música realmente muito triste para cantar junto, vocês têm certeza?", ironizou. Antes de "I'm The Man Who Loves You", Kotche ficou em pé em sua bateria e Tweedy não perdeu a chance de sacanear o colega: "Glenn fez isso hoje porque uma jovem brasileira nos disse que isso é a coisa mais bonita que ela já viu. Não sei se dou risada ou choro disso", comentou, apontando para a fã.
Se "I Must Be High" surgiu para matar a saudade do primeiro disco do grupo, o último bis veio para fechar a noite com saudosismo: "Red-Eyed and Blue", "I Got You (At The End Of The Century)" e "Outtasite (Outta Mind)" vieram recheadas do country-rock do início da carreira da banda. O show chegou ao fim com a apoteótica "Hoodoo Voodoo", que contou com a participação do roadie Josh, que parecia ter saído do elenco do filme Quase Famosos. Desinibido, o roadie tirou a camisa e fez várias estripulias no palco, enquanto tocava cowbell. Um final surreal para um show que começou marcado pela introspecção.
Setlist:
One Sunday Morning
Poor Places
Art Of Almost
I Might
A Shot in the Arm
Side With The Seeds
Country Disappeared
War On War
Impossible Germany
Born Alone
Radio Cure
Capitol City
Handshake Drugs
Jesus, Etc.
Whole Love
I Must Be High
Dawned On Me
Heavy Metal Drummer
Primeiro bis:
Via Chicago
Hate It Here
Theologians
I’m the Man Who Loves You
Hummingbird
Segundo bis:
Red-Eyed and Blue
I Got You (At The End Of The Century)
Outtasite (Outta Mind)
Hoodoo Voodoo
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