quarta-feira, 30 de junho de 2021

Entrevista: Mateus Fazeno Rock

*Matéria originalmente publicada no site Scream & Yell.
“Andando ali no outro lado da rua, ela me evita pois tem medo que eu leve sua bolsa. Enquanto isso eu vou lhe evitar, levitar, levitar / Inevitável que na minha idade a minha cidade não fique apavorada quando eu ando por aí”. “A fome faminta de morte batendo na porta tirando o sossego / A bala perdida que é teleguiada mirando no corpo do nego”. Esses versos ácidos e por vezes reais demais são alguns exemplos da prosa de Mateus Henrique Ferreira do Nascimento, o jovem preto de 26 anos responsável por “puxar o bonde” – como ele mesmo prefere dizer – do projeto Mateus Fazeno Rock.

Residente em Sapiranga, bairro pobre de Fortaleza com grande incidência de favelas constantemente assoladas pela especulação imobiliária, Mateus passou a frequentar uma biblioteca local quando criança porque a mãe solteira começou a estudar para tentar passar no vestibular. O costume criado ao acompanhá-la despertou no menino um grande interesse pela leitura. Ao descobrir o rock por meio de um vizinho que ouvia muito Nirvana e Silverchair e organizava festivais de bandas no quintal de casa, estava ali plantada a semente de um artista.

Depois de aprender alguns acordes no violão por meio de ações da ONG Revarte (Resgate dos valores através da Arte) e de organizar um sarau no bairro, Mateus teve contato com o teatro, apresentou poemas e suas primeiras ideias musicais para outros artistas e curiosos. Com isso, o rapaz percebeu que poderia falar para pessoas que sofrem os mesmos problemas – racismo, segregação social e violência policial – e usar sua escrita para compartilhar histórias e manter a sanidade, pois “o nego não tem grana pra pagar um analista e nunca ouviu falar em terapia holística, nem reiki, só break”.

E a consolidação de tudo isso veio com “Rolê nas Ruínas“, o primeiro registro de Mateus Fazeno Rock lançado em abril de 2020. Ao longo de nove faixas e pouco menos de 30 minutos, sua música evoca o grunge (“Melô do Djavan” traz citações e samples discretos de “Smells Like Teen Spirit”), punk, reggae, mpb, rap, funk e influências mais regionais recheadas de letras com críticas sociais que jogam luz ao duro lugar do preto periférico na sociedade, de forma que é difícil ouvir e ficar impassível. Não por acaso o álbum apareceu em listas de melhores discos do ano, inclusive de colaboradores do Scream & Yell.

Agora, Mateus escreve mais um capítulo de sua travessia com “Jesus Ñ Voltará”, um novo trabalho em fase de finalização que conta com uma campanha de financiamento com três objetivos: a produção musical, a criação da identidade visual e a produção e impressão do álbum também em vinil de 12 polegadas. Você pode colaborar clicando na página de Mateus Fazeno Rock no Apoia.se.

Em entrevista ao Scream & Yell, Mateus fala sobre as motivações, parcerias e referências por trás de sua arte, como foi lançar “Rolê nas Ruínas” em plena pandemia, dá detalhes do novo álbum e mostra que apesar de todas as tretas, “o rock de favela vem sem medo”.

Você define o seu som como Rock de Favela. O que exatamente seria isso?
Esse termo foi uma forma que eu encontrei de localizar o meu som. Eu tava nesse processo, quando o projeto veio nascendo e se formando, de entender o que que era esse trabalho e o que eram essas músicas. Sempre soube que era rock, mas também me incomodava esse termo por si só, porque o som tem vários outros atravessamentos que eu não consigo colocar lado a lado com uma produção de rock que já existe é pré-estabelecida, sobretudo no Brasil: de um rock branco, de um rock feito no condomínio. Enfim, tenho outras vivências, outra realidade. Então o rock de favela é quase como uma bandeira que se finca num lugar, num território. Ele é abrangente porque pensa a partir dessa minha vivência no meu território, e a partir dela, encontra formas de se produzir.

Você diria que o Rock de Favela é a sua leitura do punk e da coisa do “faça você mesmo”?
Pode ser um “faça você mesmo” também, mas não pela máxima do “faça você mesmo”, até porque eu acho que é um corre de que aqui na favela isso não é uma escolha. Quem nasce nas favelas, quem é pobre, é preto, tem a sua vida precarizada de diversas formas, independente se é pra fazer rock ou qualquer outra coisa na vida. Existe aí um caminho dobrado, um esforço e umas estradas que têm que ser abertas que é um percurso muito específico da experiência de quem vive na favela, que é totalmente distinto de pessoas que vem de outras realidades.

O nome do projeto é Mateus Fazeno Rock, mas você teve bastante ajuda do Nego Célio e do Caiô, dividindo autoria de umas músicas com eles. Pode-se dizer que Mateus Fazeno Rock é uma banda e não só o teu projeto?
Acho que não pode-se dizer que é uma banda porque não tem uma estrutura e nem uma rotina de banda. Esse projeto eu puxo o bonde, digamos assim. O Nego Célio e o Caiô participaram do meu processo criativo, de trocar experiências e composições no sentido da gente mostrar “olha essa música que tô fazendo, olha esse caminho que eu tô pensando”. Principalmente no momento ali que eu tava pensando e criando o “Rolê nas Ruínas”. E por isso eles participaram de uma das faixas, compondo “As Vozes da Cabeça” junto comigo, e também canto a letra do Caiô em “Aquela Ultraviolência”. Mas eu entendo isso como um projeto e não como uma banda, porque existem várias pessoas envolvidas e fazendo parte, mas não existe uma rotina de banda, de ensaio, não tem um batera ou a formação de banda. Tem pessoas próximas que estão pensando a dança ou a cena comigo, tem o Piajay que toca nos shows sendo DJ, quem pensa comigo os clipes… Enfim, tem gente que tá no corre de outras movimentações do projeto. Então entendo mais como um projeto mesmo do que como uma banda. Mas assim que puder, adoraria ter uma banda formada para poder pensar o show nesse outro formato. Não tive a possibilidade de experimentar muito isso por questões estruturais e da pandemia também.

No seu som e letras dá para perceber a influência do Nirvana, do rap, do funk, do reggae e do punk. O que mais você acha que faz parte das tuas referências?
Essa de fato pra mim é sempre uma pergunta muito difícil, porque de um modo geral eu escuto de tudo, dentro de todas as vertentes mesmo. A textura de música rock sempre me interessou e é um lugar que sempre busco, seja através da instrumentação ou da minha voz. Às vezes as duas coisas não vem juntas, por conta da forma que componho mesmo. E essas outras linguagens sempre me atravessaram muito: o funk, o rap e o reggae, porque vivo muito isso aqui na cidade de Fortaleza, em lugares que eu frequentava que tocam essas músicas. Então acho que parte das minhas referências estão mais no meu imaginário e vivência do que de fato em algum som que eu vá buscar, porque escuto de tudo. Escuto muita coisa; desde R’n’B gringo a toque de músicas da capoeira, puxada de rede, toque amazonas, capoeira regional, pontos, escuto Gil, Mateus Aleluia, compositores brasileiros, escuto quase tudo que sai de lançamentos e tô sempre acompanhando pessoas que estão lançando trabalhos novos. Acho que é uma mistura bem grande que não conseguiria nem traçar um mapa de referências. Então acredito que a maior parte das minhas referências estão no meu imaginário e do meu dia a dia e em texturas que já tenho em mente como caminhos para trabalhar. Mas esse novo álbum, por exemplo, está bem vinculado a linguagens do hip-hop na sua construção. E no fim é isso: hip-hop e rock.

Nas tuas letras, dá para a gente pegar umas pérolas como “eu calo a boca e ainda assim a boca fala / a boca fala, fala o que quiser de mim”, entre outras partes mais ácidas e cheias de críticas sociais sobre o espaço dos pretos em relação aos brancos no mundo. Você acha que o rock é elitista?
Acho que é elitista sim. Não só o rock como um pouco a formação de estruturas de possibilidades de circulação, autonomia e visibilidade dentro das cenas [culturais/musicais], de um modo geral. É bem elitista, até porque é uma questão estrutural e histórica, de quem teve o dinheiro para poder criar esses espaços. Então querendo ou não, sim, o rock é elitista.

Como você acha que podemos criar cada vez mais espaço para a atuação de artistas pretos e periféricos no Brasil?
O que acho é que deve existir, principalmente entre as pessoas que tem as instituições, casas de show e mídias que tem esses espaços, criar neles outras dinâmicas de entender as pluralidades mesmo. E não é só sobre pegar uma pessoa e ela ser a representatividade; é sobre dinamizar e buscar isso, porque tenho certeza que tem muita gente produzindo. E não só gente branca; tem gente preta, homens pretos, mulheres pretas, pessoas trans, indígenas, dentro e fora das minoridades de gênero… Então é sobre criar essas dinâmicas; pessoas que tem acesso, que coordenam ou que pensam esses espaços culturais e de circulação de conteúdo e pensamento que deveriam ter essa responsabilidade.

No que a epidemia do coronavírus mudou para você, tanto no lançamento do primeiro álbum quanto na criação do segundo?
Durante o lançamento de “Rolê nas Ruínas” já estávamos na pandemia. Então o que rolou para mim foi ter que repensar estratégias ou sonhos em relação à circulação, a esse movimento e assimilar essa nova realidade. Durante os primeiros meses eu não tinha uma perspectiva, organização ou planejamento de circular a não ser de continuar lançando os materiais que já estavam planejados, como o clipe de “Bem Lentinha/Slowmotion” que saiu logo depois e já era um vídeo que já estava gravado desde antes da pandemia. Então nesse período fiz algumas lives de voz e violão pelo instagram, também pelo youtube e só mais à frente consegui pensar como é que poderia ser se apresentar [desta forma], a partir do convite de alguns festivais. Eu já trabalhava com o DJ Piajay que toca comigo nas apresentações, com quem faz a luz desde a primeira Missa Negra [o nome dos shows do projeto] e então foi pensar essa apresentação com eles, com o Will e a Larissa que dançam comigo, de forma que a gente conseguisse trabalhar num formato seguro e o show tivesse esse movimento que ele merece e precisa dentro dessa nova ótica que é o espaço virtual. E em setembro do ano passado a gente entrou no processo de produzir o novo álbum. Caiô e Agno foram duas pessoas que sentaram comigo para pensar os arranjos e a sonoridade e aí a gente se reunia uma vez por semana ou de 15 em 15 dias na casa um do outro ou lugar que fosse mais propício a visitas por conta da exposição mínima. Então ficamos nos reunindo dessa forma até o ano que virou, veio fevereiro e aí entrou o lockdown de novo. Então parte desse processo aconteceu também no formato virtual. A gente demandava tarefas para serem feitas em casa individualmente e depois se reunia para ouvir os beats, para apontar caminhos, definir novas missõezinhas e partir para outra reunião. Então a gente também teve que passar por essas adaptações. Inclusive agora, porque vai rolar todo um processo de identidade visual desse novo álbum, e a gente tá nesse momento pensando estratégias de como trabalhar de forma segura, de como fazer para não perder certas ideias… Enfim, toda uma série de questões que precisam ser consideradas nesse momento: de saúde, financeira, a exposição nossa e de outras pessoas. Eu acredito que foi muito aprendizado para mim e para nós todos que participamos. Apesar de toda a loucura que é esse momento que a gente tá vivendo, sou feliz com ter descoberto a possibilidade de como continuar assim, sinceramente.

O nome do novo álbum é “Jesus Ñ Voltará”. Por quê? Qual é o conceito por trás desse nome?
Esse nome é o de uma das faixas que está no álbum. Ele foi todo construído juntando memórias minhas, compartilhadas comigo ou vivenciadas no meu território – no bairro onde nasci, na Sapiranga. Essas memórias, essa espiral, conversam muito sobre essa ocupação na área e território onde vivo, mas acho que também acabam dialogando com a vida na favela de um modo geral. E pensando sobre processos de adoecimentos dentro desses territórios por conta das precarizações de nossas vidas e corpos, e processos de cura a partir dessa nossa habitação, desse lugar da memória, desse lugar de encontrar potência dentro das nossas áreas. E aí, por conta de pensar essas coisas, a gente acaba catando, pensando e falando sobre várias ausências, pessoas e vidas que são interrompidas e que são histórias reais. Por estar trabalhando com isso, eu e toda a equipe tentamos ter o máximo de respeito por essas histórias e esse compartilhamento nesse lugar. E o nome “Jesus Ñ Voltará” não é uma crítica direta a algo cristão, quando vocês ouvirem vão entender. Mas é de pensar a partir de uma ausência sobre a nossa própria presença. E a possibilidade de rearticular a nossa continuidade, a nossa passagem aqui, pensando como nós: pessoas que vivem na favela nesse Brasil afora.

Ouvi dizer que você terá convidados nesse novo álbum. Quem são?
Sim, esse álbum tem algumas participações. Além dos projetos do Agê e Outragalera (representados pelo Agno e o Caiô que estão fazendo os arranjos e compondo comigo), tem feat. da Jup do Bairro, da Má dame, Big Léo e da Brisa Flow. Tem dois guitarristas convidados, que é o Rodrigo Brasil, de Sobral e o Theuzitz, de São Paulo. Fora isso tem feat. da Mumu, cantora daqui de Fortaleza. Ela, a Jocasta e a Bianca Ellen compõem o coro de vozes e backing vocals de algumas faixas do álbum.

Em maio, você anunciou um Apoia-se para o lançamento do novo disco. Quais são as recompensas desse esquema? E ele vai estar no ar até quando?
As recompensas são várias. Além do vinil, tem duas oficinas: uma de mixagem com o Guilherme Mendonça, onde também vamos abrir bastante do processo do álbum, e uma de dança com Ângelo William, que é um dos dançarinos do show do álbum “Rolê nas Ruínas”. Tem colagem da artista Alexia do projeto Colagem Negra, tem trabalho artevisual do Blackout (que é o Helder Carlos), tem bordado da Borda Dinha, fotografia do Leo Sila (o Leo Desconectado), tem crochê da Vitória Maria do projeto Avia Handmade – tanto uma bolsa em crochê quanto uma arte em crochê exclusiva da campanha. Talvez eu esteja até esquecendo alguma coisa. Fora isso tem ingresso para o show de lançamento. Você também pode contratar um show do Fazeno Rock! Enfim, tem um monte de recompensas. E a campanha fica no ar até o dia 06 de julho.

Além do lançamento do “Jesus Ñ Voltará”, quais os outros planos que você tem?
Por ora o plano é finalizar o disco. Com ele vem um material audiovisual bem incrível. Nem foi realizado ainda mas já acredito que vai vir uma coisa foda. E pensar um show de lançamento. Desta vez tenho muita vontade de fazer um show como esse álbum merece: com as backing vocals, com uma banda, todos os recursos que são necessários para que o show aconteça. Ainda estou estudando as possibilidades e entendendo esses caminhos, mas por ora são essas as metas e objetivos. Enfim, seja esse show presencial ou não, ele é um dos planos. E aí mais à frente a gente vai vendo outras coisas, singles e outros trabalhos que estão sendo desenrolados em paralelo também.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Entrevista: Olívia de Amores fala de seu primeiro disco, “Não É Doce”

*Matéria originalmente publicada no site Scream & Yell.
Cantora, guitarrista e compositora amazonense de Manaus, Olívia de Moraes ficou quase 10 anos à frente do power trio de rock alternativo Anônimos Alhures. Depois de shows e participações em festivais locais, a promissora banda deixou registrado um único disco – “A Maquinaria Começou a Rodar”, lançado de forma independente em 2015.

No fim de 2016 e começo de 2017, com a morte da bisavó – também chamada Olívia –, o falecimento de uma amiga e o término de um longo relacionamento, a musicista resolveu remexer no baú de canções que criou desde a adolescência e não pretendia encaixar no repertório de sua banda. Para separar suas personas, Olívia de Moraes então tornou-se Olívia de Amores e passou a planejar um disco solo.

Autodidata nas seis cordas, ela foi aprendendo outros instrumentos, como baixo, percussão, sintetizadores e ainda produção musical. Motivada por experiências amargas mas que também trouxeram amadurecimento, Olívia lançou de forma independente em 2020 o resultado de seu extenso processo de luto pessoal: o álbum “Não É Doce”, produzido por Bruno Prestes e masterizado por Steve Fallone – vencedor de um Grammy que já trabalhou com grandes nomes como Strokes, Tame Impala e Kacey Musgraves.

Inspirada por referências díspares e ao mesmo tempo complementares como St. Vincent, PJ Harvey, Letrux, Cícero (em “Canções de Apartamento”), Carne Doce, Mademoiselle K e Land Of Talk, Olívia de Amores invoca durante as 10 faixas de “Não É Doce” linguagens do rock, mpb, citações ao brega nortista, electro-rock e arranjos shoegaze na guitarra.

Porém, assim como todas as pessoas ao longo de 2020, Olívia teve de enfrentar um obstáculo inesperado para a promoção de seu trabalho: o coronavírus. E especificamente de forma mais pessoal com a crise sanitária no estado do Amazonas, culminando com a perda de mais um parente: a avó Glória pelo Covid-19, em fevereiro deste ano.

Mesmo com todos os percalços, Olívia segue seu caminho como uma artista muito consciente de sua obra e de seus significados, despontando como um dos principais nomes da cena independente do Norte do Brasil. Em entrevista ao Scream & Yell, ela rememora os anos com a banda Anônimos Alhures e conta mais sobre o processo de criação de sua estreia solo e de seus excelentes videoclipes. Com vocês, Olívia de Amores.

Você ficou à frente do Anônimos Alhures por quase 10 anos. O que te levou a virar artista solo?
A introspecção me levou à carreira solo. Sempre vinculei o fato de ter banda à vivência de palco e a vida me colocou numa bifurcação ali em 2016: ou eu tentava reunir alguma energia pra manter a banda – e todo trabalho que isso envolve, tanto em marcar reuniões, ensaios, articular coisas coletivamente, quanto a energia de subir num palco mesmo – ou eu guardava o pouquinho de energia que eu tinha, combinava com o tanto de mágoa em que eu tava imersa e me dedicava a um trabalho mais íntimo. A segunda opção virou a única alternativa, no fim das contas. Pesou também uma vontade de me desvencilhar do compromisso de fazer algo bom e fazer dar certo. Em uma banda você simplesmente tem que assumir que investir em um potencial fracasso é submeter os teus companheiros à mesma bad.

“Não É Doce” traz duas músicas do Anônimos Alhures: “La Cancionera” e “Brado Apocalíptico”. Por que você resolveu regravar essas canções?
Durante os meus 10 anos de banda, tive meus melhores momentos de descoberta como musicista, mas também tive muita frustração de não poder gravar as coisas da melhor forma, como tinha composto na minha cabeça, com os arranjos e a intenção que eu tinha, por questões financeiras mesmo. No meio do processo de fazer o projeto solo, me deu vontade de tocá-las e me dei essa oportunidade de regravar com alguma intenção criativa mais original. Dei uma ressignificação para algumas delas em um momento de mais intimidade. E me contive para não refazer mais nenhuma pois seria apenas um ‘Anônimos Alhures chique’. Preferi diversificar depois.

O disco da Anônimos Alhures parece ter uma pegada mais guitarrística, enquanto que no seu as faixas seguem uma linguagem mais pop. Você concorda com isso?
Concordo em partes. Na Anônimos Alhures eu estava em um formato de trio. Eu era a única guitarrista e a única vocalista. Isso impunha na minha guitarra a função e responsabilidade de me desdobrar para fazer todos os arranjos possíveis, nos quais eu fazia solo e base. Talvez por isso pareça ser mais rock ou guitarreiro. Mas no meu projeto, pego essa ideia e não canalizo apenas na guitarra; eu consigo viver essa ideia em vários corpos. Um solo que eu pensei originalmente para a guitarra mas com um timbre diferente, eu simplesmente faço num sintetizador, não preciso fazer numa guitarra. Assim posso ser seis pessoas, sete, oito e tudo bem, o estúdio permitia isso. E no palco agora com uma nova formação também.

A capa do álbum traz você com uma espécie de monstro te abraçando. De onde saiu essa ideia e qual o significado dela?
Todos vão saber o que ele significa e seus motivos em breve, após o lançamento do curta-metragem do álbum, em que o monstro é um dos personagens. Ele simboliza alguns sentimentos densos, um pouco depressivos, que estão ali o tempo todo, pegando no teu pescoço e se alternando na vida e te substituindo em algumas coisas de uma forma metafórica, na forma de agir e reagir. Mas as pessoas vão ter uma noção mais contextualizada disso tudo quando sair o filme.

“Não É Doce” foi produzido pelo Bruno Prestes. Como acha que ele influenciou no som do álbum?
O Bruno me conheceu na minha pior forma: mixando o áudio de um dos piores (se não o pior) shows que já fiz. Era um festival em outro município, o baterista não tinha chegado a tempo, tive que brigar pelo direito de tocar sozinha e ele apareceu, já depois dos meus primeiros acordes. Por causa do estresse, bebi muito, fiquei com raiva e cantei do jeito que dava. Bruno ainda assim gostou de mim, mesmo depois do trabalho que dei pra ele na edição. Pra mim isso era apostar mesmo no meu trabalho, acabou me incentivando muito. E ele é uma referência aqui em Manaus, cantor, guitarrista e compositor de uma banda que inspirou muito amazonense roqueiro, a Several. Desse acaso, ficamos conhecidos e depois firmamos essa amizade com as gravações.

O disco foi masterizado por Steve Fallone, um grande nome estrangeiro. Como aconteceu isso?
O Fallone veio pela pesquisa e pelo momento em que o dólar ainda era possível. Apesar de um contato bem raro, de conversar mesmo com ele, acabou que no final também ficou mais pessoal a relação, e ele falou que gosta muito das minhas músicas. Fiquei muito feliz, valeu demais.

O álbum tem até o momento sete clipes, um jogo para celular e também tem o filme que vai sair em breve. Você sempre pensa nas suas criações desta forma multimídia?
Eu acho que já componho bem “multimídia”. Ou melhor, de uma forma meio sinestésica. Por exemplo, “Abisso” compus a partir de imagens mentais sobre o que seria viver numa fossa abissal; “Janela Remota” fiz como se ela fosse um filme e a música um roteiro; “Só Vamo” compus de uma forma 8bit, como se fosse um game (já imaginando que seria um game).

Eu até ia comentar sobre o clipe de “Só Vamo” e o jogo relacionado “Super Maria Sis” (disponível na Play Store). Durante a coisa toda você passa por umas paredes com umas frases homofóbicas, uns bolsominions, mas ao mesmo tempo tem alguma leveza ali.
Essa é justamente a minha música 100% feliz e bem curta. Não sei falar muito sobre coisa alegre. Eu sou uma pessoa alegre, mas quando se trata de música, não é um sentimento muito rico ou motivador. Eu acho que a alegria é autoexplicativa, mas as coisas que a gente vive de perda, de luto, elas requerem mais análise, mais reflexão e mais notas, tons e palavras para materializar e entender. Mas nessa foram dois feitos em uma música só: sempre quis fazer uma música curta e nunca consegui, pois sou muito prolixa falando e até na guitarra. Quando fiz “Só Vamo”, com essa objetividade, todo aquele rush de amor gay, quis metaforicamente pular por cima de bolsominion mesmo, dizendo “eles não vão nos atingir”. E foi uma coisa muito legal de fazer. É gay pra caramba, é bem sapatão!

Então todas essas obras se complementam ou isso foi feito meio que por acidente?
Não existem acidentes (risos). Tenho uma lógica (que nunca vou compartilhar com ninguém) do encadeamento de todas essas músicas nas minhas obras visuais que vão se aperfeiçoar com o lançamento do curta-metragem. Existem pequenos easter eggs que eu coloquei de uma forma consciente em cada vídeo (que prefiro chamar de “faixas-vídeo”). Então fazer “Não É Doce” foi um exercício de tudo isso junto. Gosto de pensar os vídeos desse álbum, junto com o curta, como uma parte inerente à composição, não como uma consequência, uma divulgação ou uma estratégia de marketing.

Pode-se dizer que muitas faixas do álbum são baseadas no sentimento de perda e infelizmente estamos passando por um momento de muitas perdas no país, com Manaus sendo o centro disso. Sendo uma artista manauara, como isso tem influenciado nas suas criações ou na forma como você está tocando a divulgação do seu trabalho?
Tem influenciado minhas ‘crianças’ da forma radical: não tenho criado. É quase como uma penitência, abstinência natural, falta de vontade criativa. E é estranho, porque as circunstâncias que me levaram a “Não É Doce” eram as piores, na minha vida íntima. É uma dor diferente da que experimentamos sendo brasileiros e testemunhando um apocalipse sem data pra terminar. Me vi em uma posição de culpa toda vez que algo de bom ou interessante acontecia na carreira, então me calei. Eu sei que arte ajudou muita gente nesse período, e meu álbum tava lá pra dar essa força pra quem pudesse aproveitar. Mas falar de carreira me parecia um tanto egoísta, vaidoso ou superficial. Até hoje é difícil sair disso, mas já há mais esperança. Sinto que tem uma energia maior que eu, me puxando externamente pra arte. E é bom, são pequenos resgates. A participação no Labsônica foi isso pra mim, me instigou a um desafio no meio do desespero. Agora, a live do Itaú Cultural me tira da zona de conforto. Aos poucos me sinto mais forte enquanto artista e enquanto sobrevivente do caos.

E quais são os próximos passos e novidades para essa live do Palco Virtual no Itaú Cultural no dia 17/06? Dá pra esperar algo como o vídeo feito todo em loops com você tocando todos os instrumentos que rolou no Festival Labsônica?
No Festival Labsônica estávamos em um momento sanitário mais crítico que agora. Então para o Itaú Cultural decidi fazer um showzinho mais tradicional, mesmo, com três amigos, poucos ensaios e zero contato físico. Isso significa menos loops e solidão, mas mais experiência compartilhada.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Entrevista: Band of Skulls

*Matéria originalmente publicada no site Scream & Yell.


“Porque para onde estamos indo é uma incógnita”. O refrão do single “Asleep At The Wheel” define em parte o sentimento durante o processo de criação de “Himalayan”, o terceiro disco de estúdio da Band of Skulls, lançado em março deste ano. Ensaiado exaustivamente e depois aprimorado com a produção de Nick Launay (que já trabalhou com Arcade Fire, Yeah Yeah Yeahs, Gang of Four e Talking Heads), o repertório do grupo embarcou em uma viagem por técnicas de gravação e novos arranjos em busca de uma evolução. “Trabalhando com Nick, as músicas podem mudar totalmente. Era fascinante ver como elas poderiam evoluir”, conta o vocalista e guitarrista Russel Marsden em entrevista por telefone ao Scream & Yell.

Formado por Marsden, Emma Richardson (baixo, vocais) e Matt Hayward (bateria), o trio de Southampton (Inglaterra) está na ativa desde 2004. Russel e Matt são amigos desde a infância e passaram por algumas bandas até conhecerem Emma na Winchester School of Art. Com o nome Fleeing New York, o trio lançou “AOK”, EP que teve algum sucesso na cena indie do Reino Unido. Mas à medida que a banda amadurecia musicalmente e a influência de blues e garage rock ficava mais evidente, os três amigos sentiram a necessidade de mudar de nome para Band of Skulls em novembro de 2008.

E a mudança de nome pareceu dar sorte: em março do ano seguinte, o iTunes escolheu a faixa “I Know What I Am” como o single da semana. O chamariz do single precedeu o elogiado disco de estreia “Baby Darling Doll Face Honey”, lançado em abril de 2009 pelo selo Shangri-La e produzido por Ian Davenport (Supergrass e Badly Drawn Boy). No mesmo ano a banda teve a música “Friends” incluída na trilha do filme “Lua Nova”, da Saga “Crepúsculo”.

Após passar o resto de 2009 e 2010 em turnê pela Europa e Estados Unidos, abrindo shows de Black Rebel Motorcycle Club, Dead Weather e Muse, a banda voltou ao estúdio para trabalhar no segundo disco. “Sweet Sour” veio em fevereiro de 2012 e a popularidade do grupo cresceu ainda mais – principalmente por conta da participação em festivais e trilhas de séries como “True Blood” e “Gossip Girl”, além de jogos como “Guitar Hero”, “Rock Band”, “Fifa World Cup 2010” e “Gran Turismo 5”.

Seguindo como banda de abertura de nomes consagrados como Red Hot Chili Peppers, Queens of the Stone Age, Soundgarden e Black Keys, a Band of Skulls se especializou em fazer shows considerados pesados para uma banda com apenas três pessoas. O desafio em “Himalayan” era conseguir recriar esse tipo de som em disco, e o processo ajudou a desenvolver a própria identidade da banda, como explica Marsden abaixo.



Como está indo a turnê até agora?
A turnê tem sido incrível. É muito legal voltar a tocar para a América, onde começamos a fazer turnês de verdade e o nosso novo álbum de certa forma foi concebido para ser tocado ao vivo. E agora que temos três discos, nossos shows são os melhores que já fizemos. É emocionante poder tocar todos os dias, então estamos realmente gostando.

Em “Himalayan”, as canções parecem mais pesadas em comparação aos discos anteriores, mas no novo trabalho também aparecem momentos mais viajantes, como em “Cold Sweat” e “Get Yourself Together”. No que este álbum é diferente dos anteriores?
Acho que agora temos muito mais confiança e isso torna as coisas mais fáceis para nós. Você passa a conhecer o seu próprio som e a se arriscar para fazer algo diferente. E é isso que estamos tentando fazer: não há sentido em se repetir, então experimentamos alguns sons diferentes, várias outras formas de gravação e as músicas foram muito além do que esperávamos, com várias mudanças nos arranjos ao longo das finalizações. Gravar um disco e fazer um show são duas coisas muito diferentes: as músicas já estão evoluindo para novas versões à medida que começamos a tocá-las ao vivo, e acho que isso é um bom sinal.

Como vocês começaram a escrever as músicas? Existe algum tipo de processo padrão na hora de compor?

Tivemos que mudar a maneira que nós fazemos nossos álbuns. Desta vez a ideia era ficar em Londres e não recluso em um lugar qualquer. Basicamente, passamos a trabalhar no disco todos os dias e, em seguida, tudo seria ouvido novamente em casa, com outra percepção. E nós continuamos a fazer isso por todo o processo de gravação do álbum e algum tempo após as sessões também. Tudo foi feito em Londres: composição, ensaios e gravações e acho que a cidade acabou sendo um elemento extra ao disco. É uma cidade grande e lá há uma energia que não encontraríamos se fôssemos gravar isolados em um estúdio no interior, como fizemos anteriormente. Então acho que isso é o que mudou neste disco. Posso ouvir a mudança na forma que trabalhamos neste disco. E essa foi a grande mudança. Além, claro, de contarmos com um novo produtor: trabalhamos com Nick Launay neste álbum. Então ele trouxe suas contribuições também.

Existe algum conceito por trás da arte da capa de “Himalayan”?
Para este disco nós trabalhamos com um especialista em arte digital de Nova York. Ele usou as ondas sonoras da música “Himalayan” para criar uma imagem 3D a partir das frequências. Ficou de uma forma que a capa deve representar a música visualmente, como se fosse “em carne e osso”.


E o que Nick Launay trouxe para sua música?
É fácil ver agora; naquele momento, era como ter mais alguém na banda, aquele momento excitante. No segundo álbum, “Sweet Sour”, Nick chegou a mixar as faixas. Mas desta vez, ele veio a Londres e trouxe algumas grandes ideias e ajudou a nos sentir mais confortáveis com nós mesmos. Ele sempre fala sobre sensações e não sobre técnicas musicais; ele fala como a música deve ser sentida. Ele vem com algumas ideias e nos desafia a nos colocar em lugares diferentes. Nick trabalha muito rapidamente, então não é possível parar para analisar as coisas, apenas registrá-las. Ele capturou aqueles momentos e foi ótimo. Ele é um grande personagem e ele trouxe a sua personalidade para o álbum. Acho que o que ele nos deu foi confiança, e foi ótimo trabalhar com ele.

Quanto tempo vocês levaram para terminar o disco?
Não foi muito tempo, na verdade. Provavelmente alguns meses. Passamos mais tempo compondo e trabalhando nas músicas do que gravando. Nós realmente trabalhamos duro nesta parte. E nós evoluímos muitas destas músicas fora dos ensaios. Trabalhando com Nick, elas podem mudar totalmente de novo. Era fascinante ver como elas poderiam evoluir. Mas, para nós, quanto mais rapidamente você gravar, melhor. Porque tudo se trata da captura de um momento. Sempre se gasta muito tempo para fazer um disco e é muito estressante, mas no final estamos muito aliviados quando terminamos. Todo o tempo gasto vale a pena.

O que demanda mais tempo para a banda: escrever as letras e as canções ou gravar as partes de cada um?
Nunca temos nada totalmente pronto e nunca é possível ter certeza de que foi tudo concluído, por isso há sempre um refrão e uma letra faltando, e eu acho que isso que dá excitação ao processo. Algumas das letras finais foram escritas quando toda a faixa já estava sendo gravada. Acontece algo natural nestes momentos, porque você está sob pressão e tem que terminar a canção. Algumas vezes, não ter muito tempo disponível te dá aquela inspiração para letras e é a mesma coisa para as partes instrumentais, quando você tem que fazer um solo ou outra parte na canção: basta fazê-lo e não pensar muito sobre isso. Apenas pressione “rec” e veja o que acontece.



Algumas canções da banda tem um sentido obscuro, mas também é possível enxergar um pouco de humor em títulos como “I Feel like ten men, nine dead and one dying” e “you aren’t pretty but you got it going on”. É uma dualidade interessante.
Obrigado (risos)! “I Feel like ten men, nine dead and one dying” é uma frase que meu bisavô costumava dizer quando estava mal-humorado. Para nós, a música não é apenas uma coisa só, deveria cobrir todos os aspectos. Escrevo letras que poderiam se passar naquele “lugar escuro”, mas proceder sempre assim pode ser chato e melancólico demais. Gosto quando há algo mais profundo, para fazer com que as pessoas pensem ou até mesmo deem risada. É disso que a música se trata. Se é um título diferente e faz com que a canção seja original de alguma forma, ficamos felizes com isso.

A Band of Skulls no início se chamava Fleeing New York. O que fez vocês mudarem e de onde surgiu o novo nome?
Foi um momento de transição; nós queríamos mudar e ainda não tínhamos um nome. Nós começamos a escrever canções que se tornariam o primeiro disco da Band of Skulls e naquele tempo tocávamos em uma noite de um clube em Londres, na qual dividíamos com outras bandas e DJs. Do lado de fora do local, havia uma imagem inspirada na caveira de Hamlet. Nós gostamos da imagem do crânio e decidimos incorporá-la no novo nome. Band of Skulls parecia ser um título adequado e assim ficou, com um sentido totalmente novo, fazendo a música que queríamos fazer. Pode ser um nome simples, mas este nos pareceu mais natural e livre para seguir com a nossa nova proposta de som.

Vocês já apareceram em trilhas sonoras de filmes e jogos. Esse é um tipo de publicidade que vocês buscaram ou foi algo que aconteceu por meio de acordos da gravadora?
Antes de tudo, nós ainda somos basicamente uma banda independente. Nós nunca assinamos com uma grande gravadora. Temos um acordo no qual somos parceiros de companhias para licenciar nossos discos. Essa é a situação: temos total controle criativo, mas ainda temos de trabalhar de forma independente para fazer com que nossa música atinja as pessoas, então tentamos ao máximo divulgá-la. Estamos sempre à procura de outras maneiras de alcançar as pessoas, como tocar em programas de TV, participar de trilhas de filmes ou qualquer outra coisa. Se o rádio e outros meios de comunicação tornam-se mais difíceis de atingir, eu acho que a música precisa encontrar novos lugares para ser ouvida. É isso que faz com que seja viável manter uma banda: chegar até novas pessoas. E somos muito abertos em relação a isso.

Quais são os planos futuros? Alguma previsão de visitar o Brasil em um futuro próximo?
Vamos fazer uma turnê por três meses para promover o novo álbum. Vamos terminar a turnê americana e temos alguns festivais de verão na Inglaterra, como o Glastonbury e depois um show no Brixton Academy. Sairemos em turnê novamente no outono e devemos fazer mais alguns shows perto do ano-novo. Ao mesmo tempo, temos que nos planejar para trabalhar nas músicas que devem fazer parte do próximo disco. Já temos algumas novas, porque há sempre alguma ideia que não tivemos tempo de finalizar para colocar no álbum e acabamos trabalhando nelas depois. Então há bastante coisa a ser vista. Mas acho que seria um bom momento para voltar à América do Sul, pois agora temos três álbuns e seria ótimo tocar em alguns shows por aí. Viajamos para a América do Sul pela primeira vez no final do ano passado e tocamos na Argentina, mas o Brasil é uma possibilidade que nós definitivamente também gostaríamos de realizar. Faz parte da nossa wishlist por um longo tempo e agora nós sentimos que é mais possível do que antes. Mas como somos uma banda independente, não é só chegar e fazer, temos que planejar. Espero que possa acontecer logo, então meus dedos estão cruzados para isso!







segunda-feira, 31 de março de 2014

LOLLAPALOOZA PERFIL - New Order

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Um dos grupos mais importantes do pop inglês, o New Order volta ao Brasil pela quarta vez para fechar com chave de ouro o Lollapalooza Brasil 2014. Com uma sonoridade própria, misturando rock com música eletrônica e ritmos que se popularizaram na dance music, o grupo produziu vários hits dos anos 1980, como "Blue Monday", "The Perfect Kiss" e "Bizarre Love Triangle".

Formado em Manchester (Inglaterra), o New Order nasceu das cinzas de outra banda bastante influente: a Joy Division , cuja carreira foi interrompida com o suicídio do vocalista Ian Curtis, em maio de 1980. Os membros remanescentes - Bernard Sumner (guitarra e voz), Peter Hook (baixo e voz) e Stephen Morris (bateria) - decidiram continuar a tocar juntos e após algumas apresentações ao vivo como trio, Gillian Gilbert foi integrada à trupe para tocar teclados e guitarra. Com esta formação, o grupo mudou seu nome para New Order.

O primeiro single lançado pela banda continha duas músicas escritas ainda na frase do Joy Division: "Ceremony" e "In a Lonely Place". Em setembro de 1981, a Factory Records, gravadora independente que abrigou o Joy Division, lançou um compacto intitulado Procession, que antecedeu Movement - o primeiro álbum do New Order, lançado em novembro daquele ano, trazendo as mesmas referências sonoras e a atmosfera melancólica da Joy Division.

A partir do segundo álbum, Power, Corruption and Lies (1983), o New Order começou a se distanciar da sombra de Ian Curtis e criar músicas mais dançantes, tendo Kraftwerk, Afrika Bambaata, disco music e o produtor italiano Giorgio Moroder como influências. No mesmo ano, a banda lançou o single "Blue Monday", que vendeu mais de três milhões de cópias em todo o mundo e é considerada por muitos seguidores de música pop como a canção mais importante da cena eletrônica dos anos 1980.

Os sucessos "Thieves Like Us" e "Murder" mantiveram a banda nas paradas no ano seguinte. Apoiado pelo single "The Perfect Kiss", veio Low-life, de 1985, e Brotherhood, de 1986, trazendo o clássico "Bizarre Love Triangle". No ano seguinte foi a vez de Substance, uma coletânea de singles e remixes, que fez a banda estourar nas paradas dos Estados Unidos. Em 1988, o grupo fez sua primeira passagem pelo Brasil.



Com forte influência da acid house, o disco Technique, de 1989, trouxe os hits "Fine Time" e "Round and Round". Ainda, em 1989, Bernard Sumner formou o projeto paralelo Electronic em parceria com o ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr. E Peter Hook também formou o seu projeto, o Revenge. Após estes projetos paralelos, o New Order entrou em um breve hiato, que só foi terminar em 1993, com o disco Republic, puxado pela faixa "Regret" como principal single.

A banda entrou novamente em uma pausa, lançando um novo álbum de estúdio somente em 2001. Get Ready traz a música do grupo apontando em uma direção diferente, mais orientada pelo guitarra e fugindo um pouco do estilo eletrônico. Nessa época, Gillian Gilbert saiu da banda para se dedicar à sua filha com o baterista Stephen Morris, e em seu lugar entrou Phil Cunningham.

Em 2007, dois anos após o lançamento de Waiting For The Sirens' Call (que também contou com uma turnê que passou pelo Brasil em 2006), Peter Hook anunciou sua saída da banda e o suposto fim do New Order. Porém, Bernard Sumner e Stephen Morris negaram o fim do grupo com a saída de Hook. Somente no segundo semestre de 2011, o New Order retornou para realizar alguns shows, marcando o retorno da tecladista Gillian Gilbert à banda e a inclusão do baixista Tom Chapman, no lugar de Peter Hook. Esta formação retornou o Brasil no mesmo ano, para um show no Ultra Music Festival.

Depois de um período de oito anos sem faixas inéditas, o New Order lançou no início de 2013 Lost Sirens, um álbum composto por faixas que foram gravadas durante as sessões de Waiting for the Sirens' Call.


New Order
Quando eles tocam? No domingo, dia 6 de Abril, às 20h30.
Onde? No Autódromo de Interlagos, em São Paulo (veja mapa aqui)
Quanto custa o ingresso? R$540 para os dois dias, R$290 para um dia, R$ 690 para o Lolla Lounge VIP.
Tem estacionamento? Sim - R$50.
Como chegar de transporte público? O passageiro poderá fazer integração com a Linha Amarela do Metrô (Estação Pinheiros) para a Linha 9 (Esmeralda) da CPTM para descer na Estação Autódromo (a mais próxima do festival). Depois, o passageiro deve sair da estação Autódromo, na Rua Plínio Schmidt, seguir pela esquerda até a Rua Justino Nigro, subir a via até o fim, e estará no portão K9. Para os demais portões, os pedestres deverão seguir à esquerda pela Avenida Jacinto Júlio.

LOLLAPALOOZA PERFIL - Pixies

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Mesclando punk rock, surf music, noise e melodias pop, o Pixies foi uma das bandas mais originais que apareceram nos anos 80. Constantemente mencionada como influência ou admiração por nomes como David Bowie, Radiohead, U2, Strokes e Weezer, a fórmula de versos calmos e refrãos explosivos da banda serviu de base para que o Nirvana pudesse compor "Smells Like Teen Spirit", uma das canções mais marcantes dos anos 90. Com essas referências emblemáticas e repertório que justifica todas as reverências, o Pixies sobre ao palco Skol no segundo dia do festival Lollapalooza.

A banda foi formada em Boston, Massachusetts, no começo de 1986, por Black Francis nos vocais e guitarra base, e seu companheiro de quarto na universidade Joey Santiago na guitarra solo. Por meio de um anúncio nos classificados de um jornal local, encontraram a baixista Kim Deal, que também recrutou o baterista David Lovering. Diz a lenda que o nome Pixies ("duendes") foi tirado aleatoriamente do dicionário por Joey.

Em março de 1987, a banda gravou uma fita demo com 17 músicas em apenas três dias. O material chegou ao alcance de Ivo Watts, um dos donos do selo inglês 4AD Records. Impressionado com as canções, Watts contrata os Pixies e lança um EP chamado Come On Pilgrim, que possui oito das 17 faixas da demo original.

No ano seguinte, a banda entrou em estúdio para a gravação do seu primeiro LP, ao lado do produtor Steve Albini. Surfer Rosa é lançado na primavera de 1988, incluindo clássicos como "Bone Machine", "Gigantic" e "Where Is My Mind?" (que anos mais tarde seria utilizada na trilha sonora do filme 'Clube da Luta'). Com a boa recepção da crítica, o grupo passa a ficar mais conhecido no circuito alternativo americano e acaba trocando de selo, indo para a Elektra Records.



No final de 1988, a banda voltou ao estúdio, desta vez com o produtor inglês Gil Norton. O disco Doolittle foi lançado na primavera de 1989, e é constantemente apontado por muitos como o melhor trabalho da banda. Puxado por faixas como "Debaser", "Hey", "Monkey Gone to Heaven" e "Here Comes Your Man", o disco fez bastante sucesso e acabou entrando no Top 10 inglês.

Após o lançamento de Doolittle, Black Francis e Kim Deal começam a ter seus primeiros desentendimentos e a banda resolve fazer uma pequena pausa. Com o hiato, seus integrantes levam adiante alguns projetos paralelos: Kim Deal, ao lado de Tanya Donnevy (Throwing Muses), Josephine Wiggs (Perfect Disaster) e a irmã Kelley Deal forma o Breeders e lança o álbum Pod, enquanto Black Francis realiza uma pequena turnê solo.

Ainda em 1990, a banda volta a se reunir para a gravação de mais um disco. Bossanova é lançado no final de 1990, com "Dig For Fire" e "Velouria" entre os destaques. Mas os atritos - cada vez mais frequentes - entre Deal e Francis fazem com que a participação nos vocais da baixista fosse bastante reduzida. Em consequência, Deal chega a dizer publicamente que a banda estava no fim.

Apesar dos boatos de seu término, o Pixies se junta mais uma vez, para a gravação do disco Trompe Le Monde. Lançado em 1991, o álbum traz pérolas como "Planet of Sound", "Alec Eiffel" e "U-Mass", além de uma versão para "Head On", do Jesus & Mary Chain. Depois de abrir os shows do U2 na turnê ZooTV, a banda resolve dar uma nova parada. Deal aproveita para gravar um novo EP com o Breeders. Nesse período, Black Francis troca seu nome para Frank Black e lança seu primeiro disco solo, declarando o fim dos Pixies em uma entrevista à BBC em 1993.

Mesmo com o fim do grupo, o Pixies foi formando uma base de fãs cada vez maior - em grande parte por conta dos vários elogios recebidos por artistas como Kurt Cobain, Thom Yorke, Bono Vox e outros, além dos lançamentos póstumos como as coletâneas Death to the Pixies, The Pixies at the BBC e Complete B-Sides.

Após muita atenção tardia em torno da banda e constante especulação sobre uma reunião, o Pixies finalmente anuncia seu retorno para uma turnê mundial em 2004. Finalmente gozando do reconhecimento como uma das grandes bandas do rock mundial, o grupo marcou presença nos principais festivais estrangeiros, inclusive passando pelo Brasil, para um único show em Curitiba, em maio do mesmo ano. Ainda em 2004, o quarteto lança a música "Bam Thwok", a primeira gravação da banda em treze anos. A faixa aumenta os rumores de um novo álbum com canções inéditas, mas tais expectativas não são cumpridas.

Após um longo período fazendo turnês esporádicas somente com o material antigo - incluindo mais uma passagem pelo Brasil, durante o festival SWU em 2010 -, o Pixies anuncia a saída de Kim Deal em junho de 2013. Apenas duas semanas depois da partida de Deal, a banda lança o single de "Bagboy" e informa que Kim Shattuck (ex-The Muffs e The Pandoras) seria a substituta nas quatro cordas do grupo. Enquanto a banda estava em turnê, foi lançado um EP com o simplório título EP1. Com o fim da tour europeia, Shattuck é dispensada e substituída por Paz Lenchantin (ex-A Perfect Circle e Zwan). Com a nova baixista (até então apenas como membro não-oficial contratado para shows), o Pixies anuncia mais datas para 2014 e o lançamento de mais dois EPs, que formam Indie Cindy, o primeiro disco de material inédito da banda desde Trompe Le Monde, a ser lançado em abril deste ano.


Pixies
Quando eles tocam? No domingo, dia 6 de Abril, às 17h35.
Onde? No Autódromo de Interlagos, em São Paulo (veja mapa aqui)
Quanto custa o ingresso? R$540 para os dois dias, R$290 para um dia, R$ 690 para o Lolla Lounge VIP.
Tem estacionamento? Sim - R$50.
Como chegar de transporte público? O passageiro poderá fazer integração com a Linha Amarela do Metrô (Estação Pinheiros) para a Linha 9 (Esmeralda) da CPTM para descer na Estação Autódromo (a mais próxima do festival). Depois, o passageiro deve sair da estação Autódromo, na Rua Plínio Schmidt, seguir pela esquerda até a Rua Justino Nigro, subir a via até o fim, e estará no portão K9. Para os demais portões, os pedestres deverão seguir à esquerda pela Avenida Jacinto Júlio.

LOLLAPALOOZA PERFIL - Muse

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Com vinte anos de carreira e seis discos de estúdio na bagagem, o Muse é a principal atração da primeira noite do festival Lollapalooza. Esta é a quarta passagem de Matthew Bellamy (vocal, guitarra e piano), Christopher Wolstenholme (baixo, voz e teclado) e Dominic Howard (bateria e percussão) pelo Brasil, como parte da The Unsustainable Tour.

Formado em 1994 em Teignmouth, Devon (Reino Unido), o Muse teve início quando Bellamy fez um teste para guitarrista na banda de Dominic Howard e a dupla convocou Chris Wolstenholme para tocar baixo. Batizado como Rocket Baby Dolls, o trio saiu vitorioso de uma competição de bandas locais e em seguida mudou seu nome para Muse - inspirado pelo professor de arte de Matt Bellamy.

Em 1998, depois da gravação de dois EPs, o grupo atraiu atenção de uma rádio britânica e da conceituada revista de música inglesa NME. Citando como influência o disco Nevermind do Nirvana (a banda chegou a tocar versões de "School" e "Endless Nameless" em shows) e Jeff Buckley (impossível ouvir o vocal de Bellamy e não pensar em um Buckley ou Thom Yorke mais choroso), o Muse começou a fazer uma série de apresentações pelos Estados Unidos. Foi durante essas viagens que o trio assinou com a Maverick Records, a gravadora de Madonna. Por ela saiu o primeiro álbum de estúdio da banda, intitulado Showbiz, em 1999. Logo após o lançamento, o grupo saiu em turnê novamente pelos Estados Unidos, acompanhado pelo Red Hot Chili Peppers e Foo Fighters. Durante os anos de 1999 e 2000, o Muse tocou em todos os grandes festivais da Europa e Austrália.

Em Origin of Symmetry, de 2001, a banda decidiu adicionar mais instrumentos à tônica do grupo, contando com arranjos que incluíam órgão, mellotron e um novo kit de bateria. Após desentendimentos com a gravadora por conta dos vocais do novo disco - considerados cada vez mais exagerados por parte dos executivos da Maverick -, o Muse fechou um novo acordo com a Warner Records. Origin of Symmetry contém os primeiros grandes hits do Muse: "Plug In Baby", "New Born" e a versão de "Feeling Good".

Em 2003 veio o disco Absolution, produzido por Rich Costey. O álbum trouxe singles de sucesso como "Time Is Running Out" e "Hysteria", com o Muse saindo para uma turnê internacional com shows lotados em países como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá e França.



Em julho de 2006, o Muse lançou seu quarto álbum de estúdio, intitulado Black Holes and Revelations. Catapultado pelo single "Supermassive Black Hole", o álbum ficou em primeiro lugar nas paradas no Reino Unido, parte da Europa e na Austrália. O disco também foi um sucesso nos Estados Unidos, chegando ao número 9 nas paradas da Billboard 200. Black Holes and Revelations foi nomeado para um Mercury Music Prize, mas perdeu para o Arctic Monkeys. Em 2008, ainda em turnê pelo disco, o grupo se apresentou pela primeira vez na América Latina, passando por México, Colômbia, Argentina, Chile e Brasil (com shows no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília).

Em setembro de 2009, veio The Resistance, com "Uprising" como primeiro single. A música de trabalho apontava que o som do Muse estava cada vez mais pop, se distanciando das guitarras pesadas e utilizando instrumentos como o keytar. A nova direção na sonoridade do grupo culminou em um prêmio Grammy de Melhor Álbum de Rock. Em 2010, a banda lançou o single de "Neutron Star Collision (Love Is Forever)", da trilha sonora oficial do terceiro filme da Saga Crepúsculo, Eclipse.

O Muse retornou ao Brasil em abril de 2011, como banda de abertura do U2 na 360° Tour, com três shows em São Paulo, no estádio do Morumbi. No ano seguinte, o grupo lançou o sexto disco, intitulado The 2nd Law. Impulsionado pela canção "Survival" - música oficial dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012 - o álbum estreou nas primeiras posições das paradas dos mais vendidos em mais de uma dúzia de países, se tornando um grande sucesso de público e crítica tanto na América do Norte como na Europa.

Em setembro de 2013, o Muse realizou sua terceira passagem pelo Brasil, marcando presença como uma das principais atrações do Rock in Rio. Atualmente, o grupo trabalha em um novo disco com data prevista para lançamento em 2015.


Muse
Quando eles tocam? No sábado, dia 5 de Abril, às 21h30.
Onde? No Autódromo de Interlagos, em São Paulo (veja mapa aqui)
Quanto custa o ingresso? R$540 para os dois dias, R$290 para um dia, R$ 690 para o Lolla Lounge VIP.
Tem estacionamento? Sim - R$50.
Como chegar de transporte público? O passageiro poderá fazer integração com a Linha Amarela do Metrô (Estação Pinheiros) para a Linha 9 (Esmeralda) da CPTM para descer na Estação Autódromo (a mais próxima do festival). Depois, o passageiro deve sair da estação Autódromo, na Rua Plínio Schmidt, seguir pela esquerda até a Rua Justino Nigro, subir a via até o fim, e estará no portão K9. Para os demais portões, os pedestres deverão seguir à esquerda pela Avenida Jacinto Júlio.

LOLLAPALOOZA PERFIL - Jake Bugg

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Jake Edwin Kennedy - mais conhecido pelo nome artístico Jake Bugg - é uma das atrações do segundo dia da edição brasileira do festival Lollapalooza. O cantor e compositor inglês sobe ao palco Interlagos às 19h do domingo (6 de abril), trazendo seu som que mistura elementos de rock, folk, blues e country.

Bugg nasceu em Nottingham, em 28 de fevereiro de 1994. Filho de um enfermeiro e uma vendedora que também tinham habilidades musicais, Jake começou a tocar guitarra aos 12 anos, depois de ser apresentado ao instrumento por um tio. Mostrando um talento precoce para a música, foi matriculado em um curso de tecnologia musical na cidade de Clifton, mas aos 16 anos resolveu sair, pois segundo ele mesmo, "não é bom em teoria quando se trata de música". Após sair do colégio, continuou compondo suas próprias músicas, influenciado por Beatles, Johnny Cash, Oasis, Donovan, The Everly Brothers e Jimi Hendrix.

Com apenas 17 anos, Bugg foi escolhido pela rádio BBC para se apresentar no palco de "novos talentos" no Festival de Glastonbury, em 2011. Essa apresentação rendeu um contrato com a gravadora Mercury Records e a música "Country Song" acabou sendo usada em um comercial de cerveja.

Enquanto seu álbum de estreia não ficava pronto, Bugg lançou singles para as canções "Trouble Town", "Country Song", "Taste It", "Two Fingers" e "Lightning Bolt" - a última alcançando a 26.ª posição na a UK Singles Charts, a tabela musical do Reino Unido. Os singles chamaram a atenção do público e crítica, a ponto de "Lightning Bolt" ser uma das músicas escolhidas para ser tocada durante a cerimônia dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012.

O primeiro álbum, intitulado simplesmente Jake Bugg, foi lançado em outubro de 2012. Aclamado pela crítica, Bugg chegou a ser apelidado pela imprensa como "o novo Bob Dylan". Em uma entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph, Bugg respondeu à comparação dizendo "Bob Dylan é legal, você sabe, ele é ótimo, mas não é uma grande influência minha".



Exageros à parte, o disco de estreia de Bugg no mínimo superou todas as expectativas: após uma semana de seu lançamento, o registro já ocupava a primeira posição nas tabelas de álbuns do Reino Unido e da Escócia. Nos Estados Unidos, o álbum alcançou a 75.ª posição na Billboard 200, vendendo pouco mais de 6 mil cópias na primeira semana. O disco já vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo e ainda rendeu o lançamento de mais dois singles: "Seen It All" (exaustivamente tocada nas rádios rock brasileiras) e "Broken".

Em novembro de 2013 veio o segundo álbum, Shangri La - batizado pelo nome do estúdio em que o disco foi gravado. Para este registro, Bugg afirmou ter buscado uma continuação do trabalho anterior, mas incluindo influências de Neil Young e Nick Drake em algumas faixas. Entre os convidados para as gravações do disco, figuram Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers) e músicos que tocaram com Johnny Cash.

O novo trabalho trouxe os singles "What Doesn't Kill You", "Slumville Sunrise", "A Song About Love" e "Me And You". Shangri La já recebeu certificado de ouro no Reino Unido pelas vendas de mais 200 mil cópias. Jake também já anunciou o lançamento de um novo EP, chamado Messed Up Kids, marcado para maio deste ano.


Jake Bugg
Quando ele toca? No domingo, dia 6 de Abril, às 19h00.
Onde? No Autódromo de Interlagos, em São Paulo (veja mapa aqui)
Quanto custa o ingresso? R$540 para os dois dias, R$290 para um dia, R$ 690 para o Lolla Lounge VIP.
Tem estacionamento? Sim - R$50.
Como chegar de transporte público? O passageiro poderá fazer integração com a Linha Amarela do Metrô (Estação Pinheiros) para a Linha 9 (Esmeralda) da CPTM para descer na Estação Autódromo (a mais próxima do festival). Depois, o passageiro deve sair da estação Autódromo, na Rua Plínio Schmidt, seguir pela esquerda até a Rua Justino Nigro, subir a via até o fim, e estará no portão K9. Para os demais portões, os pedestres deverão seguir à esquerda pela Avenida Jacinto Júlio.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cypress Hill faz apresentação única em São Paulo

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Um dos mais populares grupos de rap de todos os tempos, o Cypress Hill faz show único no Brasil nesta quarta-feira (dia 27) no Espaço das Américas, em São Paulo. A última vez que o grupo se apresentou no país foi em 2011, para divulgar o álbum Rise Up, de 2010.

A apresentação faz parte da turnê sul-americana Insane In The Mente, que celebra os 20 anos de lançamento de Black Sunday, seu álbum mais aclamado e que consagrou definitivamente a trupe. A abertura da noite fica por de Edi Rock, um dos membros fundadores do grupo de rap Racionais MC's.

O Cypress Hill vendeu cerca de 18 milhões de cópias de seus discos ao redor do mundo, sendo o primeiro grupo latino de Rap a alcançar o primeiro lugar da Billboard e conquistar um disco de platina dupla com Black Sunday, em 1993. O grupo também venceu três Grammy Awards de Melhor Performance de Rap por Grupo ou Dupla: por "Insane in the Brain", em 1994; por "I Ain't Goin' Out Like That", em 1995; e por "Throw Your Set in the Air", em 1996.

Formado em South Gate, California, o Cypress Hill surgiu com Senen Reyes (Sen Dog) e Ulpiano Sergio Reyes (Mellow Man Ace), irmãos cubanos que migraram com a família para os Estados Unidos em 1971. Em 1988, os dois irmãos uniram-se a Lawrence Muggerud (DJ Muggs) e Louis Freese (B-Real) para formar um grupo de hip-hop chamado DVX (Devastador Vocal Excellence). Com a saída de Mellow Man Ace, o grupo logo mudou seu nome para Cypress Hill.

Depois de gravar uma demo em 1989, o Cypress Hill assinou um contrato com a gravadora Columbia Records. Seu primeiro álbum, auto-intitulado, foi lançado em agosto de 1991. O disco chegou a vender dois milhões de cópias somente nos EUA e o grupo fez sua primeira aparição no Lollapalooza em 1992.

Em seguida veio Black Sunday, que estreou no número um na Billboard 200 em 1993, registrando a maior vendagem por um grupo de rap até aquele momento. Além disso, o Cypress Hill se tornou o primeiro grupo de rap a ter dois álbuns no top 10 da Billboard 200 ao mesmo tempo. Com "Insane in the Brain" virando hit, o álbum ganhou disco de platina triplo nos EUA.

Em seguida, o grupo solidificou sua popularidade além do nicho do rap, fazendo turnês com House of Pain, Funkdoobiest e Rage Against the Machine, além de participar da trilha sonora do filme Uma Jogada do Destino (Judgment Night), com uma parceria com o Pearl Jam na faixa "Real Thing" e com o Sonic Youth em "I Love You Mary Jane". Em 1994, o grupo tocou na edição mais recente do festival Woodstock e novamente no Lollapalooza, em 1995. Eles também apareceram no "Homerpalooza", episódio de Os Simpsons. No mesmo ano, o grupo lançou o terceiro álbum, Cypress Hill III: Temples of Boom, alcançando o número 3 na parada da Billboard com a força do hit "Throw Your Set in the Air".

Após mais dois discos e uma rápida pausa, a banda lançou um álbum de grandes sucessos em espanhol, batizado espertamente de Los maiores sucessos em espanhol. Em 2000, o Cypress Hill voltou experimentando com seu quinto álbum: um disco duplo, Skull & Bones trazia um lado composto de faixas de rap e outro explorando uma sonoridade mais próxima do rock. Com o álbum, o grupo alcançou o Top 5 da Billboard, impulsionado pelos singles "Rock Superstar" e "Rap Superstar". Logo após o lançamento de Skull & Bones, Cypress Hill e MxPx serviram como bandas de abertura de uma turnê do Offspring. O Cypress Hill continuou sua experimentação com o rock no álbum Stoned Raiders, em 2001, mas o efeito não foi tão bem sucedido quanto o álbum anterior.

Festival da Maconha

Apesar de já deixar explícita a sua admiração pela maconha em músicas como "Roll It Up, Light It Up, Smoke It Up" ("Enrole, Acenda, Fume") e "Yo Quiero Fumar", o Cypress Hill não deixou seu interesse na erva parar por aí; o grupo realiza anualmente o Smokeout Music Festival em San Bernardino, na Califórnia. O evento traz artistas de hip hop, música eletrônica, dubstep e metalcore e, como não poderia deixar de ser, é uma iniciativa a favor do uso de cannabis para fins medicinais. O primeiro festival foi realizado em 1998, e o mais recente, em março de 2012.


CYPRESS HILL EM SÃO PAULO
Onde? Espaço das Américas Endereço: R. Tagipuru, 795, Barra Funda - São Paulo, 01156-000
Data: 27/11/2013 (quarta-feira) 22h00
Quanto custa para entrar?
Camarote Limitado R$ 180,00 preço único
Pista 1º Lote R$ 80,00 - com carteira de estudante ou 1 kg de alimento
Pista Premium: R$ 120,00 (estudante ou 1 kg de alimento) - R$ 240,00 (inteira)
Para maiores informações, acesse o site.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Planeta Terra – Perfil de Lana Del Rey

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Sex symbol, desafinada, retrô contemporânea, farsa. Estes são apenas alguns dos termos mais utilizados por fãs e detratores para definir Lana Del Rey, uma das atrações do Planeta Terra Festival 2013, que acontecerá no dia 9 de novembro, no Campo de Marte, em São Paulo. Desde que seu primeiro hit "Video Games" começou a chamar atenção no mundo pop, as reações em torno da cantora sempre foram adversas.

Lana Del Rey é a persona de Elizabeth Woolridge Grant, uma nova-iorquina de 27 anos que ficou conhecida após postar um vídeo supostamente caseiro, gravado com uma webcam e editado pela própria cantora, em um canal no YouTube. Antes de "Video Games" se tornar um viral e atingir mais de 20 milhões de visualizações na primeira semana, Lana Del Rey já havia lançado material demo como May Jailer e um EP chamado Kill Kill em 2008, sob o nome Lizzy Grant. Em janeiro de 2010, a cantora voltou com o disco Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant, lançamento que foi vendido por um breve período antes de ser removido pela sua própria gravadora, com o intuito de separar Lizzy Grant da nova fase da artista. Este lançamento recebeu péssimas críticas da imprensa musical.

Em janeiro de 2012 saiu o disco Born to Die pelas gravadoras Interscope Records e Stranger Records, gerando sete singles: "Video Games", "Born to Die", Off to the Races", "Carmen", "Blue Jeans", "Summertime Sadness" e "National Anthem". Com uma temática nostálgica, centrada em estética de músicas americanas dos anos 1950 e 1960, Lana Del Rey surgiu como uma "Nancy Sinatra gangster" ou "Lolita perdida na floresta", como a própria artista se define. O nome artístico "Lana Del Rey" é inspirado na atriz símbolo sexual dos anos 40, Lana Turner, e no carro de luxo dos anos 80, Ford Del Rey.



Diferente de seu trabalho anterior, o álbum Born to Die foi bem recebido pela crítica, fazendo com que ele ficasse entre os 50 melhores álbuns de 2012 por muitas revistas e jornais. No mesmo ano, aconteceu o relançamento do disco, intitulado Born to Die - The Paradise Edition, com a adição de sete faixas inéditas. No total, o álbum original e seu relançamento totalizaram vendas de mais de 2,9 milhões de cópias, sendo o quarto mais vendido do ano. Lana Del Rey também lançou o EP Paradise, vendendo mais de 151 mil cópias na primeira semana.

A cantora fechou o ano de 2012 sendo a personalidade mais procurada da internet, de acordo com o Google. Foram 722.000.000 buscas que a deixaram na frente de cantoras como Rihanna, Adele, Cher e Lady Gaga.

Mas Lana Del Rey não é unanimidade. Segundo os detratores, a cantora é uma farsa, uma artista meticulosamente montada com a fortuna do pai, o milionário Robert Grant. Os haters de plantão também afirmam que a cantora chama mais atenção pela beleza: os cabelos compridos e lábios carnudos, lembrando o estilo de Hollywood dos anos 60, garantiram contratos com a empresa de moda Next Model Management, a multinacional sueca H&M e a marca de automóveis Jaguar.

Em 14 de janeiro deste ano, Lana Del Rey foi a convidada especial do tradicional programa humorístico americano Saturday Night Live. Sua performance foi desastrosa: além de desafinar demais durante as duas músicas que apresentou, ela mal conseguiu se movimentar no palco. A apresentação chegou a ser classificada como um dos piores momentos do Saturday Night Live.

Porém, há quem defenda a cantora: David Kahne, produtor de Del Rey e também de álbuns de Paul McCartney, Regina Spektor e Kelly Clarkson, elogiou as suas habilidades de voz e composição, dizendo também que Lana é "uma compositora inteligente". Mas ele mesmo deu o braço a torcer sobre a beleza ser mais forte que os talentos musicais da cantora, afirmando que "ela definitivamente possui um ângulo muito poderoso sobre a imagem".

Independente de críticas, Lana Del Rey continua firme com seus projetos. A cantora liberou nesta semana uma prévia do curta Tropico, que tem na trilha as faixas "Body Electric", "Gods & Monsters" e "Bel Air". Assinada pelo diretor Anthony Mandler, a produção encerra a divulgação do EP Paradise. O mini filme tem duração de 30 minutos e ainda não tem previsão de estreia oficial.

Lana Del Rey
Formação atual da banda: Lana Del Rey (vocais), Blake Lee (guitarra), Byron Thomas (piano), Ronald "CJ" Alexander (baixo), Leonard Tribbett Jr (bateria), Anna Croad, Ellie Stanford, Hayley Promfett, Nozomi Cohen e Sarah Chapman (cordas).

Discografia: Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant (2010), Born to Die (2012), Paradise (2012).

Curiosidade:
Antes de se tornar cantora, Del Rey queria ser poetisa. Lana cita os escritores Walt Whitman e Allen Ginsberg como influências para suas composições. Lana inspira-se, também, nos livros de Vladimir Nabokov, principalmente sua obra prima "Lolita". A paixão por Nabokov e Whitman é tão grande que a cantora tem uma tatuagem dedicada aos dois.

Planeta Terra - Perfil de Beck

*Matéria originalmente publicada no Yahoo! OMG.


Mais de dez anos se passaram desde que Beck Hansen veio ao Brasil para subir ao palco do Rock in Rio 2001. Desta vez, o músico chega ao país como uma das atrações do Planeta Terra 2013, que acontece no dia 9 de novembro, no Campo de Marte, em São Paulo.

Promovendo uma colagem sonora de estilos musicais, como folk, funk, soul, hip hop, rock alternativo, country e psicodelia com letras irônicas, arranjos modernos incorporando samples, baterias eletrônicas, instrumentação ao vivo e efeitos, Beck é aclamado por crítica e público como um dos mais criativos e idiossincráticos músicos da década de 1990 e 2000. Ao longo de uma carreira de mais de 20 anos, Beck lançou 11 álbuns de estúdio, além de vários singles, projetos paralelos e um livro de partituras.

Beck Hansen nasceu em 8 de julho de 1970, em Los Angeles. Com uma família de artistas - ele é filho da atriz Bibbe Hansen e do músico David Campell - o jovem Beck cresceu num ambiente que incentivava o seu interesse pelas artes e claro, por música, especialmente folk e blues. Aos 14 anos, Beck acompanhou o surgimento da cena hip hop de Los Angeles. Algum tempo depois, Beck passou a morar com seus avós no Kansas, onde seu avô era um pastor da igreja presbiteriana. Em seguida, ele passou um tempo na Europa com seu outro avô, o também artista Al Hansen. Nessa época, Beck tocava violão com influência de blues do Mississippi, com letras improvisadas.

Beck saiu da escola aos 16 anos e resolveu se mudar para Nova Iorque, já decidido a seguir na música. Naqueles tempos, surgia no East Village um movimento underground chamado anti-folk, que combinava a sonoridade folk com a estética e atitude do punk. Beck foi fortemente influenciado por esta cena, embora não tenha se firmado nela. Por volta de 1990, ele estava de volta a Los Angeles, onde passou a se apresentar em bares e festas. A esta altura, a música de Beck refletia todos os estilos a que ele havia sido exposto: do folk ao blues, de hinos presbiterianos ao hip hop de rua, além de punk com letras de improviso.

Um exemplo de sua ainda nascente carreira musical é o single controverso "MTV Makes Me Want to Smoke Crack" para a gravadora independente Bong Load Custom Records. A tiragem era limitadíssima e os objetivos, além de registrar o seu trabalho, eram puramente promocionais e não comerciais. Nessa época, Beck seguia um estilo de vida totalmente durango, vivendo em um galpão infestado de ratos e trabalhando em uma locadora de vídeo onde separava as fitas da seção de filmes pornográficos em ordem alfabética por um baixo salário.



Os dois primeiros álbuns, Golden Feelings (1993), e Stereopathetic Soulmanure (1994) foram lançados em fita cassete e com esquema de gravação caseira. Os dois trabalhos foram relançados mais tarde por uma gravadora maior, na esteira do sucesso do single "Loser", a música que iria mudar a carreira de Beck para sempre.

Produzida pelo próprio Beck e o produtor de hip-hop Karl Stephenson, em muito pouco tempo "Loser" se tornou popular nos circuitos alternativos de Los Angeles. Com isso, Beck e seu hit instantâneo passaram a ser disputados pelas grandes gravadoras. A DGC levou a melhor e no início de 1994 veio Mellow Gold, considerado seu verdadeiro álbum de estréia, contendo "Loser" como principal single. A música foi considerada pela crítica músical como um hino da chamada 'geração x'.

Ainda em 94, Beck também lançou pelo selo independente K Records o disco One Foot In The Grave, com a participação de Calvin Johnson (vocalista da banda indie Beat Happening). O álbum foi gravado antes de Mellow Gold e traz uma sonoridade folk rústica e produção lo-fi, bem diferente dos álbuns que Beck lançaria pela sua principal gravadora.

O segundo disco pela DGC saiu somente em 1996. Odelay teve a produção dos Dust Brothers e conseguiu um resultado ainda mais harmonioso e explosivo da mistura bizarra do som de Mellow Gold. Odelay apresenta colagens de diferentes referências, unindo bossa nova (existe um sample de "Desafinado" de João Gilberto na faixa "Readymade") com rock, country, folk e rap. O disco produziu singles de sucesso, como "Where It's At", "Devils Haircut" e "The New Pollution", vendendo mais de 2 milhões de cópias nos Estados Unidos e alcançando o 16º lugar na parada Billboard 200.

Em 1998, veio Mutations, que não alcançou tanta popularidade quanto o anterior, mas que rendeu o Grammy de melhor álbum de música alternativa para o cantor. Mutations era um disco bem menos híbrido que os trabalhos anteriores, sendo mais concentrado na influência folk. Foi a primeira vez que Beck entrou em estúdio com uma banda de apoio, ao contrário do que acontecia antes, quando o cantor contava com participações especiais e músicos contratados.

Em 1999, chegou Midnite Vultures, um álbum de influência de soul music e letras bem humoradas. Neste registro, Beck explora mais o alcance de sua voz, recheando as canções com agudos e falsetes. Midnite Vultures também não repetiu o mesmo sucesso dos álbuns anteriores, mas rendeu uma enorme turnê mundial, que passou pelo Brasil em 2001 durante o Rock In Rio 3.

Em 2002, Beck voltou ao topo das paradas com Sea Change. O disco foi recebido com entusiasmo pela crítica, e mostra mais uma mudança de direção: melodias introspectivas, com influência do folk britânico e melancólico de Nick Drake. As faixas misturam a simplicidade de temas acústicos com belos arranjos de cordas e discretos efeitos eletrônicos. O disco rendeu os singles "Lost Cause" e "Guess I'm Doing Fine". Para a turnê de divulgação de Sea Change, Beck contou com um reforço notável: os malucos do Flaming Lips. Além de banda de abertura, o Flaming Lips tornou-se também a banda de apoio do artista.

Com Guero, lançado em 2005, o músico voltou a se aproximar do estilo musical de Odelay, mais uma vez com a produção dos Dust Brothers e com canções baseadas em samples. Jack White, (na época do badalado White Stripes) participou de uma faixa, mas o tom do disco é mesmo o caldeirão sonoro de Odelay. Trazendo faixas como "E-Pro", "Girl" e "Hell Yes", o álbum também caiu nas graças da crítica e do público.

The Information (2006) foi inspirado pelo hip hop, trazendo singles como "Think I'm in Love", "Cellphone's Dead" e "Nausea", além da 7ª posição na Billboard 200 e o título de 24º melhor álbum do ano pela revista Rolling Stone americana. Em 2008, Beck apareceu com mais uma mudança no som, focando Modern Guilt nas influências dos anos 60. O disco trazia canções como "Gamma Ray", "Chemtrails" e "Youthless" e foi classificado como o 8º melhor do ano pela Rolling Stone.

Depois de uma pausa nas atividades e turnês, Beck dedicou-se a projetos mais intimistas, como o Record Club, no qual ele e outros músicos tinham o propósito de regravar álbuns considerados clássicos em apenas um dia. Até o presente momento, o Record Club realizou versões de álbuns de Velvet Underground, Leonard Cohen, Skip Spence, INXS e Yanni.

No verão de 2013, Beck disse estar trabalhando em dois novos álbuns de estúdio: um disco acústico na veia de One Foot in the Grave e outro descrito como uma sequência para Modern Guilt. Em outubro de 2013, foi anunciado que Beck assinou um novo contrato com a Capitol Records e planeja lançar um novo álbum, chamado Morning Phase, em fevereiro de 2014.

Beck
Discografia: Golden Feelings (1993), Stereopathetic Soulmanure (1994), Mellow Gold (1994), One Foot in the Grave (1994), Odelay (1996), Mutations (1998), Midnite Vultures (1999), Sea Change (2002), Guero (2005), The Information (2006), Modern Guilt (2008).

Curiosidade:
Beck é fã assumido da música brasileira, tanto que o título do álbum Mutations seria uma referência aos Mutantes e a música "Tropicalia" uma homenagem ao movimento de mesmo nome. Em 2011, ele colaborou com Seu Jorge em uma faixa intitulada "Tropicália (Mario C 2011 Remix)" para um álbum da iniciativa beneficente Red Hot Organization.