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sexta-feira, 8 de março de 2013
Dave Grohl presta tributo a paixão analógica em 'Sound City'
*Texto originalmente publicado no Yahoo! TV.
Não é novidade que Dave Grohl assumiu a persona de "cara legal" do rock atual; seja como ex-baterista do Nirvana, líder do Foo Fighters ou músico convidado em dezenas de outros projetos, Grohl é um dos poucos roqueiros que ainda se sobressaem entre vários artistas do pop contemporâneo. Sempre prestando tributos a medalhões como Led Zeppelin e Paul McCartney, Grohl também conquistou o respeito dos velhos fãs de rock clássico. Em mais um capítulo de suas reverências a grandes nomes que o inspiraram, desta vez Grohl resolveu atacar de diretor cinematográfico, com "Sound City".
O filme é um documentário sobre o estúdio de mesmo nome, localizado em Van Nuys, em Los Angeles. O Sound City era um local de gravação desleixado, com móveis e equipamentos de segunda mão, mas que contava com um diferencial: uma mesa de som analógica Neve 8028 - considerada um dos consoles mais completos para gravação e mixagem. Por conta desse equipamento, o Sound City pariu mais de cem discos clássicos de nomes como Neil Young, Fleetwood Mac, Ronnie James Dio, Johnny Cash e Rage Against The Machine, além do próprio Nirvana.
"Sound City" não apresenta nenhuma inovação, pois segue uma linguagem de documentário parecida com a série Classic Albums: bandas contam sobre o processo de gravação de seus discos, mas dando destaque maior a histórias e peculiaridades do estúdio. Sendo um estudioso fã de rock, Grohl soube explorar a emoção dos relatos dos funcionários e artistas que passaram pelo estúdio. Talvez por estar compenetrado em fazer um filme capaz de emocionar aficcionados por música como ele, Grohl deixou um pouco de lado seu lado engraçadinho presente em grande parte dos clipes do Foo Fighters. O único momento mais humorístico fica reservado para quando Rupert Neve (o responsável pela criação da mesa de som 8028) tenta explicar como funciona o equipamento.
Histórico
Ativo como estúdio comercial desde 1969, o Sound City só foi criar fama depois que proporcionou a entrada de Lindsey Buckingham e Stevie Nicks no Fleetwood Mac, em 1975. Após a gravação do disco homônimo do grupo, o estúdio passou a receber grandes nomes como Santana, Grateful Dead, Foreigner, Cheap Trick, Reo Speedwagon e Tom Petty & The Heartbreakers. O documentário passa por essa fase de ouro, com uma fileira interminável de artistas interessados em gravar seus discos durante os anos 80, até aparecer o CD e os avanços tecnológicos para técnicas de gravação. Com isso, o Sound City ficou à mercê da nova onda de gravações digitais e uso de pro-tools, caindo novamente no ostracismo.
Foi justamente nessa época que o Nirvana acabou escolhendo o estúdio para iniciar as gravações de seu segundo álbum, o clássico "Nevermind". Ao falar do álbum, percebe-se a forte ligação sentimental de Grohl com o estúdio e as técnicas de gravação analógicas. "Aqueles 15 ou 16 dias gravando com aquela mesa mudaram totalmente a minha vida." Ao exemplificar a força do som da bateria característico do Sound City, Grohl espertamente incluiu pedaços dele mesmo tocando a bateria de "Smells Like Teen Spirit".
O estúdio encerrou seus serviços em maio de 2011, mas Dave Grohl percebeu que as lembranças do Sound City dariam um belo filme. "Para mim o Sound City representa uma espécie de integridade. É como se fosse uma verdade humana, e com ela você inspira milhões e milhões de fãs e outras pessoas a fazerem a mesma coisa". E essa busca da perfeição pelo elemento humano também é um dos principais temas do filme: durante as sessões de gravação de "Damn the Torpedoes" de Tom Petty & The Heartbreakers, a banda conta que chegou a gravar 150 takes de uma mesma canção para chegar a um resultado satisfatório. Com esse gancho, o filme também se concentra no papel do produtor como um catalisador da criatividade e melhor performance dos músicos durante o processo de criação de um álbum.
Sound City Players
Após uma hora totalmente devotada à história do estúdio, o documentário dá lugar às jams e gravações no 606 (o estúdio de Dave Grohl) com o Sound City Players - um supergrupo que conta com membros do Foo Fighters tocando com Trent Reznor (Nine Inch Nails, How to Destroy Angels), Josh Homme (Queens of the Stone Age, Them Crooked Vultures), Rick Springfield, Stevie Nicks (Fleetwood Mac), Paul McCartney e muitos outros.
Mas a mais marcante destas jams é deixada para o final: o encontro de Paul McCartney com os membros remanescentes do Nirvana - Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear. Este é um dos momentos mais reveladores do filme, justamente por mostrar o processo de gravação da faixa inédita "Cut Me Some Slack", com McCartney guiando a direção da composição. Em dado momento da gravação, após registrar os vocais, um Dave Grohl incrédulo por trabalhar com um beatle pergunta: "Por que nem sempre é tão fácil assim?". Paul sorri e responde com um simplório "mas é!"
Sound City recebeu críticas positivas no Rotten Tomatoes: o site de resenhas de cinema relata que 100% dos críticos deram ao filme uma revisão positiva com base em 27 avaliações, com uma pontuação média de 8 estrelas (de 1 a 10). No Metacritic, o filme possui a pontuação de 76 em uma escala de 100 com base em 13 avaliações.
O documentário fez sua estreia em janeiro, no festival de filme de Sundance em Utah (Estados Unidos) e está disponível para download desde 1º de Fevereiro. Tanto o DVD do filme como sua trilha sonora em CD serão lançados no dia 12 de março.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Top 10 Filmes de Zumbis
Na esteira do sucesso de Walking Dead, veja nossa seleção de filmes sobre o apocalipse zumbi
*Texto originalmente publicado no Yahoo! TV.
Com o sucesso da adaptação de Walking Dead dos quadrinhos para a série de TV, os zumbis estão mais presentes do que nunca na cultura pop. Prova disso é a grande quantidade de filmes com a temática zumbi previstos para estrear este ano: o remake da clássica franquia Uma Noite Alucinante (Evil Dead), Orgulho e Preconceito e Zumbis (a releitura trash do popular romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen), Guerra Mundial Z (com Brad Pitt na pele do repórter Gerry Lane, que pretende entrevistar os sobreviventes da infestação mundial de zumbis enquanto luta pela própria vida), Corpos Quentes (uma espécie de Crepúsculo, só que com um galã zumbi no lugar de um vampiro) e a adaptação da HQ Zombies vs. Robots.
De olho nessa 'zumbização' da sétima arte, listamos abaixo dez filmes considerados indispensáveis para quem ainda não foi perseguido por uma horda de mortos-vivos sedentos por carne humana:
Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968)
Trailer
Elenco: Duane Jones, Judith O'Dea e Karl Hardman.
Enredo: A queda de um satélite na Terra libera uma radiação que 'desperta' os mortos e faz com que eles procurem os vivos como alimento. No meio do caos, um grupo de pessoas procura abrigo em uma casa de fazenda na região rural da Pensilvânia.
O começo de tudo: Filmado em preto e branco e de maneira independente, Noite dos Mortos Vivos não foi o primeiro filme com a temática zumbi, mas a estreia do cineasta George Romero no gênero horror é considerada um marco do segmento e gerou centenas de imitadores. Apesar dos efeitos com sangue falso e maquiagem não serem os melhores do gênero, as cenas de violência e teor apocalíptico criaram muita polêmica para a época. Nada mal para um filme independente realizado com um orçamento de apenas 114 mil dólares.
Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978)
Trailer
Elenco: David Emge, Ken Foree e Scott H. Reiniger.
Enredo: A sequência em cores de Noite dos Mortos Vivos, mas com novos personagens. Após uma epidemia crescente, o mundo foi invadido por um inexplicável surto no qual os mortos voltam à vida e todos têm que lutar pela própria sobrevivência. O filme foca em grupo de quatro pessoas (dois membros da equipe da SWAT, um repórter e sua namorada) que procuram refúgio em um shopping center de Pittsburgh.
Clássico: o segundo e considerado o melhor filme da série "Living Dead". O filme apresenta uma percepção maior do apocalipse zumbi e seus efeitos na sociedade contemporânea. Em meio a crítica social, cenas de nudez e edição propositalmente tensa, Madrugada dos Mortos é uma obra prima do terror, recheada de boas sacadas que arrancam sustos e risadas dos espectadores. O filme também ganhou um ótimo remake em 2004, dirigido por Zack Snyder (diretor de longas como 300 e Watchmen).
A Volta dos Mortos Vivos (Return of the Living Dead, 1985)
Trailer
Elenco: Clu Gulager, James Karen e Don Calfa.
Enredo: Dois funcionários em um armazém de suprimentos médicos liberam acidentalmente no subsolo do estabelecimento um gás mortal que traz os mortos de volta à vida em Louisville, Kentucky. Enquanto isso, um grupo de adolescentes punks resolve fazer uma festinha em cemitério próximo ao armazém. Lógicamente, a festa se revela uma péssima ideia, com o surgimento de zumbis querendo garantir suas refeições.
Miooolos! Este é o primeiro filme que retrata os zumbis como "comedores de cérebro". Em uma cena, um zumbi feminino é amarrado em uma mesa e interrogado. "Por que vocês comem pessoas?" "Não comemos pessoas. Miolos". "Por que?" "A dor... faz a dor de estar morta ir embora". Não bastasse esse diálogo, o longa também conta com efeitos de animação de Tony Gardner, que também contribuiu no clipe de 'Thriller' (Michael Jackson) e outros filmes, como Uma Noite Alucinante 2 e 3 e Zumbilândia.
Re-Animator: A Hora dos Mortos-vivos (Re-Animator, 1985)
Trailer
Elenco: Jeffrey Combs, Bruce Abbott e Barbara Crampton.
Enredo: Re-Animator conta a história do Dr. Herbert West (Jeffrey Combs), um estudante de medicina que, expulso da Universidade Alemã onde estudava, passa a estudar na Miscatonic University, nos EUA. Sem onde morar, West pede abrigo ao colega Dan Cain (Bruce Abbott) e passa a realizar testes bizarros com um soro para reanimar os mortos.
Trash na medida certa: Baseado livremente em uma história do escritor americano H.P. Lovecraft, o filme tem ênfase no humor negro, mas não deixa de apresentar grandes quantidades de sangue. A interpretação de Jeffrey Combs como o frio e psicopata médico bem parecido com o protagonista de Frankenstein tornou Re-Animator um clássico cult do terror oitentista.
Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness, 1992)
Trailer
Elenco: Bruce Campbell, Embeth Davidtz e Marcus Gilbert
Enredo: No capítulo final da célebre franquia Evil Dead, o anti-herói Ash (Bruce Campbell) é sugado por um vórtice e jogado nos primórdios da Era Medieval, onde terá que encontrar o Livro dos Mortos, único artefato que tem o poder de enviar Ash de volta para sua época. Mas não sem antes enfrentar um exército de demônios e mortos-vivos.
"Bom ou mau... Eu sou o homem com a arma": Apesar de quase abandonar de vez o terror e ir mais para o humor negro, o filme ainda é tão bom quanto os anteriores. Bruce Campbell brilha aqui ainda mais que em Uma Noite Alucinante 2, ao conseguir usar uma atuação canastrona e caricata a favor de um personagem debochado em uma situação absurda de modo intenso e divertido. Dirigido por Sam Raimi (que também dirigiu as três partes da primeira franquia de filmes do Homem-Aranha).
Extermínio (28 Days Later, 2002)
Trailer
Elenco: Cillian Murphy, Naomie Harris, Christopher Eccleston e Alex Palmer.
Enredo: Ativistas pelos direito dos animais invadem um laboratório com o intuito de libertar chimpanzés que passam por experimentos com um vírus que causa uma raiva insana. Logicamente, tudo dá errado e Jim (Cillian Murphy), acorda na cama do hospital (lembrou de The Walking Dead?) e encontra a cidade de Londres vazia e devastada pelo vírus altamente contagioso.
Zumbis turbinados: Neste filme dirigido por Danny Boyle (o mesmo de Trainspotting e Quem Quer Ser Um Milionário?), em vez de zumbis lerdos e maltrapilhos, a ameaça são seres humanos infectados que correm loucamente atrás de suas vítimas. Embora o filme tenha um baixo orçamento de 5 milhões de libras, surpreendeu a todos com enredo e zumbis aterrorizantes. Sucesso de bilheteria, o filme arrecadou 10 vezes mais, cerca de U$ 83 milhões.
Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004)
Trailer
Elenco: Simon Pegg, Nick Frost e Kate Ashfield.
Enredo: Shaun (Simon Pegg) é um cara sem grandes ambições na vida e que acabou de perder a namorada (Kate Ashfield) por não ser muito enérgico e meio tedioso. Mas tudo muda quando Shaun se vê repentinamente obrigado a liderar um grupo de desesperados sobreviventes, fugindo de um aterrorizador bando de mortos-vivos que tomaram Londres. Em meio ao caos, Shaun tem que resgatar sua mãe, reconquistar sua namorada e tomar umas cervejas geladas em um pub com seu amigo preguiçoso Ed (Nick Frost).
"Por que ainda está tocando Queen?" Um dos melhores filmes de comédia-zumbi, contém cenas hilárias, como a tentativa de matar uma morta-viva com discos de vinil e "Don't Stop Me Now" do Queen sendo tocada no último volume da jukebox enquanto Shaun e seus amigos tentam se defender das investidas dos inimigos.
REC (REC, 2007)
Trailer
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge-Yamam Serrano e Pablo Rosso.
Enredo: O filme mostra a repórter Ângela Vidal (Manuela Velasco), que juntamente com seu câmera Pablo (Pablo Rosso), segue um grupo de bombeiros de madrugada, para mostrar a rotina do batalhão. Subitamente os bombeiros são chamados para uma emergência, e Ângela e Pablo os acompanham na ocorrência. No local, encontram moradores apavorados com a velha senhora que mora sozinha no andar superior e está gritando e atacando os vizinhos. Os bombeiros entram no apartamento, seguidos pelos repórteres. Mas o que era uma situação de rotina torna-se uma escalada de medo e terror.
TENSO: Um dos filmes mais notáveis do cinema espanhol, REC foi refilmado dois anos depois pelos americanos (sob o título de Quarentena), mas não fez o mesmo sucesso do original. REC se distingue por não ter apenas o apelo de uma infecção viral, mas intersecções demoníacas e diabólicas. O estilo found footage (na qual simula uma gravação real de câmera amadora) permite um clima tenso, sombrio e cheio de sustos. Os últimos quinze minutos de filme são os melhores, com um nível de suspense que prende facilmente o telespectador.
Zumbilândia (Zombieland, 2009)
Trailer
Elenco: Jesse Eisenberg, Emma Stone, Woody Harrelson e Abigail Breslin.
Enredo: Uma variação do vírus da vaca louca está transformando todos em zumbis e Columbus (Jesse Eisenberg), um estudante tímido e nerd foge da universidade no Texas rumo a sua cidade natal para ter certeza que seus pais estão vivos. Em sua jornada, Columbus encontra o caçador de zumbis Tallahassee (Woody Harrelson), as irmãs Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), além do grande Bill Murray (sim, interpretando ele mesmo).
Guia de Sobrevivência Contra Zumbis: Zumbilândia já vale pelos créditos iniciais, quando Columbus lista seus 30 mandamentos que garantiram sua sobrevivência durante o apocalipse zumbi. Recebeu 90% de aprovação no site Rotten Tomatoes especializado em críticas de filmes, sem falar que arrecadou, desde seu lançamento em 2009, 102 milhões em bilheteria.
Zumbis na Neve (Dead Snow, 2009)
Trailer
Elenco: Jeppe Laursen, Charlotte Frogner e Jenny Skavlan.
Enredo: Estudantes de medicina saem de férias para praticar esqui em uma estação isolada pela neve. No local, o grupo encontra um velho que conta uma história de horror sobre nazistas. Ao encontrar um baú cheio de ouro, os jovens inadvertidamente erguem um exército de zumbis nazistas que morreu ali.
Nazi zombies? Apesar do tema sobre "jovens em uma cabana afastada" ser um velho clichê, os próprios vilões do filme dão uma certa originalidade (e nonsense) à produção. O diretor soube equilibrar muito bem cenas sangrentas de mortes e desmembramentos com boas doses de humor. Se você está procurando um filme divertido, Zumbis na Neve não vai lhe decepcionar.
*Texto originalmente publicado no Yahoo! TV.
Com o sucesso da adaptação de Walking Dead dos quadrinhos para a série de TV, os zumbis estão mais presentes do que nunca na cultura pop. Prova disso é a grande quantidade de filmes com a temática zumbi previstos para estrear este ano: o remake da clássica franquia Uma Noite Alucinante (Evil Dead), Orgulho e Preconceito e Zumbis (a releitura trash do popular romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen), Guerra Mundial Z (com Brad Pitt na pele do repórter Gerry Lane, que pretende entrevistar os sobreviventes da infestação mundial de zumbis enquanto luta pela própria vida), Corpos Quentes (uma espécie de Crepúsculo, só que com um galã zumbi no lugar de um vampiro) e a adaptação da HQ Zombies vs. Robots.
De olho nessa 'zumbização' da sétima arte, listamos abaixo dez filmes considerados indispensáveis para quem ainda não foi perseguido por uma horda de mortos-vivos sedentos por carne humana:
Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968)
Trailer
Elenco: Duane Jones, Judith O'Dea e Karl Hardman.
Enredo: A queda de um satélite na Terra libera uma radiação que 'desperta' os mortos e faz com que eles procurem os vivos como alimento. No meio do caos, um grupo de pessoas procura abrigo em uma casa de fazenda na região rural da Pensilvânia.
O começo de tudo: Filmado em preto e branco e de maneira independente, Noite dos Mortos Vivos não foi o primeiro filme com a temática zumbi, mas a estreia do cineasta George Romero no gênero horror é considerada um marco do segmento e gerou centenas de imitadores. Apesar dos efeitos com sangue falso e maquiagem não serem os melhores do gênero, as cenas de violência e teor apocalíptico criaram muita polêmica para a época. Nada mal para um filme independente realizado com um orçamento de apenas 114 mil dólares.
Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978)
Trailer
Elenco: David Emge, Ken Foree e Scott H. Reiniger.
Enredo: A sequência em cores de Noite dos Mortos Vivos, mas com novos personagens. Após uma epidemia crescente, o mundo foi invadido por um inexplicável surto no qual os mortos voltam à vida e todos têm que lutar pela própria sobrevivência. O filme foca em grupo de quatro pessoas (dois membros da equipe da SWAT, um repórter e sua namorada) que procuram refúgio em um shopping center de Pittsburgh.
Clássico: o segundo e considerado o melhor filme da série "Living Dead". O filme apresenta uma percepção maior do apocalipse zumbi e seus efeitos na sociedade contemporânea. Em meio a crítica social, cenas de nudez e edição propositalmente tensa, Madrugada dos Mortos é uma obra prima do terror, recheada de boas sacadas que arrancam sustos e risadas dos espectadores. O filme também ganhou um ótimo remake em 2004, dirigido por Zack Snyder (diretor de longas como 300 e Watchmen).
A Volta dos Mortos Vivos (Return of the Living Dead, 1985)
Trailer
Elenco: Clu Gulager, James Karen e Don Calfa.
Enredo: Dois funcionários em um armazém de suprimentos médicos liberam acidentalmente no subsolo do estabelecimento um gás mortal que traz os mortos de volta à vida em Louisville, Kentucky. Enquanto isso, um grupo de adolescentes punks resolve fazer uma festinha em cemitério próximo ao armazém. Lógicamente, a festa se revela uma péssima ideia, com o surgimento de zumbis querendo garantir suas refeições.
Miooolos! Este é o primeiro filme que retrata os zumbis como "comedores de cérebro". Em uma cena, um zumbi feminino é amarrado em uma mesa e interrogado. "Por que vocês comem pessoas?" "Não comemos pessoas. Miolos". "Por que?" "A dor... faz a dor de estar morta ir embora". Não bastasse esse diálogo, o longa também conta com efeitos de animação de Tony Gardner, que também contribuiu no clipe de 'Thriller' (Michael Jackson) e outros filmes, como Uma Noite Alucinante 2 e 3 e Zumbilândia.
Re-Animator: A Hora dos Mortos-vivos (Re-Animator, 1985)
Trailer
Elenco: Jeffrey Combs, Bruce Abbott e Barbara Crampton.
Enredo: Re-Animator conta a história do Dr. Herbert West (Jeffrey Combs), um estudante de medicina que, expulso da Universidade Alemã onde estudava, passa a estudar na Miscatonic University, nos EUA. Sem onde morar, West pede abrigo ao colega Dan Cain (Bruce Abbott) e passa a realizar testes bizarros com um soro para reanimar os mortos.
Trash na medida certa: Baseado livremente em uma história do escritor americano H.P. Lovecraft, o filme tem ênfase no humor negro, mas não deixa de apresentar grandes quantidades de sangue. A interpretação de Jeffrey Combs como o frio e psicopata médico bem parecido com o protagonista de Frankenstein tornou Re-Animator um clássico cult do terror oitentista.
Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness, 1992)
Trailer
Elenco: Bruce Campbell, Embeth Davidtz e Marcus Gilbert
Enredo: No capítulo final da célebre franquia Evil Dead, o anti-herói Ash (Bruce Campbell) é sugado por um vórtice e jogado nos primórdios da Era Medieval, onde terá que encontrar o Livro dos Mortos, único artefato que tem o poder de enviar Ash de volta para sua época. Mas não sem antes enfrentar um exército de demônios e mortos-vivos.
"Bom ou mau... Eu sou o homem com a arma": Apesar de quase abandonar de vez o terror e ir mais para o humor negro, o filme ainda é tão bom quanto os anteriores. Bruce Campbell brilha aqui ainda mais que em Uma Noite Alucinante 2, ao conseguir usar uma atuação canastrona e caricata a favor de um personagem debochado em uma situação absurda de modo intenso e divertido. Dirigido por Sam Raimi (que também dirigiu as três partes da primeira franquia de filmes do Homem-Aranha).
Extermínio (28 Days Later, 2002)
Trailer
Elenco: Cillian Murphy, Naomie Harris, Christopher Eccleston e Alex Palmer.
Enredo: Ativistas pelos direito dos animais invadem um laboratório com o intuito de libertar chimpanzés que passam por experimentos com um vírus que causa uma raiva insana. Logicamente, tudo dá errado e Jim (Cillian Murphy), acorda na cama do hospital (lembrou de The Walking Dead?) e encontra a cidade de Londres vazia e devastada pelo vírus altamente contagioso.
Zumbis turbinados: Neste filme dirigido por Danny Boyle (o mesmo de Trainspotting e Quem Quer Ser Um Milionário?), em vez de zumbis lerdos e maltrapilhos, a ameaça são seres humanos infectados que correm loucamente atrás de suas vítimas. Embora o filme tenha um baixo orçamento de 5 milhões de libras, surpreendeu a todos com enredo e zumbis aterrorizantes. Sucesso de bilheteria, o filme arrecadou 10 vezes mais, cerca de U$ 83 milhões.
Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004)
Trailer
Elenco: Simon Pegg, Nick Frost e Kate Ashfield.
Enredo: Shaun (Simon Pegg) é um cara sem grandes ambições na vida e que acabou de perder a namorada (Kate Ashfield) por não ser muito enérgico e meio tedioso. Mas tudo muda quando Shaun se vê repentinamente obrigado a liderar um grupo de desesperados sobreviventes, fugindo de um aterrorizador bando de mortos-vivos que tomaram Londres. Em meio ao caos, Shaun tem que resgatar sua mãe, reconquistar sua namorada e tomar umas cervejas geladas em um pub com seu amigo preguiçoso Ed (Nick Frost).
"Por que ainda está tocando Queen?" Um dos melhores filmes de comédia-zumbi, contém cenas hilárias, como a tentativa de matar uma morta-viva com discos de vinil e "Don't Stop Me Now" do Queen sendo tocada no último volume da jukebox enquanto Shaun e seus amigos tentam se defender das investidas dos inimigos.
REC (REC, 2007)
Trailer
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge-Yamam Serrano e Pablo Rosso.
Enredo: O filme mostra a repórter Ângela Vidal (Manuela Velasco), que juntamente com seu câmera Pablo (Pablo Rosso), segue um grupo de bombeiros de madrugada, para mostrar a rotina do batalhão. Subitamente os bombeiros são chamados para uma emergência, e Ângela e Pablo os acompanham na ocorrência. No local, encontram moradores apavorados com a velha senhora que mora sozinha no andar superior e está gritando e atacando os vizinhos. Os bombeiros entram no apartamento, seguidos pelos repórteres. Mas o que era uma situação de rotina torna-se uma escalada de medo e terror.
TENSO: Um dos filmes mais notáveis do cinema espanhol, REC foi refilmado dois anos depois pelos americanos (sob o título de Quarentena), mas não fez o mesmo sucesso do original. REC se distingue por não ter apenas o apelo de uma infecção viral, mas intersecções demoníacas e diabólicas. O estilo found footage (na qual simula uma gravação real de câmera amadora) permite um clima tenso, sombrio e cheio de sustos. Os últimos quinze minutos de filme são os melhores, com um nível de suspense que prende facilmente o telespectador.
Zumbilândia (Zombieland, 2009)
Trailer
Elenco: Jesse Eisenberg, Emma Stone, Woody Harrelson e Abigail Breslin.
Enredo: Uma variação do vírus da vaca louca está transformando todos em zumbis e Columbus (Jesse Eisenberg), um estudante tímido e nerd foge da universidade no Texas rumo a sua cidade natal para ter certeza que seus pais estão vivos. Em sua jornada, Columbus encontra o caçador de zumbis Tallahassee (Woody Harrelson), as irmãs Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), além do grande Bill Murray (sim, interpretando ele mesmo).
Guia de Sobrevivência Contra Zumbis: Zumbilândia já vale pelos créditos iniciais, quando Columbus lista seus 30 mandamentos que garantiram sua sobrevivência durante o apocalipse zumbi. Recebeu 90% de aprovação no site Rotten Tomatoes especializado em críticas de filmes, sem falar que arrecadou, desde seu lançamento em 2009, 102 milhões em bilheteria.
Zumbis na Neve (Dead Snow, 2009)
Trailer
Elenco: Jeppe Laursen, Charlotte Frogner e Jenny Skavlan.
Enredo: Estudantes de medicina saem de férias para praticar esqui em uma estação isolada pela neve. No local, o grupo encontra um velho que conta uma história de horror sobre nazistas. Ao encontrar um baú cheio de ouro, os jovens inadvertidamente erguem um exército de zumbis nazistas que morreu ali.
Nazi zombies? Apesar do tema sobre "jovens em uma cabana afastada" ser um velho clichê, os próprios vilões do filme dão uma certa originalidade (e nonsense) à produção. O diretor soube equilibrar muito bem cenas sangrentas de mortes e desmembramentos com boas doses de humor. Se você está procurando um filme divertido, Zumbis na Neve não vai lhe decepcionar.
domingo, 22 de julho de 2012
'Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge' costura trilogia no cinema
Excesso de personagens compromete narrativa, mas Christopher Nolan se despede da franquia com méritos.
*Resenha originalmente publicada no Yahoo! OMG!.
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) é sem dúvida um dos filmes mais esperados do ano. Com estreia prevista no Brasil nesta sexta-feira (27), o último capítulo da saga do herói dos quadrinhos tem direção de Christopher Nolan e desperta ansiedade não somente por ser o desfecho da trama, mas também pela inevitável pergunta: é possível superar o filme anterior, o aclamado O Cavaleiro das Trevas?
Antes de responder a essa questão, é preciso entender o fascínio que os últimos filmes do homem-morcego exercem sobre o público. Nolan assumiu a responsabilidade de dirigir o herói no cinema com Batman Begins (2005), apresentando as origens do mascarado de forma sombria e melancólica, varrendo para baixo do tapete as adaptações anteriores assinadas por Tim Burton e Joel Schumacher, consideradas exageradas (tanto pelo público quanto pela crítica). Em O Cavaleiro das Trevas (2008), a nova franquia alcançou seu auge com um Coringa carismático retratado por Heath Ledger - interpretação que lhe rendeu um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante em 2008.
O trabalho de Ledger como o palhaço psicopata conquistou ainda mais admiradores para a saga de Batman e inspirou reações violentas: em uma pré-estreia de O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Colorado, nos Estados Unidos, um atirador matou 12 pessoas e feriu outras 59, afirmando ser o Coringa. Além da tragédia, a repercussão do novo filme fez com que críticos de sites como o Rotten Tomatoes recebessem ameaças de morte - mesmo que o site tenha apontado 87% de aprovação para o filme. Segundo notícia da Folha de São Paulo, assim que opiniões desfavoráveis foram postadas no portal, quase 500 respostas como "morra queimado" e "queria colocá-lo em coma ao bater em você com uma mangueira de borracha" inundaram a página, fazendo com que o editor-chefe do site, Matt Atchity, retirasse a opção de comentários sobre o filme.
Com tantas expectativas pesando em suas costas, Nolan tentou costurar a conclusão da história buscando referências das obras anteriores e com um roteiro abarrotado de personagens: um Batman/Bruce Wayne (Christian Bale) que se manteve recluso em sua mansão por oito anos após os eventos do filme anterior, o vilão musculoso Bane (Tom Hardy), que ameaça a polícia de Gotham City com o discurso revolucionário de entregar o poder às mãos do povo, a ladra profissional Selina Kyle (Anne Hathaway) e o obstinado policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), além da presença do sempre ótimo Michael Cane como Alfred, o eterno apoio de Bruce Wayne.
Indo na contramão de outros blockbusters inspirados em heróis dos quadrinhos, Nolan deixa as cenas de ação em segundo plano, favorecendo os dramas e superações pessoais dos coadjuvantes (não apenas do próprio Batman). Assim, o diretor acaba testando o limite da atenção do público com uma narrativa arrastada e tensa, que se estende por quase três horas.
Bane propositalmente não é um inimigo carismático como o Coringa. Brutal e astuto, o vilão usa uma máscara que faz sua voz soar assustadora e por vezes pouco compreensível, o que causa incômodo e dificulta ainda mais a conexão com o público no início. A Selina Kyle de Anne Hathaway é menos fetichista que a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno (1992), porém, é claro que Nolan não se esqueceu de incluir ângulos de câmera com visões certeiras dos glúteos da atriz - mesma técnica utilizada com Scarlett Johansson em Avengers. De todas as novas personagens, Selina é a que menos ganha espaço para explicação de suas origens e motivos, sendo simplesmente colocada como uma ladra esperta com talentos marciais. Entretanto, nas cenas de ação ela supre - e muito bem - a ausência de um Robin e acaba revelando-se uma peça importante para o desfecho do filme.
Mesmo com o excesso de subtramas que podem não favorecer o ritmo do filme para alguns espectadores, O Cavaleiro das Trevas Ressurge já valeria a pena pelas características tradicionais das obras de Christopher Nolan: a bela fotografia, realçada pela trilha sonora usada em momentos-chave, além de reviravoltas desconcertantes (e outras quase previsíveis) na história. Ainda que o derradeiro capítulo da franquia do morcego não supere o requinte do segundo filme, com certeza não faltarão legiões de fãs para prestigiá-lo.
*Resenha originalmente publicada no Yahoo! OMG!.
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) é sem dúvida um dos filmes mais esperados do ano. Com estreia prevista no Brasil nesta sexta-feira (27), o último capítulo da saga do herói dos quadrinhos tem direção de Christopher Nolan e desperta ansiedade não somente por ser o desfecho da trama, mas também pela inevitável pergunta: é possível superar o filme anterior, o aclamado O Cavaleiro das Trevas?
Antes de responder a essa questão, é preciso entender o fascínio que os últimos filmes do homem-morcego exercem sobre o público. Nolan assumiu a responsabilidade de dirigir o herói no cinema com Batman Begins (2005), apresentando as origens do mascarado de forma sombria e melancólica, varrendo para baixo do tapete as adaptações anteriores assinadas por Tim Burton e Joel Schumacher, consideradas exageradas (tanto pelo público quanto pela crítica). Em O Cavaleiro das Trevas (2008), a nova franquia alcançou seu auge com um Coringa carismático retratado por Heath Ledger - interpretação que lhe rendeu um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante em 2008.
O trabalho de Ledger como o palhaço psicopata conquistou ainda mais admiradores para a saga de Batman e inspirou reações violentas: em uma pré-estreia de O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Colorado, nos Estados Unidos, um atirador matou 12 pessoas e feriu outras 59, afirmando ser o Coringa. Além da tragédia, a repercussão do novo filme fez com que críticos de sites como o Rotten Tomatoes recebessem ameaças de morte - mesmo que o site tenha apontado 87% de aprovação para o filme. Segundo notícia da Folha de São Paulo, assim que opiniões desfavoráveis foram postadas no portal, quase 500 respostas como "morra queimado" e "queria colocá-lo em coma ao bater em você com uma mangueira de borracha" inundaram a página, fazendo com que o editor-chefe do site, Matt Atchity, retirasse a opção de comentários sobre o filme.
Com tantas expectativas pesando em suas costas, Nolan tentou costurar a conclusão da história buscando referências das obras anteriores e com um roteiro abarrotado de personagens: um Batman/Bruce Wayne (Christian Bale) que se manteve recluso em sua mansão por oito anos após os eventos do filme anterior, o vilão musculoso Bane (Tom Hardy), que ameaça a polícia de Gotham City com o discurso revolucionário de entregar o poder às mãos do povo, a ladra profissional Selina Kyle (Anne Hathaway) e o obstinado policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), além da presença do sempre ótimo Michael Cane como Alfred, o eterno apoio de Bruce Wayne.
Indo na contramão de outros blockbusters inspirados em heróis dos quadrinhos, Nolan deixa as cenas de ação em segundo plano, favorecendo os dramas e superações pessoais dos coadjuvantes (não apenas do próprio Batman). Assim, o diretor acaba testando o limite da atenção do público com uma narrativa arrastada e tensa, que se estende por quase três horas.
Bane propositalmente não é um inimigo carismático como o Coringa. Brutal e astuto, o vilão usa uma máscara que faz sua voz soar assustadora e por vezes pouco compreensível, o que causa incômodo e dificulta ainda mais a conexão com o público no início. A Selina Kyle de Anne Hathaway é menos fetichista que a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno (1992), porém, é claro que Nolan não se esqueceu de incluir ângulos de câmera com visões certeiras dos glúteos da atriz - mesma técnica utilizada com Scarlett Johansson em Avengers. De todas as novas personagens, Selina é a que menos ganha espaço para explicação de suas origens e motivos, sendo simplesmente colocada como uma ladra esperta com talentos marciais. Entretanto, nas cenas de ação ela supre - e muito bem - a ausência de um Robin e acaba revelando-se uma peça importante para o desfecho do filme.
Mesmo com o excesso de subtramas que podem não favorecer o ritmo do filme para alguns espectadores, O Cavaleiro das Trevas Ressurge já valeria a pena pelas características tradicionais das obras de Christopher Nolan: a bela fotografia, realçada pela trilha sonora usada em momentos-chave, além de reviravoltas desconcertantes (e outras quase previsíveis) na história. Ainda que o derradeiro capítulo da franquia do morcego não supere o requinte do segundo filme, com certeza não faltarão legiões de fãs para prestigiá-lo.
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