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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aerosmith fecha Monsters of Rock com baixa na formação

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Atração principal do festival Monsters of Rock, o Aerosmith fechará o evento no domingo, dia 20, com uma baixa na formação: o baixista Tom Hamilton passou mal e está fora da turnê sul-americana da banda. Integrante fundador do grupo, Hamilton voltou para os Estados Unidos e será substituído por David Hull, músico que acompanha o guitarrista Joe Perry em seu projeto solo.

Não é a primeira vez que Hamilton se ausenta do Aerosmith por problemas de saúde: em abril deste ano, o músico foi internado com uma infecção pulmonar e em 2006, o baixista se afastou da banda para se tratar de um câncer na garganta. Nas duas ocasiões, David Hull assumiu seu lugar no grupo.

A ausência de um de seus membros fundadores não deve ser um grande empecilho para o show de domingo. O Aerosmith está acostumado a provações; ao longo de mais de 40 anos de carreira, o grupo passou por vários percalços, sendo o mais notório de todos os problemas com drogas. O cantor Steven Tyler e Joe Perry abusavam tanto de substância ilícitas nos anos 70 que eles se autodenominavam os Toxic Twins, ou "gêmeos tóxicos" - em referência a Mick Jagger e Keith Richards dos Rolling Stones que eram conhecidos como os "Glimmer Twins" ou "gêmeos do brilho". Com um grande histórico de passagens por clínicas de reabilitação, desentendimentos internos, algumas saídas (e retornos) de integrantes e acidentes no palco, não seria exagero dizer que após uma guerra nuclear, os únicos sobreviventes no planeta seriam Keith Richards, as baratas e o Aerosmith.



O grupo surgiu em Boston, Massachusetts, da junção de duas bandas: Chain Reaction, do vocalista Steven Tyler, e Jam Band, do guitarrista Joe Perry e do baixista Tom Hamilton. Em 1970, Perry, Hamilton e Tyler juntaram-se ao baterista Joey Kramer e ao guitarrista Ray Tabano e formaram o Aerosmith. Em 1971, Tabano foi substituído por Brad Whitford, e a banda começou a atrair seguidores em sua cidade natal, após os discos Aerosmith e Get Your Wings. Mas foi somente em 1975, com o lançamento de Toys in the Attic, que o Aerosmith conquistou prestígio internacional. Apresentando uma mistura de heavy metal, hard rock e toques de punk, o álbum trazia o clássico "Walk This Way" e o hit "Sweet Emotion".
O estouro comercial da banda acabou resultando em turnês cada vez mais exaustivas, conflitos internos e abuso de drogas. Em meio aos excessos, Perry e Whitford abandonaram o grupo em 1979 e 1981, respectivamente, sendo substituídos por Jimmy Crespo e Rick Dufay. Com a saída de dois de seus membros fundadores, a banda não conseguiu criar material memorável entre 1980 e 1984, lançado somente um álbum, Rock in a Hard Place, que não obteve o mesmo sucesso que os discos anteriores.

Com o retorno de Perry e Whitford em 1984, a banda só foi conseguir reconquistar o nível de popularidade alcançado na década de 70 em 1986, com o lançamento do segundo álbum ao vivo do grupo, Classics Live! Vol. 1, ao mesmo tempo em que Steven e Joe apareceram no bem sucedido cover dos rappers do Run-D.M.C. de "Walk This Way". Combinando rock n' roll e rap, a versão se tornou um sucesso instantâneo e marcou o início do regresso do Aerosmith à boa forma.

Em 1987, o disco Permanent Vacation trouxe hits como "Dude (Looks Like a Lady)", "Rag Doll" e "Angel", colocando o Aerosmith nas paradas americanas novamente. Confirmando o bom momento do grupo, o álbum Pump, de 1989, fez a banda entrar na década de 1990 com força total, apresentando seu primeiro auge de popularidade com os singles "Janie's Got a Gun" (que vence o primeiro Grammy para o grupo), "What It Takes" e "Love in an Elevator".

Get a Grip veio em 1993 e também foim sucesso de vendas. Singles como "Livin' On The Edge" (que vence o segundo Grammy da banda), "Eat The Rich", e as baladas "Cryin'" e "Crazy" (vencedora do seu terceiro Grammy), o Aerosmith explode na década de 1990 - em parte pelo sucesso de seus clipes estrelados pela atriz novata Alicia Silverstone e a filha de Steven, Liv Tyler. Foi colhendo os louros deste período que a banda fez sua estreia em palcos brasileiros, em 1994, no Hollywood Rock, festival que passou por Rio de Janeiro e São Paulo.

Nine Lives, de 1997, foi um álbum marcado por inúmeros problemas internos, como a demissão do produtor Tim Collins. Mesmo assim, o registro alcançou o topo das paradas e vendeu três milhões de cópias, com singles de sucesso como "Falling In Love (Is Hard On The Knees)", "Hole in My Soul" e "Pink" (que vence o quarto Grammy do grupo). Em 1999, a banda finalmente alcançar o primeiro lugar da Billboard, com a trilha sonora do filme Armageddon, "I Don't Want To Miss A Thing" (escrita por Diane Warren).

Em 2001 vem Just Push Play, que apesar de ser considerado um disco fraco até mesmo pelo próprio Joe Perry, trouxe o hit "Jaded". Honkin' on Bobo, de 2004, promoveu um retorno do Aerosmith às origens blues da banda, trazendo 11 covers e apenas uma faixa própria. Após a turnê de divulgação desse disco, Perry entrou em excursão com seu projeto solo e uma nova excursão do Aerosmith teve de ser cancelada por conta de uma cirurgia na garganta de Steven Tyler.

O grupo tinha planos de entrar em estúdio para gravar um novo disco em 2008, mas o grande número de shows de uma nova turnê cancelou os planos. A opção por mais shows se mostrou como uma decisão equivocada, visto que os integrantes passaram por vários problemas de saúde neste período. Brad Whitford ficou fora de sete dias da turnê para se recuperar de um ferimento na cabeça e Steven Tyler machucou a perna em um show em Connecticut. Quando a banda retornou aos shows, Hamilton teve de se afastar, a fim de se recuperar de uma cirurgia. Em agosto de 2009, Tyler se machucou novamente, depois de cair do palco durante uma apresentação.

Como se não bastassem os acidentes na turnê para atrasar o curso normal das atividades do Aerosmith, Steven Tyler demonstrou interesse em concentrar suas energias em uma carreira solo e no lançamento de sua autobiografia, "O Barulho Na Minha Cabeça Te Incomoda?". Neste período, Joe Perry chegou a dar declarações de que a banda estava procurando um novo vocalista. Porém, durante um show de seu projeto solo, Tyler subiu ao palco para tocar "Walk This Way" com o guitarrista e disse à plateia que não estava deixando o Aerosmith. Depois do envolvimento de alguns advogados, a banda voltou aos palcos para algumas apresentações. Mas em 2010, surgiu uma nova discussão: Steven Tyler assumiu o cargo de jurado do reality show American Idol, deixando o Aerosmith mais uma vez em segundo plano.

Apesar dos compromissos com o programa, o Aerosmith agendou novas turnês em 2011, passando novamente pelo Brasil. Após duas temporadas como jurado do American Idol, Tyler divulgou sua saída do programa, alegando que era hora de se dedicar ao que ele descreveu como seu "primeiro amor" e de "trazer o rock de volta". Após mais uma turnê, o Aerosmith anunciou a gravação de um novo álbum: Music From Another Dimension!, lançado somente no final de 2012.


Aerosmith
Formação da banda: Steven Tyler (vocais, gaita, piano, percussão), Joe Perry (guitarra, backing vocals), Tom Hamilton (baixo), Joey Kramer (bateria), Brad Whitford (guitarra).

Discografia: Aerosmith (1973), Get Your Wings (1974), Toys in the Attic (1975), Rocks (1976), Draw the Line (1977), Night in the Ruts (1979), Rock in a Hard Place (1982), Done with Mirrors (1985), Permanent Vacation (1987), Pump (1989), Get a Grip (1993), Nine Lives (1997), Just Push Play (2001), Honkin' on Bobo (2004), Music from Another Dimension! (2012).

Curiosidade:
A atriz Liv Tyler só descobriu que era filha de Steven Tyler muitos anos depois; ela sempre achou que seu pai era o cantor e compositor Todd Rundgren. A mãe de Liv era Bebe Buell, uma das mais famosas groupies da história, conhecida por ter saído um número considerável de estrelas do rock. A banda de rock alternativo Lemonheads fez a música "C'Mon Daddy" abordando essa história.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Aerosmith espanta mau tempo e fase ruim com show memorável em São Paulo

*Matéria originalmente publicada no Portal Vírgula.


Nem mesmo a forte chuva atrapalhou o espetáculo que o Aerosmith promoveu no palco da Arena Anhembi neste domingo, dia 30. Em sua quarta passagem pelo Brasil, a banda americana fez um apanhado geral dos hits da carreira e mostrou que ainda tem muito fôlego para realizar shows memoráveis, espantando a nuvem negra que pairou em cima do grupo nos últimos tempos de brigas internas.

Às 20h15 ouviu-se a primeira introdução da noite: "A Cavalgada das Valquírias", de Richard Wagner. Quando a sinfonia acabou, o pano preto que escondia a movimentação no palco foi ao chão, apenas para dar uma falsa surpresa ao público: a banda ainda não estava em cena. Depois de mais duas introduções (para que tanto suspense?), o grupo iniciou o show debaixo de chuva com três pérolas do início da carreira: "Draw The Line", "Same Old Song and Dance" e "Mama Kin".

Steven Tyler, a principal figura da banda, começou a apresentação com uma certa timidez, com a voz um pouco rouca. Mas para quem havia estampado as manchetes dos últimos dias com seu rosto danificado por uma queda no banheiro, estava inteiraço. O vocalista iniciou o show usando óculos escuros, mas durante "Mama Kin", Tyler jogou o acessório longe e o tal olho roxo não era tão visível. Se os fãs estavam preocupados com o desempenho do vocalista no palco, essa preocupação logo mostrou-se vã. Mesmo com 63 anos nas costas, Tyler justificou seu lugar entre os maiores frontman do rock: o cantor continuou com suas danças performáticas sem se importar com o palco molhado pela chuva.

"Janie's Got a Gun" introduziu a sequência de músicas que desembocou em um revival do momento-chave do Aerosmith: os anos 90. Mesmo o longo solo de bateria de Joey Kramer - fortemente influenciado pelo estilo de John Bonham (Led Zeppelin) – não esfriou o ritmo do show, que teve seus pontos mais altos durante os solos de guitarra de Joe Perry em "Livin' On The Edge" e "Amazing".

Depois de "What It Takes" e "Last Child", Tyler saiu de cena para que Perry assumisse os vocais em "Combination", apenas para retornar em seguida e desferir a maior 'covardia melódica' da noite: o hit meloso "I Don’t Want to Miss A Thing". O que se seguiu foi o maior momento em uníssono da platéia, e ao meu redor eu enxergava vários fãs cantando a letra aos prantos e soluçando. Nem mesmo quando Paul McCartney tocou "Give Peace A Chance" e "Hey Jude" em sua passagem por São Paulo no ano passado eu vi ocasião tão oportuna para casais e amigos se abraçarem.

Por mais que não tenha me contagiado pela energia piegas do momento, o Aerosmith desferiu em seguida o golpe de misericórdia: "Cryin'". A introdução pesada surgiu repentinamente, e logo que os acordes melosos do verso foram dedilhados, era preciso se esforçar para conter a ameaça conhecida como 'olhos lacrimejantes'.

Depois dessa forte sequência de baladas, veio um solo de baixo de Tom Hamilton. Enquanto o baixista se exibia para mostrar que sabia fazer algo além do básico que exerce nas músicas da banda, Joe Perry mostrou à câmera do telão seu dedo ensangüentado; o guitarrista parece ter se exaltado durante os últimos solos e a unha de seu dedo indicador da mão esquerda levou a pior. Mas isso não o impediu de executar o riff memorável de "Sweet Emotion", que foi recebida muito bem pelo público.

BIS

A banda deixou o palco e retornou para o primeiro bis da noite, matando a vontade da plateia que pedia a balada "Dream On". Depois de retomar sua veia mais roqueira com os clássicos "Love In An Elevator" e "Walk This Way", o Aerosmith saiu mais uma vez de cena. Mas como o público havia surpreendido Tyler com vários cartazes com os dizeres "Angel" em certa parte do show, o grupo teve de volver ao palco para saciar novamente o apetite da plateia por baladas. O vocalista fez questão de salientar que a banda não tocava a canção há cerca de cinco anos, mas a tocaram mesmo assim. Para terminar o show em alta rotação, o cantor pediu para a banda emendar "Train Kept A-Rollin'".

Incrível como uma banda que iniciou sua carreira na década de 70 continua com energia para fazer um show de dimensões épicas e corresponder às expectativas do público. Steven Tyler e seus comparsas já chegaram ao fundo do poço diversas vezes, mas sempre retornaram com bons discos, tomando de assalto as paradas contemporâneas e justificando sua relevância no palco. O Aerosmith serve de lição viva para Axl Rose e seu atual arremedo de Guns N Roses, que tenta provar (sem sucesso) que ainda pode fazer algo de significativo mais de 15 anos depois de seu auge.

Set list:

01 - Draw the Line
02 - Same Old Song and Dance
03 - Mama Kin
04 - Janie's Got A Gun
05 - Livin' on the Edge
(Solo de bateria)
06 - Rag Doll
07 – Amazing
08 - What It Takes
09 - Last Child
10 – Combination
11 - I Don't Want To Miss a Thing
12 - Cryin'
(Solo de baixo)
13 - Sweet Emotion

1° bis
14 - Dream On
15 - Love in an Elevator
16 - Walk This Way

2° bis
17 – Angel
18 - Train Kept A-Rollin'